cap 01 anos atrás

853 Words
Caveira narrando... Anos atrás... Cheguei em casa e percebi um clima estranho. Tinha gritos vindos do andar de cima. Subi correndo, e foi aí que ouvi a voz da minha irmã. Maitê: — Para, por favor... eu te imploro, não faz isso! — ela chorava. X: — Cala a boca, tu sabe que quer... Aquela voz... era ele. Eu conhecia. Não podia acreditar que ele tava fazendo isso com a minha irmã. Corri pro meu quarto, peguei a arma do meu pai e fui direto pro quarto da Maitê. Arrombei a porta e vi a cena que eu jamais vou esquecer. Ela no chão, assustada, sem roupa... e meu padrasto em cima dela. Caveira: — SAI DE CIMA DELA AGORA! — gritei, empurrando ele com força. Tito: — Essa menina é igual à mãe, vive se oferecendo e depois quer bancar a difícil — falou com frieza, como se não tivesse feito nada de errado. Caveira: — Tu vai pagar por tudo isso, seu desgraçado. Sem pensar duas vezes, atirei. Foram vários tiros, até ter certeza que ele nunca mais ia tocar em ninguém. Caveira: — Cadê ela, Maitê? — perguntei, ainda tremendo. Maitê: — No quarto... — respondeu baixo, encolhida num canto. Entreguei um lençol pra ela. Caveira: — Se enrola e fica aqui, tá? Agora é com a mãe... Fui direto pro quarto da minha mãe. Ela tava dormindo. Como se nada tivesse acontecido. Caveira: — Acorda! — gritei, e atirei no braço dela, sem atingir nada vital, só pra acordar de vez. Márcia: — Ai, meu Deus! O que tá acontecendo?! — gritou, assustada, segurando o braço. Caveira: — Teu marido tentou abusar da Maitê! E tu tava aqui dormindo? Que tipo de mãe tu é? Márcia: — Aquela menina vive andando com pouca roupa. Queria o quê? Ele é homem... Caveira: — Ela tem 13 anos! É TUA FILHA! Ela não demonstrava arrependimento. Pelo contrário, parecia irritada com o incômodo. A cada palavra dela, eu perdia um pouco mais da pouca paciência que me restava. Márcia: — Eu nunca quis filho nenhum mesmo. Só tive porque fui obrigada. O pai de vocês me forçou. Ainda bem que ele morreu... Foi aí que tudo fez sentido. Meu pai não morreu por acaso. E ela tinha culpa. Caveira: — Então agora vai fazer companhia pra ele... Ela ainda tentou argumentar. Márcia: — Tu tá virando o que sempre disse que odiava... Vai me matar, Fael? Caveira: — Eu não sou como tu. Mas não vou deixar você sair impune. Dá um oi ao d***o por mim. Três tiros. Fim de história. Minha vida nunca foi fácil. Mas tudo ficou pior quando meu pai morreu. Ele era o único que cuidava de mim e da Maitê. Depois que se foi, minha mãe se envolveu com o Tito, que era, até onde a gente sabia, melhor amigo do nosso pai. Mais tarde, descobri que os dois tinham armado a morte dele. Ela queria poder. Tito queria minha mãe. Traíram quem dizia ser irmão. Eu tava esperando o momento certo pra agir. Mas ver minha irmã naquela situação me fez agir antes do tempo. A vingança foi feita. E agora eu sabia o que tinha que fazer. Voltei pro quarto da Maitê. Caveira: — Se veste, vamos sair daqui. Maitê: — Você... matou ela? Caveira: — Matei. E ela merecia. Nunca foi mãe de verdade. E ainda foi responsável pela morte do nosso pai. Maitê: — Como assim? Ele morreu numa missão, não foi? Caveira: — Não. Ela e o Tito armaram tudo. Ele confiava nela... e ela entregou ele. Maitê: — Eu não acredito... — ela falou chocada, indo pro banheiro se trocar. Minutos depois, voltou vestida. Maitê: — E agora, pra onde a gente vai? Caveira: — Pra casa do Th. Vamos passar a noite lá. Amanhã eu resolvo o que vou fazer. Saímos da casa. Fomos até a casa do Th. Bati na porta. A mãe dele, dona Olívia, abriu com cara de sono. Caveira: — Desculpa incomodar, tia... mas a gente pode passar a noite aqui? Olívia: — Pode sim, meu filho. Entra. O que aconteceu? Caveira: — É uma história longa... amanhã eu conto tudo. Olívia: — Tudo bem. Maitê, vem dormir comigo. Fael, vai pro quarto do Thalles. Caveira: — Obrigado, tia. A senhora salvou a gente hoje. Subi pro quarto do Th. Ele tava acordado, no celular. Th: — Qual foi, mano? Que que tá pegando? Contei tudo. Th: — Tu sabe que o comando vai vir atrás de tu, né? Isso vai dar ruim... Caveira: — Não vai dar em nada. Ele tava no erro. E eu tenho provas do que eles fizeram com meu pai. Th: — E tu acha mesmo que vão te entregar o comando do morro? Tu ainda é só um vapor. Caveira: — Isso vai mudar. Esse morro vai ser meu. E tu vai tá comigo nessa. Th: — Se tu tá falando... amanhã a gente vê no que dá. Deitei no colchão improvisado no chão. Amanhã começa outra fase. Não mais como vapor. Agora como Caveira, o dono da Rocinha.
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