Passei dois dias inteiros no barco até que avistei terra ao longe e depois de alguns minutos tínhamos atracado no porto do reino vizinho. Áquila era bastante quente mesmo no inverno e tudo era tão lindo, as pessoas andavam sem parar, compravam e vendiam. Dei uma olhada ao redor e de longe avistei o palácio, era majestoso e incrivelmente bonito, mas não era hora de admirar porque faltava pouco para escurecer e eu não tinha lugar para ficar. Estava sem destino então comecei a andar até que encontrei um senhor que alugava cavalos.
— Oi senhor, preciso de um cavalo!
— Você pode ficar com ele por 3 dias, cada dia eu cobro 1 dime! — o homem diz.
“Dime” era a moeda local e com ela podíamos comprar o que quiséssemos.
— Oh, não senhor, eu preciso de um cavalo para comprar.
— Ah sim, temos esse aqui! — ele me mostra uma égua marrom.
— Sim, este é perfeito!
O animal parecia bem tratado e alimentado, ela era linda. Me aproximei da égua, alisei seu pelo e depois abri minha bolsa pegando uma das maçãs que trouxe de casa para lhe dar.
— Ela parece gostar da senhorita! — o homem diz.
— Também gostei dela! — falei, pagando pelo cavalo.
— A senhorita está perdida?
— É, podemos dizer que sim... — fico sem jeito ao admitir — Estou procurando uma vila, não muito longe daqui.
— Percebi! — ele deu uma risadinha — O único povoado que há nas proximidades é o vilarejo de Pewich, fica cerca de 2 horas daqui, é só seguir para o leste.
— Muito obrigada!
Após me despedir, montei no cavalo e segui ao leste. Se passou algum tempo e quando estava prestes a escurecer avistei ruínas de casas, então decidi parar para vê-las. Fiquei admirada com tanta beleza nos detalhes da casa que parece ter sido incendiada, pois é possível ver marcas escuras na parede.
Era difícil dormir no barco já que ele balançava muito, então eu estava muito cansada e acabei sentando no chão da casa. Nem percebi a hora que adormeci, mas quando acordei tinha uma pessoa lá me encarando e levei um susto com isso.
— Calma! — o homem fala me olhando — Não vou te machucar.
— Quem é você?
— Me chamo Nicolas! — ele diz e eu me levanto — Muito prazer... E você? Quem é?
Eu não podia dizer o meu nome porque apesar de não me conhecerem pessoalmente as pessoas provavelmente já ouviram falar do meu nome.
— Sou Victoria... — acabei usando o meu terceiro nome.
— E o que a senhorita faz aqui sozinha?
— Eu vim visitar o reino, mas esqueci de arrumar um lugar pra ficar.
— Conheço um lugar! — ele diz sorridente — Posso te levar lá.
— Não sei se deveria confiar em um estranho... — falei com uma expressão desconfiada no rosto.
— Você tem outra opção?
— Não... Tá, eu vou com você! — ao ouvir isso ele abre aquele sorriso convencido mais uma vez.
Nicolas é incrivelmente lindo, tem um corpo atlético, cabelos castanhos, olhos verdes, sua voz era forte e imponente. Ele realmente era encantador, mas eu ainda não acredito que estou confiando num estranho.
— Vamos!
Saímos da casa e eu vi que já tinha escurecido, então Nicolas me ajudou a subir na minha égua que estava amarrada em um tronco de árvore e logo depois ele sobe no cavalo dele. Começamos a cavalgar e a noite estava linda: a lua estava cheia e o céu lotado de estrelas. O brilho da lua refletia na pele do meu novo conhecido e mesmo que estivesse um pouco escuro eu conseguia ver seus incríveis olhos verdes. Quando o vento vinha os cabelos dele voavam, ele parecia um anjo.
— Por que você está me olhando assim? — ele pergunta com estranhamento.
— Eu? — dou uma risada e me sinto corar — Você está enxergando coisa onde não tem.
— Se você diz... — ele olha para mim e dá aquele sorriso convencido.
Depois de algum tempo vejo um pequeno amontoado de casas e luzes no meio da escuridão da floresta.
— Chegamos! — falou Nicolas, animado — Bem-vinda à Pewich.
— Sabe aonde tem uma hospedaria aqui perto? — eu pergunto olhando as casinhas e pessoas em volta.
— Claro, vamos em frente.
Não demora muito para chegarmos na hospedaria que Nicolas havia mencionado. Era um estabelecimento simples, mas muito limpo e bonito. Do lado de fora tinham algumas mesas onde as pessoas comiam e bebiam, elas pareciam felizes e satisfeitas. Nicolas me guia para dentro e logo uma mulher vem nos cumprimentar:
— Nicolas! Quanto tempo rapaz... — a moça de cabelos grisalhos o abraça. Ela já era idosa, mas tinha um sorriso jovial e parecia ser bastante simpática — E quem é a moça?
— Essa é a Victoria!
— Mas onde você encontrou essa mocinha tão linda? — a mulher sorri para mim e eu retribuo abrindo um sorriso tímido.
— Nas casas incendiadas perto daqui! — Nicolas explica para ela — Vi o cavalo dela e decidi ver quem estava lá.
A mulher de cabelos grisalhos nos leva até uma das mesas e depois que nos sentamos ela pergunta:
— Vai ficar por aqui?
— Sim e preciso de dois quartos, Marina! — respondeu Nicolas e por fim descobri o nome da simpática senhora.
— Tudo bem, vou mandar prepará-los, mas vocês já jantaram? — Marina parecia ser muito atenciosa.
— Ainda não!
— Que ótimo, o jantar acabou de sair!
Dito isso, a senhora saiu e quando voltou estava com dois pratos e duas bebidas para mim e para Nicolas.
— Obrigado Marina, você é incrível! — disse ele, agradecido pela refeição — Mas quanto vai custar por noite?
— Nicolas, você sabe que eu nunca aceitaria que você me pagasse por hospedagem! — respondeu Marina, bagunçado o cabelo de Nicolas que ficou surpreendentemente mais charmoso.
— Nada disso, eu insisto! — ele estava relutante naquele assunto.
— Não, não e não!
Antes que Nicolas pudesse falar alguma coisa a mulher saiu e foi atender os outros hóspedes deixando claro que sua vontade era definitiva.
— Eu tento, mas Marina sempre vence! — Nicolas diz e começa a comer.
Dou um sorriso sem graça e começo a comer também. Este vilarejo parece ser aconchegante e agradável então não vai ser problema ficar por aqui, afinal estou disposta a qualquer coisa para escapar do meu compromisso. Adeus princesa Alyna, olá camponesa Victoria!