DESEJO EM ESTADO BRUTO

1043 Words
Quando a tensão misteriosa aflora. Ela terminou o café em silêncio. Subiu as escadas. Encontrou Mário no quarto, de costas, olhando pela janela. Ela cruzou os braços. — Então nós vamos viver assim? Ele virou. — Viver como? — Você querendo controlar tudo. Esqueceu quem sou eu? Eu tenho milhares de homens para liderar, e não vou tolerar essa coisinha de ciúmes. Ele deu dois passos até ela. Não tocou. Mas ficou perto o suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele. — Eu não estou tentando controlar você Luana. Ela sustentou o olhar. — Está tentando o quê, então Mário? Ele respirou fundo. A voz firme. — Existir. Ela ficou em silêncio. Ele continuou. — Você sempre mandou. Sempre foi obedecida. Sempre teve homens dispostos a morrer por você. Ele se aproximou mais um passo. — Mas nunca teve um homem disposto a ficar. As palavas a atravessou. Pois não era de tudo mentira. Ela engoliu em seco. — Dionísio ficou. Ela respondeu provocando. — Dionísio aceita. A diferença é brutal. — Ele te ama. Você diz que não sente. Ele abaixa a cabeça e continua ao seu lado. Ele inclinou levemente o rosto. — Eu não sou assim. O quarto parecia menor. — Se nós quisermos conviver como casal, eu vou te respeitar como minha esposa. A pausa foi calculada. — E você precisa me respeitar como seu marido. Ela sentiu o impacto. Aquilo não era ciúme vazio. Era reivindicação. Ele não estava pedindo permissão. Estava se posicionando. — Eu não vou dividir você dentro da sua própria casa. Eu sei que não é minha casa, mas estou aqui porque você, me trouxe. O silêncio ficou pesado. Luana estava acostumada a homens que a desejavam. Acostumada a homens que a temiam. Mas não a um homem que a encarasse assim. Não a um homem que não aceitasse migalhas. Ela ergueu o queixo. — E se eu não quiser isso? Ele sustentou o olhar. O cheque-mate veio baixo. Sem força aparente. — Então nós não somos um casal de verdade. A frase não foi gritada. Foi declarada. — Eu não vou ser mais um homem orbitando você. Ele inclinou o rosto levemente. — Ou você me assume por inteiro… ou eu não fico. Silêncio. Luana sentiu algo que não sentia há anos. Não era submissão. Era desafio. Pela primeira vez, alguém não estava implorando para ficar. Ele estava disposto a sair. E isso… Isso a desestabilizou. Ela não respondeu. Mas também não foi embora. E pela primeira vez na vida, Luana Gutemberg percebeu que talvez estivesse começando a gostar de ser reivindicada. E isso a assustou. Luana não respondeu depois do cheque-mate dele. Apenas virou as costas. Luana se afastou. — Vou tomar um banho. Luana ficou de costas para Mário. A camisa caiu, revelando o corpo dela, Ficou apenas de calcinha. Virou levemente o rosto. Não totalmente. Só o suficiente para que ele visse a provocação. O silêncio entre eles não era constrangido. Era desafio. Mário sorriu de canto. Ela passou os dedos pela cintura da calcinha, deslizou o tecido pelas pernas devagar demais para ser casual. Olhou por cima do ombro. Não disse nada. Sorriu e entrou no banheiro deixando a porta aberta. Entrou no box. A água começou a cair. Mário não entrou. Ficou parado. Respirando errado. Ela tomou banho sem pressa. Sabia que ele estava ali. Quando saiu, envolta apenas na toalha, o cabelo molhado escorrendo pelos ombros, passou por ele como se fosse a coisa mais natural do mundo. Sentou-se diante do espelho. Secador ligado. Perfume espalhado no ar. Ela soltou a toalha. Ficou de costas. Começou a se vestir sem pressa. Mário não desviou o olhar. Ela sentiu. Sabia que sentiu. Quando terminou de fechar o zíper da calça de alfaiataria, virou-se. — Vamos. Temos uma reunião. Ele cruzou os braços. — Eu preciso estar presente? Ela arqueou uma sobrancelha. — Ué. Você não se colocou como meu marido? Ele respondeu sem hesitar. — Não. Você escolheu ser minha esposa. Ela sorriu. Pequeno. Quase satisfeito. — Então o meu esposo vai na reunião. Ele se aproximou. Devagar. — Você quer a minha presença? Ela sustentou o olhar. — É necessário. — Por quê? — Porque vamos falar da reunião da cúpula. Você quer falar com Estela. E eu quero apresentar o meu esposo. O sorriso dele apareceu. Aquele. De canto. Perigoso. — Então eu também vou tomar um banho. Ele começou a tirar a roupa ali mesmo. Sem pressa. Sem espetáculo. Sem vergonha. Camisa primeiro. Depois o cinto. Ela não desviou o olhar. Quando ele ficou completamente nu, virou em direção ao banheiro, ao chegar na porta, olhou por cima do ombro, repetindo o gesto que ela fizera minutos antes. Provocação devolvida. Entrou no banheiro. Ela sorriu. Baixo. Ele saiu minutos depois, envolto apenas na toalha, água escorrendo pelo peito. Ela já estava quase pronta. — Ali. Ela apontou para a cama. Separei roupas para você. Ele olhou. Calça jeans clara. Camisa clara ajustada. — Na gaveta do meio tem relógio. Ele vestia a calça enquanto falava. — Minha esposa está me mimando? Ela se aproximou para ajeitar o colarinho da camisa dele. Ficaram perto demais. — O meu esposo precisa estar à minha altura. Ele riu baixo. Ela sentiu o cheiro do sabonete misturado com o perfume dele. Quando ele colocou o relógio, virou-se para o espelho. — E então… a minha esposa gostou? Ela estava terminando a maquiagem. Encontrou o reflexo dele pelo espelho. — Meu marido é muito gato. O ar mudou. Ele se aproximou por trás. Mãos na cintura dela. Sem apertar. Só presença. Ela segurou o olhar dele pelo reflexo. A respiração dos dois mudou. Ele inclinou o rosto. O nariz quase tocando a curva do pescoço dela. Ela virou levemente o rosto. Bocas próximas. Muito próximas. O beijo não veio. Mas a promessa ficou ali. Ele sussurrou perto demais. — Você gosta de me provocar. Ela respondeu no mesmo tom. — Eu gosto de ver até onde você aguenta. Os lábios quase se tocaram. Ele afastou primeiro. Porque agora era guerra silenciosa. E nenhum dos dois queria perder antes da reunião. — Vamos. Temos homens esperando. Ele ofereceu o braço. — Depois de você, minha esposa. Ela aceitou.
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