A lembrança de um sentimento ( parte 1)

4341 Words
Seis anos antes... — Vai cara, pode tomar, minhas paradas não fazem m*l não. — disse Sehun, entregando uma de suas balinhas a Chanyeol. — Eu quero curtir a noite, espero que seja bom mesmo. — disse rindo e tomou o comprimido, fazendo o Oh sorrir. — Se você não for careta vai ser divertido. Aproveite bem hein, esse é o último ano que terá nessa escola, depois disso, só vida de adulto patético. — Sehun deu dois tapinhas nas costas do Park e foi em direção a outro garoto, entregando para ele também. Chanyeol lembrava de tê-lo visto uma vez ou outra na escola, mas aquela era uma excelente chance de se conhecerem. Atualmente... Chanyeol trabalhava em uma sapataria em grande Shopping de Seul, não gostava muito do lugar, mas sua mãe dizia ser necessário mostrar empenho em um emprego humilde antes de assumir a grande responsabilidade de cuidar dos negócios da família, que era o shopping em si. Precisaria mostrar que era merecedor disso, que poderia se virar sozinho. Nunca contestou sua mãe, então apenas arrumou um emprego em um bom estabelecimento, junto de seu amigo Sehun. — Sehun, eu vou sair para o almoço, você me cobre? — Claro, pode deixar, cara. — respondeu o outro e Chanyeol tirou seu avental, saindo da loja e caminhando em direção a praça de alimentação do shopping. Achou estranho ver um garotinho sozinho no meio do lugar, sentadinho em um dos bancos, cabisbaixo. Seu coração apertou-se ao vê-lo ali. Sentia como se o conhecesse de algum lugar, mas não lembrava de ter visto aquela criança antes. Ele estava descalço, usando roupas maiores que seu corpo e um tanto velhas, o que fez o coração de Chanyeol doer ainda mais. — Ei, mocinho. O que você está fazendo aqui sozinho? O garoto olhou para Chanyeol e depois voltou a abaixar a cabeça. — Desculpe, moço. Não posso falar com estranhos. — Menino esperto — sorriu — Me chamo Chanyeol e trabalho aqui no shopping. — Eu me chamo Him-chan. Meu omma foi comprar um chinelinho para mim, o meu arrebentou. — E por que você não foi junto? É perigoso ficar sozinho, tem muitas pessoas más. — Meu omma disse que eu sou grandão que nem o papai e ele não consegue me carregar, então pediu para eu ficar aqui e não falar com estranhos, porque se eu andasse descalço ao lado dele, eu ficaria doente e ele não tem dinheiro para comprar remédios. O coração de Chanyeol doeu ainda mais, sentando ao lado do garoto no banco. Ficou analisando os óculos grandes demais para o rosto infantil, as roupas também grandes... o pai do garoto com certeza não tinha condições de comprar nada e o vestia como podia. — Park Chanyeol? — ouviu a voz sussurrada e olhou para cima, vendo um garoto que parecia conhecer de algum lugar, ele era lindo demais para que pudesse esquecer. — Nos conhecemos de algum lugar? — Eu me chamo Byun Baekhyun. A gente estudou juntos no ensino médio... — Nossa, eu não lembro. Sinto muito. — Tudo bem, eu ficava mais no fundo da sala, não era muito de fazer amigos. — disse sem jeito — Vem, meu amor, vamos pra casa. — Mas e meu chinelo, omma? — Desculpe, bebê, é muito caro, não pude comprar. Mas você fica com o meu, tudo bem? Chanyeol ficou olhando a cena e vendo os olhos do garotinho enchendo-se de lágrimas, mas ele apenas concordou. — Não posso deixar que ele vá descalço para casa. — pegou o garoto no colo — Vamos até a sapataria em que eu trabalho, vou dar um chinelo para ele. — disse, andando em direção a loja. — Não quero incomodar. — Incomodo nenhum. Eu faço questão. — sorriu e foi até a loja, pegando um par de chinelos infantis do minions, fazendo os olhinhos do garoto brilharem. — Olha, omma, olha, é dos minions. — disse animado, mostrando o pezinho para Baekhyun, que sentiu um nó na garganta. — Obrigado. — disse tentando não chorar. — Imagina. Eu quero ajudar. — sorriu — O que você estava fazendo aqui no shopping? — Procurando emprego, mas sem o ensino médio completo, sem muita experiência e com filho, é difícil de conseguir