CAPÍTULO 69 Narrador A neve cobria os telhados de Genebra com uma calma que contrastava brutalmente com o que estava prestes a acontecer na mansão de Dominic Assunção. A lareira crepitava no centro da sala ampla, lançando sombras dançantes nas paredes de mármore. Maria Luiza, sentada em silêncio no sofá de veludo cinza, sentia o tempo escorrer devagar. O menino dormia no quarto ao lado, inocente, alheio às dores adultas que cercavam sua existência. Já fazia três dias desde sua chegada, e Dominic mantinha-se ausente. Ela era tratada com todo o luxo e conforto, mas também com a frieza de um prisioneiro em cela de ouro. Cada passo seu era seguido por olhares. Cada pedido, filtrado. Maria não tinha telefone, nem internet. Só livros, roupas caras e uma vista linda demais pra ser real. Naquel

