Assim que chegaram à mansão, Marlon se virou para os seguranças:
— Podem ir. Qualquer coisa, me chamam. Mas não ousem interferir no que é meu.
Os homens assentiram, recuando com disciplina silenciosa. Ellie sentiu um calafrio percorrer a espinha. O silêncio pesado, o ar fechado da casa, o cheiro de madeira polida… tudo parecia exalar poder, dinheiro e perigo. Estava entrando em território que não pertencia a ela, um território onde ele ditava as regras.
— Essa casa é diferente — comentou Marlon, com o sorriso frio. — Menos câmeras, menos escutas… você vai se sentir… mais livre.
— Livre? — repetiu Ellie, rindo sem humor, uma risada que m*l tocava os lábios. — Livre? Só se você chama isso de liberdade.
Ele ignorou. Guiou-a pelos corredores, mostrando cada detalhe com orgulho quase doentio, como quem marca território. Cada cômodo, cada objeto, cada detalhe decorativo gritava poder e controle. Subiram até o quarto principal. O closet estava abastecido como sempre, impecável, pronto como se ela nunca tivesse saído.
— Cada detalhe… — murmurou Marlon, aproximando-se dela, o olhar fixo, possessivo. — Cada detalhe é meu, meu bem. Assim como você é.
Mais tarde, aproximou-se dela com a calma de um predador.
— Vamos tomar um banho? — sugeriu, a voz baixa, calculada.
Ela assentiu, consciente de que qualquer recusa podia irritá-lo. No banheiro, ele preparou a banheira com precisão, como um ritual mafioso: sais, velas, água na temperatura exata. Quando ela entrou, o corpo paralisado, ele correu até ela.
— Meu Deus… você não tem ideia do quanto esperei por você assim de novo. Perfeita… impecável… minha. — Ele passou a mão pelo ombro dela, a intensidade do toque quase sufocando.
Ellie forçou um sorriso. Por dentro, estava quebrada. A sensação de impotência corria por suas veias. Cada gesto era fingido, cada suspiro calculado, para manter o controle e não provocar a fúria dele.
Sentaram-se na banheira. A água quente envolvia ambos. Ela puxou assunto, tentando manter a voz firme:
— E a Jéssica? Como ela está?
— Ótima. Mas ninguém importa agora, só você importa. Eu trouxe você de volta… e vou manter você aqui, meu amor. — Ele sorriu com malícia, satisfeito por mostrar seu poder. — Ah, e a Perez morreu. Problema resolvido.
Ellie apenas engoliu em silêncio, absorvendo a ameaça velada.
Ele estendeu a mão:
— Vem… — disse, a voz baixa, hipnotizante.
Ela sentou-se sobre o colo dele, a respiração curta.
— Me beija… com saudade… com paixão — ordenou, possessivo.
Ela o beijou. Fingiu desejo, mascarou repulsa. Cada toque, cada gesto era calculado, cada suspiro uma mentira para mantê-lo sob controle.
Quando saíram da água e foram para a cama, ele continuou com intensidade, palavras doces e tons de comando. Ela obedecia, interpretando seu papel com perfeição. No fim, ele a abraçou, ainda sufocando a obsessão:
— Meu amor… só o começo. Eu vou te ter sempre. — Sussurrou, como quem promete possessão eterna.
Ela virou o rosto, uma lágrima solitária escorrendo, os dedos apertando a aliança de Gustavo contra o peito, lembrando que seu coração ainda pertencia a outro.
Algumas semanas depois, Marlon sentou-se ao lado dela, a mão segurando a dela com firmeza:
— Meu amor… como prometido, você vai poder falar com ele hoje. — A voz baixa, mas com firmeza de quem decide sobre vidas.
Ellie engoliu em seco, as lágrimas surgindo instantaneamente:
— De verdade? — perguntou, a voz quase sumindo.
— Sim — respondeu ele. — Mas lembra: se houver qualquer deslize, qualquer tentativa de você ou dele, eu corto na hora.
Ela respirou fundo, ajeitou o cabelo, passou brilho nos lábios, vestiu-se com cuidado e iniciou a chamada.
Do outro lado, Gustavo quase teve um ataque ao ver o nome dela na tela. Mas a mãe de Ellie segurou-o firme:
— Não interfira… deixe ela falar com Henrique.
Ellie sorriu através das lágrimas:
— Oi, meu amorzinho… Mamãe tá bem. Tá brincando muito?
— Sim, mamãe! — Henrique respondeu, emocionado. — Mamãe, que saudade!
A chamada era curta, controlada, cheia de medo e saudade. Ela terminou cantando a musiquinha que sempre os uniu, tentando passar força a Henrique, enquanto Marlon observava por perto, o poder absoluto sobre cada movimento dela.
— Já acabou o tempo, princesa — disse ele suavemente, o tom frio lembrando que nada estava sob controle de Ellie.
Ela assentiu, desligou, e desabou no chão assim que ele saiu: abraçada à aliança de Gustavo, a lembrança do amor verdadeiro que estava sendo mantida refém pelo homem que tudo controlava.
Do outro lado, Gustavo segurava Henrique com força, o coração em pedaços. O grito silencioso de impotência ecoava pela casa:
— Eu falhei… eu falhei com você, Ellie… Eu deveria ter te protegido… Eu vou te trazer de volta… — murmurava, enquanto a ausência dela preenchia o silêncio com medo, raiva e determinação.
E naquele instante, uma guerra silenciosa começava. Uma guerra entre amor e possessão, entre liberdade e controle. Uma guerra mafiosa, sangrenta e fria, que ainda estava apenas começando.