um emprego que pague bem e seja menos de quatorze horas por dia. — Deixe o seu currículo comigo, vou encontrar algo para você. — Não precisa se incomodar, muito obrigado pelo que fez por ele. — Imagina. Não é incomodo, me deixe seu currículo e eu encontro. — Quando omma conseguir um emprego, vai poder comprar aquele carrinho que eu sempre quis. — disse animado. — Obrigado. — Baekhyun entregou o currículo, uma folha quase em branco e saiu da loja, sentindo ao menos um pouco de felicidade com seu filho animado de ter ganho um chinelo. (...) Chanyeol não conseguiu tirar aqueles dois da cabeça. Olhou o currículo de Baekhyun e viu que tinha o endereço da casa dele, pegou um chinelo e uns salgadinhos como desculpa e entrou em seu carro, indo em direção a casa do outro. Chegou no bairro humilde e olhou para a casa correspondente ao endereço. Era minúscula, de madeira e com certeza muito gelada nos meses mais frios. Bateu na porta algumas vezes e logo foi atendido. Baekhyun vestia a mesma roupa do dia anterior, assim como o garotinho, que brincava no chão, sobre o colchão onde dormiam, usando uma caixinha de leite com rodinhas feitas de tampa de garrafa como carrinho, aquilo acabou consigo. A casa tinha apenas dois cômodos, o que eles estavam e o banheiro, era pequena demais e não tinha quase nada, era notório que ele não tinha como os sustentar e precisava de um emprego o quanto antes. — Desculpe aparecer sem avisar, eu vim lhe trazer um chinelo também e trouxe salgadinhos que vem com brinde. — disse rindo sem jeito e entregou para Baekhyun — Além disso eu... eu consegui um emprego para você. — mentiu, mas diante da situação, não via outra alternativa. — Você jura? M-meu Deus! Muito obrigado! — Não tem de quê. Na segunda você me encontrar com seus documentos no shopping, pode levar o Him-chan com você, o emprego da auxílio creche, então assim que estiver com a carteira assinada, pode levá-lo a escola. — Eu não sei como agradecer, de verdade. Muito obrigado. Você não tem ideia de como está nos ajudando. — disse com lágrimas nos olhos. — Eu não sei explicar o que senti quando conheci o Him-chan, eu só quero que fiquem bem, ok? Te vejo na segunda. — disse e deu um beijo na testa de Baekhyun. Não sabia exatamente porque havia feito aquilo, mas sentiu a tensão no momento, tendo vontade de beijar os lábios do Byun e pigarreou. — Eu vou indo. — Obrigado. Chanyeol saiu da casa do Byun e atravessou a rua, entrando no seu carro e ficando um tempo ali parado, sentindo as lágrimas escorrendo por seu rosto pela situação daquela família. Como obra do destino, pareceu o momento perfeito para ainda estar ali, foi quando viu um carro conhecido parando em frente a casa de Baekhyun e Sehun saindo dele, carregando algumas sacolas com o que parecia ser comida, demorou um segundo para que começasse a fazer todas as ligações e uma raiva absurda lhe possuísse. Saiu do lugar cantando pneus e foi para a mansão maravilhosa em que Sehun morava, passando pelo portão a toda e estacionando o carro na frente do pequeno palácio, sentando nas escadas e esperando o momento em que o amigo iria aparecer ali. Algumas horas depois Sehun chegou, estranhando a presença de Chanyeol ali. — E ai, cara. Não sabia que estava de folga hoje. — disse descendo do carro. — Você é um babaca! Um i*****l! Como você pode fazer isso? — gritou, empurrando os ombros de Sehun. — Do que você está falando? Eu não fiz nada! — Pensa que eu não vi? Você acha que um saco com comida vai ajudar? Você vivendo sua vidinha de rico nessa casa e deixando seu filho passar fome! — Eu não tenho filho, p***a. Não sei do que está falando. — Estou falando do Baekhyun, do estado que ele vive e da situação que você deixou ele. — Não, Chanyeol. Eu faço o que eu posso para ajudar ele, mas esse deveria ser a p***a do seu trabalho, porque é a p***a do seu filho, antes de julgar os outros, começa a pensar melhor nas merdas que você fez e com quem você trepou. — disse irritado, apontando o