Sentimentos

775 Words
Dia Seguinte Depois da escola, fui ao shopping com a Verônica. Fizemos algumas compras e paramos para lanchar. O sol já estava se pondo, dando lugar à noite, e estava ficando tarde. Como estávamos com muitas sacolas, resolvi chamar o Chris para vir nos buscar. Seria impossível ir de ônibus carregando tudo aquilo. Assim que liguei, ele prontamente veio, pois estava perto de onde estávamos. Quando avistei o carro dele estacionar, ele desceu e nos ajudou a guardar as sacolas no porta-malas. Ele deixou a Verônica em casa primeiro, e ela agradeceu pela carona. Então seguimos para casa, jogando conversa fora durante o caminho. Chegando em casa, Chris me ajudou com as sacolas, subindo comigo até o quarto para deixá-las na cama. Resolvi me arrumar e desci para esperar o Luiz no andar de baixo. Quando cheguei, encontrei meu pai na cozinha preparando o jantar. — Uau... onde a senhorita vai toda arrumada desse jeito? — ele perguntou, lavando as mãos na pia. — Vou sair com o Luiz — respondi, sorrindo. — Esse Luiz é muito sortudo! Ele tem o maior tesouro com ele — disse meu pai de forma carinhosa. Eu o abracei, sorrindo. Nesse momento, ouvimos a campainha tocar. Fui atender e me deparei com o Luiz em pé, segurando uma rosa. Ele estava usando uma camisa social branca, um colete cinza e uma calça de alfaiataria combinando. — Você está muito linda — disse ele, admirado, enquanto me entregava a rosa. — Hoje vou te levar a um lugar muito especial. — Onde? — perguntei curiosa. Caminhamos até o carro, e ele abriu a porta do passageiro para mim. — É surpresa. O caminho foi silencioso, mas confortável. Quando chegamos ao restaurante, fiquei impressionada com o lugar. Era chique e sofisticado. Por sorte, eu estava vestida de forma apropriada. Sentamos em uma mesa com uma vista excelente para o palco, onde havia uma banda tocando música clássica. Ele pegou o cardápio e escolheu seu prato: risoto de camarão. Como eu estava em dúvida, decidi acompanhar a escolha dele. Notei que Luiz parecia nervoso; ele enxugava as mãos no guardanapo constantemente, o que despertou minha curiosidade. Enquanto esperávamos pelos pratos, curtimos a música tranquila. Quando a comida chegou, o garçom serviu nossas taças com vinho branco. A refeição estava maravilhosa, e o clima era confortável. Jantamos sem pressa, aproveitando o momento. Assim que terminamos, Luiz pediu ao garçom que limpasse a mesa. De repente, ele ficou sério. Segurou minhas mãos e começou a falar, olhando diretamente nos meus olhos. Fiquei surpresa com a mudança de tom. — Lauren, eu trouxe você aqui hoje porque quero dar um passo importante no nosso relacionamento. Eu pensei muito nesses últimos dias e percebi que você me completa de todas as formas. Você me compreende, me aconselha e sempre me apoia. Em cinco meses, você me mostrou o quanto me faz feliz. Eu não posso esperar mais para sermos mais do que namorados. Você aceita ser minha noiva? Fiquei perplexa, sem saber o que responder. Ele me pegou completamente de surpresa. Cinco meses de namoro me pareciam muito pouco tempo para pensar em noivado, pelo menos na minha cabeça. Tenho apenas dezesseis anos, ainda estou no ensino médio e cheia de sonhos para realizar. Não tinha como aceitar um pedido desses. Respirei fundo e, tentando não magoá-lo, disse: — Luiz, eu sei que você tem a melhor das intenções comigo, e achei o seu pedido lindo... mas eu não estou preparada para dar esse passo. Você entende? Somos tão jovens. Eu nem terminei o ensino médio ainda, e este não é o meu momento. Eu sei que você tem sua vida estabilizada, um excelente emprego e é formado, mas eu não tenho nada disso. Não quero depender de você para tudo. Ele me ouviu em silêncio, guardando a caixa com o anel no bolso. — Entendo — respondeu calmamente. — Não se sinta pressionada... eu só achei que seria uma boa ideia. — Não fica chateado, Luiz. Ainda temos muito o que aproveitar juntos, não precisamos apressar nada. — Acariciei a mão dele, tentando confortá-lo. Ele balançou a cabeça, sem dizer mais nada. — Vamos pedir a conta. — Tudo bem. Ele pagou e fomos embora. O caminho de volta foi silencioso. Ele estava visivelmente chateado, e isso me deixou um pouco culpada. Ao estacionar em frente à minha casa, ele se inclinou para um selinho rápido antes de eu descer. Apesar de ter certeza de que fiz a coisa certa, me sentia m*l por tê-lo magoado. Odiava ver alguém triste por minha causa. Mas, no fundo, sabia que dizer "não" era o melhor para mim.
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