Ver aquilo deveria ter parecido impossível. Não pareceu. Pareceu certo. Passei por ela sem falar. Torvin estava na terceira cela, e foi ali que meus passos diminuíram. Suas mãos estavam presas à frente do corpo e, pela primeira vez desde que eu o conhecia, não era ele quem segurava a chave. Parecia menor sem ter uma função nas mãos. Sem a corrente, sem as luvas, sem a permissão para tocar no que podia me ferir. Meu tornozelo se lembrou dele. Não com dor agora. Com a verdade. O lugar onde a corrente de acônito estivera já não queimava, mas a memória ainda conhecia a forma dela. Lembrei-me do clique do metal, das luvas em suas mãos e da maneira como ele nunca olhava para mim como se eu fosse uma pessoa. Ele olhou para mim agora. Tentou sustentar meu olhar.