dedo na cara do Park — Eu sou seu amigo há anos e tô puto que possa pensar uma coisa assim de mim. Agora quer saber quem sabe que aquele filho é seu? Sua mãezinha, então vai falar com ela e não enche meu saco. Chanyeol ficou atordoado, sem saber o que fazer com aquela informação, não estava esperando uma coisa como aquelas. Engoliu em seco e lembrou de uma conversa que havia tido com Sehun, algo que parecia estar enterrado em sua memória. Um baile da escola, uma bebida e um comprimido, seguido de beijos em uma sala vazia. Sentiu toda aquela furia voltada contra si mesmo. — Chanyeol, desculpa... — Sehun tentou chegar perto do amigo, mas este rejeitou o contato e entrou no carro, indo para a sua casa. (...) — Meu filho, que bom que chegou... queria te apresentar a Hyemin. — disse a mãe, toda animada, até ver as feições de Chanyeol. — Escondeu meu filho de mim? Sabia que eu tinha um filho e escondeu ele de mim? — M-meu filho, não é momento pra isso. — Não é momento para falar sobre como eu vivo a minha vida enquanto eu tenho um filho que está passando fome? Enquanto meu filho não tem nem o que vestir e você não foi capaz de me falar nada? Essa não era uma decisão sua! Eu não me interesso por quem está na casa, pela merda de casamento que quer arranjar para mim, eu faria tudo por você, faria tudo e você tirou de mim, algo importante assim, sem nem me dar escolha! Não me espere aqui tão cedo. — disse irritado e saiu de casa novamente, voltando para o seu carro. Bateu no volante com força, sentindo raiva de todos aqueles sentimentos vindo, a sensação que sentiu quando viu Him-chan pela primeira vez, estava sentindo-se tão m*l com aquilo tudo e, mesmo que comprasse o mundo para ele no dia seguinte, não adiantaria de nada, ele já teria passado pelas piores coisas, Baekhyun já estava no limite da miséria e tudo aquilo poderia ter sido evitado se ele não tivesse feito tudo sozinho. Lembrou do comentário de Him-chan sobre um carrinho e dirigiu até o shopping, passando em uma loja de brinquedos e comprando e um carrinho e dois soldadinhos, sentiu vontade de chorar no momento que o fez, pois na idade do pequeno, que deveria ter cinco anos, ele tinha tudo que queria, tinha todos os brinquedos que queria e o próprio filho brinca com uma caixa de leite com tampinhas espetadas. Respirou fundo e passou no caixa, comprando os brinquedos e depois passando em um restaurante, comprando o jantar. Mesmo sabendo que estava errado em fazer algo como aquilo e que talvez Baekhyun nunca fosse lhe perdoar por não ter assumido o menino, foi até a casa do Byun, batendo na porta e vendo o olhar confuso dele ao abri-la. — Aconteceu alguma coisa quanto ao emprego? Já está tarde. — Aconteceram muitas coisas e... não quero que pense que eu quero comprar ele. — disse entregando a sacola com os brinquedos para Baekhyun — Precisamos conversar. O Sehun me disse uma coisa hoje... Eu trouxe o jantar. — Ah, meu Deus, acho melhor a gente conversar aí fora, colocou a sacola com os brinquedos sobre uma mesinha, assim como a sacola com o jantar. — Him-chan, pode comer, omma vai ficar aqui fora conversando. — Tá bom, omma. Obrigado. — disse animado, abrindo a sacola do restaurante e tirando os potinhos. Baekhyun sorriu e fechou a porta, olhando sério para Chanyeol, antes de suspirar e sentar em frente a porta. — O que exatamente ele te contou? — o Park sentou junto a Baekhyun. — Que Him-chan é meu filho e que minha mãe sabia disso. Baekhyun. Eu sinto muito, ela nunca me disse, se eu soubesse... — Eu sei. Depois daquela noite na festa eu comecei a me sentir enjoado, fui até o posto de saúde e descobri sobre o Him-chan. Eu não pude ficar na escola porque seria um tormento, eu pensava em voltar depois que ele nascesse, mas quando meus pais descobriram que eu estava grávido eles surtaram, disseram que se eu tinha cabeça para fazer filho, já sabia me virar sozinho, que devia procurar um lugar para morar. Eu fiquei desesperado e fui até sua casa, só que