Notícia

885 Words
No caminho para a escola, encontrei Henrique novamente. Ele estava com a jaqueta do time de basquete, calça jeans rasgada e um par de tênis All Star preto. Sempre achei o estilo dele interessante, como os garotos de filmes adolescentes. Porém, ao contrário deles, Henrique não era marrento nem esnobe. Ele era gentil e tinha um bom humor de dar inveja. — Bom dia. — Abracei-o calorosamente. — Bom dia... Vejo que está mais animada. — Sim. Henrique parecia mais agitado que o normal, falando sem parar sobre a festa que estava organizando. Entrei na conversa, ajudando com algumas ideias. Afinal, não podia ignorar o fato de que eu realmente estava indo embora. Quando chegamos à escola, Joanna e Bruna estavam nos esperando em frente à entrada. Joanna era loira, de olhos azuis e pele clara como a neve. Parte da família dela era irlandesa, o que explicava os seus traços marcantes. Bruna, por outro lado, tinha fortes traços latinos: morena, olhos castanhos claros e cabelos longos e pretos. — Bom dia! — Elas me abraçaram ao mesmo tempo. — Bom dia. Podemos conversar? — Claro. Ainda falta um pouco para o portão abrir — disse Joanna. Apontei para alguns bancos próximos à fonte em frente à escola, e elas me seguiram. Sentamos, e elas esperaram pacientemente enquanto eu reunia coragem para falar. Olhei para Henrique, que apertou minha mão em apoio. Respirei fundo e comecei. Contei sobre a promoção do meu pai, que ele vinha tentando há um ano, e que finalmente havia conseguido. Expliquei que, por isso, teríamos que nos mudar para Miami. As duas ficaram boquiabertas, sem palavras. Elas trocavam olhares incrédulos, tentando processar a notícia. — Eu não quero acreditar nisso... Esse era para ser o nosso ano! O quinteto finalmente está unido... — disse Bruna, exasperada. — Gente, não tenho escolha. Se dependesse de mim, eu jamais iria. Meu pai aceitou essa promoção pensando no bem-estar da nossa família. Não posso ir contra a decisão dele. As duas me puxaram para um abraço tão forte que quase me faltou ar. — Calma, meninas, tem Camila para todo mundo! — falei, rindo. Henrique se juntou ao abraço, e Lucas apareceu bem na hora para se juntar também. Ele já sabia sobre a mudança, porque minha mãe havia contado para a mãe dele. — Você é o coração do grupo... e a mais desastrada também — brincou Bruna. — Ninguém supera você nos micos diários! Com quem vou implicar agora? — Bruna, eu ainda estou aqui — respondi, divertida. — E obrigada pela parte que me toca. — Eu sei! Mas meu coração não vai aguentar — disse ela, colocando a mão no lado direito do peito. — Bruna, o coração é do lado esquerdo — corrigiu Joanna, rindo alto. Não tinha como levar Bruna muito a sério; ela vivia no mundo da lua, e isso era uma das coisas que eu mais amava nela. — Eu sabia disso! — respondeu Bruna, dando um sorriso amarelo. — Vocês são meus melhores amigos. Isso nunca vai mudar, esteja eu perto ou longe. O sinal tocou, anunciando a a******a dos portões. Nos levantamos e seguimos a multidão de alunos. Henrique e Lucas estavam atrás de mim e me abraçaram por trás. Lucas sussurrou no meu ouvido: — A escola não será a mesma sem você. Virei para ele, sorri e dei um beijo em sua bochecha. Lucas tinha cabelos cacheados, pele morena, olhos pretos e um sorriso com covinhas que o tornava ainda mais encantador. Mais tarde, em casa, tudo estava uma bagunça. Caixas espalhadas por todos os lados. Depois de ajudar minha mãe a encaixotar as coisas da cozinha, deitei no sofá para tirar um cochilo. — Ei, acorda! — alguém balançava meu corpo. O sono estava tão bom que eu não queria abrir os olhos. — Me deixa dormir... — Não, acorda logo! Você prometeu! — Não quero. — Coloquei o travesseiro no rosto. De repente, meu corpo colidiu com o chão frio, e ouvi uma risada alta. Sofia, minha irmã caçula, ria enquanto cobria a boca com as mãozinhas. — Eu não acredito que você fez isso, Sofia! — continuei no chão, sem forças para me levantar. — Você que não quis levantar, sua preguiçosa. Com muito esforço, levantei, coçando os olhos. Minha mãe estava perto da porta, escondendo um sorriso discreto. — Sua peste — resmunguei. — Mama, a senhora viu o que a Sofi fez? Minha mãe deu de ombros e nos chamou para lanchar. Depois do lanche, levei Sofia ao parque, porque sabia que ela não me deixaria em paz até que eu o fizesse. Sentei em um banco enquanto ela brincava. Meu celular não parava de vibrar. WhatsApp On Rique♡: Milaaa! Mila melhor: Eu aqui! Rique♡: Estava pensando em fazer a festa na sexta. O que acha? Mila melhor: Tudo bem por mim. Vou viajar na segunda. Rique♡: Já? Mila melhor: Infelizmente. Rique♡: Você se importa se eu chamar alguns amigos? Mila melhor: Claro que não. Chame quem quiser. Você sabe que não tenho muitos amigos. Rique♡: Você poderia chamar seus amigos da antiga escola. Mila melhor: Se eu tivesse, com certeza chamaria... Se precisar de ajuda para arrumar as coisas, me avisa! Rique♡: Fica tranquila. Está tudo sob controle. Boa noite, Kaki. Mila melhor: Boa noite!
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