Quando o silêncio começa a se mover primeiro. A porta se fechou atrás dele sem som. Mário não bateu. Não acelerou o passo. Não olhou para trás. O que tinha ficado dentro daquela casa não precisava de mais palavras. Já estava dito. Já estava entendido. E, mais importante, já estava registrado. Ele desceu os poucos degraus da entrada com a mesma calma de quem não carrega pressa, mas carrega decisão. O ar da rua bateu no rosto, mais frio do que o interior da casa, mais limpo, mais honesto. Ali fora, as coisas eram o que pareciam ser. Dentro… nunca eram. O peito dele ainda carregava o eco da conversa com Luana. Não pelas palavras. Mas pelo que ficou no meio delas. Ela tinha percebido. Não o plano. Mas o movimento. E isso mudava tudo. Mário caminhou alguns metros sem destino aparente