você estava ocupado e sua mãe atendeu a porta, disse que não queria um neto bastardo e que se descobrisse que falei com você, eu não teria filho nenhum para falar sobre — suspirou, segurando as lágrimas — Eu fiquei ainda mais desesperado, mas Sehun ouviu tudo, sua mãe o ameaçou também, então ele não contou a você e até hoje me ajuda como pode. Eu sinceramente não sei o que faria sem ele. — Meu Deus, Baekkie, eu sinto muito. Eu sinto muito. — abraçou o corpo menor que o seu, vendo o quão magro ele estava, com certeza por estar sempre priorizando a alimentação do pequeno Him-chan — Eu menti sobre o emprego mais cedo, eu nem havia procurado ainda, mas ver vocês daquela forma me deu uma dor tão forte no peito, me desculpe, mas o Him-chan vai para uma escolinha e segunda-feira você vai estar empregado. Eu vou cumprir com todas as minhas obrigações para deixar ele bem. Se você deixar, eu não quero passar como um furacão na sua vida, mas ele precisa de tantas coisas, eu quero ajudar. Baekhyun não resistiu ao impulso de beijar os lábios de Chanyeol. O beijando de forma calma, dando vários selinhos em antes de finalizar o beijo. — Nunca me interessei pelo seu dinheiro, Chanyeol. Só quero que saiba disso, eu não estou em condições de recusar nada, porque eu não faço ideia de como me mantive de pé até agora. — disse baixinho, deixando as lágrimas escorrerem por sua face. — Obrigado por confiar em mim e me deixar ajudar vocês. Me desculpa, se eu soubesse, Baekhyun... Eu nunca vou perdoar a minha mãe. — Tudo bem, tudo bem, eu não tenho raiva de você. Him-chan é a pessoa que eu mais amo no mundo. — sorriu. — Você precisa morar mais perto do trabalho. Se me deixar, eu quero alugar uma casa para vocês, quero me aproximar dele, dar as roupas que ele precisa e um óculos novo. — Ele usa os meus, por isso são tão grandes, mas até que ficam fofos. — sorriu. — E você não enxerga então? — Só bem de pertinho. — Segunda vamos mudar tudo isso, eu juro. — disse e beijou a testa de Baekhyun, que sorriu envergonhado. — Vamos ver o que você trouxe para o jantar. — levantou e abriu a porta, vendo que Him-chan comia o último potinho com frango frito. — Meu filho, você não deixou nenhum pra omma? — Deixei, omma, deixei! Tem um aqui. — disse pegando o último frango com os hashis e esticando os bracinhos, para dar na boca de Baekhyun. — Hm, que bom que te ensinei a dividir. — disse rindo e olhou para Chanyeol — Desculpa. — Vou pedir pizza. — Eu amo pizza, eu só comi uma vez, quando o tio Sehun trouxe. — disse com os olhinhos brilhando, fazendo os mais velhos rirem. — Pois hoje vamos comer muita pizza. — Chanyeol sorriu, ligando para a pizzaria e pedindo duas pizzas grandes. (...) Him-chan comeu apenas um pedaço da pizza e logo já estava caindo de sono, deitou a cabeça no colo de Baekhyun e rapidamente adormeceu. Os mais velhos estavam sentados sobre o colchão de solteiro no chão, comendo o restante da pizza. — Ele já perguntou sobre o pai dele? O que você disse? — Que era muito complicado de explicar, que eu contaria tudinho quando ele fosse maior. — Ele vai achar estranho demais eu entrar na vida de vocês do nada... Eu estou com tanta raiva, porque eu poderia ter sido um pai incrível sabia?! — sorriu — Eu queria ter visto ele bebê e ter ajudado você. Não tem ideia de como saber que eu perdi esses cinco anos acabou comigo. — confessou. — Desculpa nunca ter procurado você. Ela ameaçou meu filho, eu fiquei com medo. — Eu entendo. A culpa não foi sua, em nenhum momento. Minha mãe foi um monstro. — Sinto muito por estar sentindo-se assim, Chan. Eu não queria nada disso. — Tudo bem, vou ficar bem. — suspirou — Eu preciso ir, vou arrumar um hotel para ficar essa noite, mas eu volto amanhã, vamos procurar um apartamento o quanto antes, tudo que eu puder fazer para tornar essa situação melhor, eu vou. Jamais vou poder compensar os últimos cinco anos, mas eu quero tentar. Baekhyun concordou e levantou do colchão junto com Chanyeol, o levando até