07 LUCIFER

1261 Words
LÚCIFER NARRANDO Abro os olhos depois de ter dormido uns vinte minutos. É o máximo que dá pra dormir aqui dentro. Vinte minutos… e olhe lá. A cada três, quatro horas. Não confio em ninguém, mano. Nem nos que eu sei que posso. Aqui dentro é assim… vacilou uma vez, já era. O agente para na grade e faz um sinal com a cabeça pra mim. Já entendo na hora. Ele vira de costas. Eu pego o celular. Hoje eu vou pra cela privada. E só saio de lá quando a visita acabar. LÚCIFER— Bora. _ Ele abre a cela. Eu já coloco os braços pra frente, mantendo o protocolo. AGENTE— Sua visita é a quinta a entrar. _ Ele fala enquanto a gente caminha pelo corredor. LÚCIFER— Já é._ Não falo mais nada. Paro na frente da cela. Ele abre. Eu entro. A porta fecha atrás de mim. Olho ao redor. Mesmo tamanho de uma cela comum…, mas essa tem uma cama de concreto de casal, com um colchão um pouco mais grosso. Nada muito diferente… só um pouco menos r**m. Sento na cama e pegou o celular. Ligo pro Coringa. Nada. Ligo de novo. Nada. Desisto. Fico esperando. O tempo aqui dentro parece que não passa. Mas passa. Quase uma hora depois… eu escuto a chave girando na porta. Levanto na mesma hora. Arrumo a postura. E fico esperando. A porta abre. AGENTE— Na conduta, hein, Lúcifer. _ Eu só encaro. Ele sabe que eu entendi. Ele dá espaço. E então… Eu vejo ela. A ruiva. Porra… O que é isso pessoalmente? Ela é ainda mais bonita do que nas fotos. Pequena. Delicada. Diferente de tudo. Diferente de todas. Fico olhando. Sem disfarçar. LÚCIFER— Pode entrar. _ Ela me olha por um segundo…, mas logo desvia o olhar. Entra com as sacolas nas mãos. AGENTE— Vou tá no fim do corredor. _ Ele avisa e fecha a porta. Agora é só nós dois. E eu não consigo tirar os olhos dela. Ela é única. Linda. Perfeita. Nada do que eu já tive na vida. LÚCIFER— Qual teu nome? _ Pergunto… Mesmo já sabendo. VICK— É… Vitória. _ A voz dela me arrepia. Firme…, mas doce. Delicada. Voz de mina nova…, mas que tem postura. Tem firmeza no que fala. LÚCIFER— Pode deixar tudo aí… e senta aqui. _ Ela coloca as sacolas na mesa e vem na minha direção. O olhar dela é de medo. Só medo. LÚCIFER— Olha pra mim. _ Quando ela levanta o olhar… p***a. Meu corpo reage na hora. Fica tenso. Eu quero ela. — Tu é linda pra c*****o. _ Falo baixo, levando a mão até o rosto dela. Coisa que eu não faço. Nunca fui de tocar mina alguma assim. Só toco nelas pra fuder com força... Ela trava. VICK— Eu…_ ela não consegue terminar. Lembro do Coringa falando que ela podia negar. Mas eu torço pra que não. LÚCIFER— Você o quê? _ Chego mais perto. Sinto o cheiro dela. Não é só perfume. É dela mesmo. VICK— Eu não quero. _ A frase sai firme. Eu paro na hora. Me afasto. Os olhos dela enchem de lágrima. VICK— Eu não posso… não sirvo pra isso. _ A voz dela sai desesperada. As lágrimas descem. E tudo que eu tava sentindo antes… foi pra p**a que pariu. Na hora. LÚCIFER— Tá falando sério? _ Ela confirma com a cabeça. VICK— Eu sei que ninguém tem diz não…_ ela respira fundo. — Mas eu não quero. Eu não vou me deitar com tu. _ Pela primeira vez… Eu sinto uma coisa que não gosto. Raiva. E uma vontade absurda de fazer justamente o que eu odeio. Mas eu travo. LÚCIFER— Se tu não quer… mete o pé. _ Ela levanta na mesma hora. Se afasta de mim. — Mete o pé logo, mina. _ Vou até a porta e bato três vezes. — Abre. Deixa ela sair. _ O agente aparece. Demora um segundo…, mas abre. Ela passa por mim rápido. Nem olha. Só deixa o cheiro dela pra trás. A porta fecha. E eu desconto a raiva. Dou um murro forte na porta. LÚCIFER— Tomar no cu! _ Rosno baixo. Passo a mão no rosto, irritado. Mas a imagem dela não sai da minha cabeça. O olhar. A voz. A forma como ela disse não. Filha da p**a… agora eu quero ela ainda mais. Com corpo fica tenso e eu acabo usando a minha mão mesmo pra gozar pensando nela. Meu celular vibra. Eu pego. Mensagem do Coringa. Abro. Tem uma foto. Meu sangue ferve na hora. MENSAGEM ON LÚCIFER— Que p***a ela tava fazendo no hospital assim? _ Pergunto na hora. Sem esconder o ódio. Como se ela já fosse minha. CORINGA— A mãe dela passou m*l. Ela saiu de casa do jeito que tava. _ Eu travo o maxilar. Eu tinha deixado claro… ninguém encostava nela. LÚCIFER— Ela já saiu daqui. _ Ele demora um pouco pra responder. CORINGA— Tu não machucou ela não, né? _ Reviro os olhos. LÚCIFER— Nem toquei nela. _ Respondo seco. — Arruma outra mina e fala pra Joice que eu quero visita amanhã. _ Não dá pra esperar mais uma semana. Ele manda um emoji. Mas eu continuo. LÚCIFER— E escuta bem…_ Pausa. — Ninguém encosta no Vitória. Ninguém. _ Mando e saio da conversa. MENSAGEM OFF Mas mesmo assim… Ela continua na minha cabeça. E eu sei… Que isso ainda vai dar problema. Sento na mesa e começo a comer as paradas que ela trouxe. Mas nem sinto direito o gosto da comida. Minha cabeça não para. E meu corpo muito menos. Tudo volta pra ela. Pra ruiva. Pro olhar dela. Pro jeito que ela disse não. Eu passo a mão no rosto, tentando me controlar. Mas não adianta. Minha mente gira. Penso em mil coisas ao mesmo tempo. Em sair daqui. Na fuga. No que fizeram comigo. Mas no meio de tudo isso… ela sempre volta. E isso me irrita mais ainda. Eu preciso sair dessa p***a. Antes que eu perca a cabeça de vez aqui dentro. O dia acaba. Eu saio da cela privada já mandando o agente se livrar de tudo que ficou lá dentro. Nem olho pra trás. Sigo direto pro pavilhão. Pra minha cela. Quando eu entro, os crias me olham na hora… e já se afastam. Ninguém fala nada. Nem precisa. Eles já sabem. Meu rosto entrega. O ódio tá estampado. Eu sento por um segundo…, mas não consigo ficar parado. Meu corpo tá inquieto. Minha mente pior ainda. É quando eu sinto o celular vibrar. Na mesma hora eu levanto. Olho pros crias. Eles fingem que nem tão olhando. Vou direto pra parte do banheiro. Mais isolado. Atendo. LIGAÇÃO ON CORINGA— Ela quer falar contigo. _ Eu nem preciso perguntar quem é. Já sei. LÚCIFER— Não tenho nada pra falar com ela. _ Respondo firme. Mesmo com uma parte de mim querendo ouvir a voz dela de novo. CORINGA— Escuta ela. _ Ele insiste. — Vai ser bom pros dois. _ Eu solto um sorriso de lado. Já imaginando. LÚCIFER— Passa o telefone. _ Falo seco. Não demora. Eu escuto a respiração do outro lado. Diferente. Nervosa. Mas… firme. VICK— Alô…_ eu fecho os olhos por um segundo. E sorrio de leve. Esperando o que ela vai me dizer. VAMOS COMENTAR E VOTAR MUITO... JAJÁ TEM MAIS.
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