Passaram-se mais alguns dias. O calor daquela tarde parecia anunciar que algo estava prestes a mudar. Marlon havia partido logo cedo para mais uma de suas viagens obscuras — atrás de pistas, respostas… ou talvez apenas fugindo da própria obsessão que já começava a sair do controle. A mansão, ainda vigiada, parecia respirar um pouco mais leve sem a presença constante dele. Naquela noite, Ellie se levantou com um propósito claro. Vestiu um vestido soltinho, cor creme, delicado e leve, que balançava suavemente com cada passo. Caminhou em silêncio pelo jardim, conhecendo cada rota, cada sombra, cada ponto cego daquele cativeiro luxuoso. Seguiu até o único trecho do quintal onde não havia câmeras — o lugar onde podia existir sem ser observada. Horas depois, ele surgiu da escuridão. Gustavo