a porta. — Obrigado. Você poderia não ligar para nossa situação, mas liga. Obrigado. O Park deu beijo na testa do menor e saiu da pequena casa, entrando em seu carro e rumando para um hotel. Estava cansado e estressado, sem cabeça para nada. Queria que tudo no mundo funcionasse vinte e quatro horas por dia, se pudesse estaria alugando um apartamento decente para Baekhyun naquele exato momento. Alugou um quarto de hotel e tomou um banho quente, pensando no que faria no dia seguinte. Precisava de um lagar para si também, precisava de pelo menos algumas das suas coisas mais essenciais. Sentou na cadeira de seu quarto, parando para pensar em tudo que estava acontecendo e na crueldade da sua mãe de expulsar um garoto de desesseis anos gravido da sua porta, sem oferecer auxílio, negando que ele falasse com o pai da criança. Ainda que sua mãe tivesse autoridade sobre si, ela não poderia esconder uma coisa daquelas. Suspirou e foi para cama, tentando dormir o mínimo que fosse para estar preparado para o dia seguinte. (...) A primeira coisa que Chanyeol fez ao acordar foi pedir o café da manhã do hotel, a segunda foi ligar para uma imobiliária. Acordou com um pensamento diferente, não seria eterno naquela terra, no dia seguinte poderia ser atropelado por um trem, precisava garantir que seu filho teria onde dormir, foi por isso que não pensou muito, pediu que lhe dessem logo as chaves dos melhores apartamentos próximo ao centro, Baekhyun escolheria o melhor deles. Vestiu sua roupa e foi até sua casa, sabia que sua mãe não estaria em casa naquele momento. Trocou de roupa e colocou apenas o essencial em uma mala, saindo de casa, moraria no hotel por um tempo, até comprar um apartamento para si. Nunca gastava o dinheiro da sua família, a fortuna a qual tinha direito, gostava de usar o dinheiro ganho com seu esforço, mas depois do que sua mãe fez, achava que merecia cada tostão. Passou em uma cafeteria e comprou o café da manhã, indo para a casa de Baekhyun. Bateu na porta e foi atendido pelo garoto com cara de sono e completamente descabelado. — Eu não achei que viria tão cedo. — murmurou. — Eu sei, mas eu tenho quatro chaves de apartamento, quero que você saia comigo, escolha um e a gente possa mobiliar o quanto antes. Baekhyun coçou os olhos, tentando ficar um pouco mais desperto. — O quê? Está falando sério? — Por mim vocês se mudam hoje mesmo. O Byun não conseguiu esconder o sorriso de orelha a orelha, abraçando o corpo de Chanyeol. — Obrigado. Meu Deus. Que incrível. — O que foi, omma? — Him-chan perguntou manhoso e Baekhyun abaixou em frente ao filho. — Sabe quando você disse que queria um quarto só para você? Com cama? — sorriu vendo o filho concordar — O Tio Channie vai dar um para você, ele nos convidou para ir escolher uma casa nova. Um lugar muito bonito, não é incrível? — Você jura? Um quarto meu? — perguntou boquiaberto. — Juro, trouxe café da manhã para vocês e assim que estivermos prontos vamos escolher o melhor quarto para você. — Você é o melhor tio do mundo. — disse abraçando as pernas de Chanyeol, fazendo o Park sentir um nó na garganta. (...) — Esse tem uma vista linda, piscina para os moradores e mais dois convidados além de um belo parquinho. — disse a corretora, mostrando a vista da janela. — Ai, Chan, eu sei que a gente nem viu os outros dois, mas é este, é perfeito. — disse Baekhyun, encantado com a vista. — Se você gostou está perfeito para mim, vamos ficar. Mande para o meu e-mail os contratos e manhã acertamos os primeiros meses de aluguel. — disse Chanyeol. O Park já havia dado uma entrada generosa para imobiliaria, eles sabiam dos planos do maior de parecer que estava apenas pagando um aluguel, no futuro, ele saberia que aquela casa pertencia a Him-chan. — Como quiser, senhor Park. Foi uma excelente escolha. — sorriu e entregou a chave do apartamento. — Agora ainda temos muita coisa para fazer. Precisamos passar em uma loja que faça entregas hoje ainda e... comprar roupas. — sorriu. — Eu juro, assim que eu começar a trabalhar eu vou pagar você por tudo isso. O aluguel, as roupas... — Baekkie... pense em cinco anos de contas atrasadas. Eu devo tudo a você, não o contrário. — pegou Him-chan no colo e deu a chave a Baekhyun — Partiu shopping. No final de dia voltaram para o apartamento com uma cama, um tapete, televisão, microondas e algumas roupas e produtos de higiene. O restante seria entregue durante a semana. — Estou acabado, mas tenho certeza que vou dormir o sono dos anjos, nem sei quantos anos faz que não durmo em uma cama, meu filho nunca dormiu numa cama. — confessou, suspirando. — Agora ele vai e uma todinha dele. Não vá trabalhar essa semana ainda, receba os móveis, se acomode, escolha uma escola para ele e então comece a trabalhar, você vai precisar se estabilizar antes de tudo. — Eu ainda não estou acreditando que fez tudo isso. Parece que estou sonhando. Eu achei que o Him-chan nunca fosse ter uma vida decente, que ele fosse precisar trabalhar cedo e talvez deixar os estudos de lado para que a gente pudesse se sustentar. — Agradeço muito por ter encontrado vocês no shopping e, Baekhyun, eu faria a mesma coisa se ele não fosse meu filho. — confessou. Estavam deitados no tapete da sala, inicialmente olhando para o teto, mas após a confissão de Chanyeol, Baekhyun passou a lhe observar, chegando mais perto, até que os lábios se encontrassem em um beijo delicado. — Omma! Por que está beijando o tio na boca? O tio Sehun você nunca beijou. — disse espantado — O Tio é seu namorado agora? — perguntou curioso, arrumando um espaço e deitando entre os dois. — Achei que você estava dormindo, meu filho. A cama não estava boa? — É tão grande, omma. É estranho dormir lá. — sorriu — Mas eu gostei, quero continuar dormindo lá. — Eu vou deixar vocês descansarem, amanhã eu volto para a nossa saga de arrumar o apartamento. — Obrigado, mas... não precisa vir tão cedo dessa vez. — sorriu. — Pode deixar. — deu um beijo na testa de cada um e saiu do apartamento. Duas semanas depois... A casa já estava inteiramente mobiliada, o quarto de Him-chan estava decorado e cheio de brinquedos, o que fazia os olhos do garoto brilharam ao ver tudo aquilo, ele pensava até que o papai Noel estava lhe compensando por ter esquecido o seu endereço durante todos aqueles anos. Chanyeol entrou no apartamento, deixando a chave no aparador e as sacolas sobre a mesa de centro, procurando por Baekhyun, sem o chamar, já que imaginava que Him-chan estava dormindo àquela hora da noite. — Channie, que surpresa. — sorriu. — Eu vim trazer roupas de inverno e o uniforme escolar dele, ele começa amanhã. Se importa se eu vir buscar vocês? Eu o levo para a escola e depois levo você para o trabalho. — Não me importo não, na verdade eu ia gostar bastante. — disse baixinho, olhando para o chão. — Ótimo, eu volto amanhã então. — Er... está tão tarde, por que não fica aqui? Eu não ia me importar, ia gostar. — disse chegando mais perto. — Baekkie, não quero que sinta algo por mim pelas coisas que fiz por vocês e... — Shh. — disse baixinho e beijou os lábios do Park, deixando Chanyeol um pouco atônito antes de corresponder. O beijo começou lento, mas logo os dois começaram a andar devagar em direção ao quarto, onde começaram a retirar as roupas com um pouco de pressa. Baekhyun trancou a porta e deixou que o maior o pegasse no colo, o levando para a cama e aproveitando ainda mais aquele beijo. Não era apenas pela ajuda que Baekhyun queria aquilo, foi apaixonado por Chanyeol durante anos e nunca pode o expressar, teve apenas uma chance no época de escola e a deixou passar entre os dedos, não queria a perder de novo. Sentir as mãos do maior em seu corpo, enquanto rebolava lentamente em seu colo era quase como um sonho, não sabia que poderia ter saudade de uma coisa como aquela, mas tinha e não tinha como ser melhor ao chegar ao seu ápice junto ao Park, trocando beijos cheios de carinho.
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