No caminho para a escola, encontrei Henrique novamente. Ele estava com a jaqueta do time de basquete, calça jeans rasgada e um par de tênis All Star preto. Sempre achei o estilo dele interessante, como os garotos de filmes adolescentes. Porém, ao contrário deles, Henrique não era marrento nem esnobe. Ele era gentil e tinha um bom humor de dar inveja.
— Bom dia. — Abracei-o calorosamente.
— Bom dia... Vejo que está mais animada.
— Sim.
Henrique parecia mais agitado que o normal, falando sem parar sobre a festa que estava organizando. Entrei na conversa, ajudando com algumas ideias. Afinal, não podia ignorar o fato de que eu realmente estava indo embora.
Quando chegamos à escola, Joanna e Bruna estavam nos esperando em frente à entrada. Joanna era loira, de olhos azuis e pele clara como a neve. Parte da família dela era irlandesa, o que explicava os seus traços marcantes. Bruna, por outro lado, tinha fortes traços latinos: morena, olhos castanhos claros e cabelos longos e pretos.
— Bom dia! — Elas me abraçaram ao mesmo tempo.
— Bom dia. Podemos conversar?
— Claro. Ainda falta um pouco para o portão abrir — disse Joanna.
Apontei para alguns bancos próximos à fonte em frente à escola, e elas me seguiram. Sentamos, e elas esperaram pacientemente enquanto eu reunia coragem para falar. Olhei para Henrique, que apertou minha mão em apoio. Respirei fundo e comecei.
Contei sobre a promoção do meu pai, que ele vinha tentando há um ano, e que finalmente havia conseguido. Expliquei que, por isso, teríamos que nos mudar para Miami. As duas ficaram boquiabertas, sem palavras. Elas trocavam olhares incrédulos, tentando processar a notícia.
— Eu não quero acreditar nisso... Esse era para ser o nosso ano! O quinteto finalmente está unido... — disse Bruna, exasperada.
— Gente, não tenho escolha. Se dependesse de mim, eu jamais iria. Meu pai aceitou essa promoção pensando no bem-estar da nossa família. Não posso ir contra a decisão dele.
As duas me puxaram para um abraço tão forte que quase me faltou ar.
— Calma, meninas, tem Camila para todo mundo! — falei, rindo.
Henrique se juntou ao abraço, e Lucas apareceu bem na hora para se juntar também. Ele já sabia sobre a mudança, porque minha mãe havia contado para a mãe dele.
— Você é o coração do grupo... e a mais desastrada também — brincou Bruna. — Ninguém supera você nos micos diários! Com quem vou implicar agora?
— Bruna, eu ainda estou aqui — respondi, divertida. — E obrigada pela parte que me toca.
— Eu sei! Mas meu coração não vai aguentar — disse ela, colocando a mão no lado direito do peito.
— Bruna, o coração é do lado esquerdo — corrigiu Joanna, rindo alto.
Não tinha como levar Bruna muito a sério; ela vivia no mundo da lua, e isso era uma das coisas que eu mais amava nela.
— Eu sabia disso! — respondeu Bruna, dando um sorriso amarelo.
— Vocês são meus melhores amigos. Isso nunca vai mudar, esteja eu perto ou longe.
O sinal tocou, anunciando a a******a dos portões. Nos levantamos e seguimos a multidão de alunos. Henrique e Lucas estavam atrás de mim e me abraçaram por trás. Lucas sussurrou no meu ouvido:
— A escola não será a mesma sem você.
Virei para ele, sorri e dei um beijo em sua bochecha. Lucas tinha cabelos cacheados, pele morena, olhos pretos e um sorriso com covinhas que o tornava ainda mais encantador.
Mais tarde, em casa, tudo estava uma bagunça. Caixas espalhadas por todos os lados. Depois de ajudar minha mãe a encaixotar as coisas da cozinha, deitei no sofá para tirar um cochilo.
— Ei, acorda! — alguém balançava meu corpo.
O sono estava tão bom que eu não queria abrir os olhos.
— Me deixa dormir...
— Não, acorda logo! Você prometeu!
— Não quero. — Coloquei o travesseiro no rosto.
De repente, meu corpo colidiu com o chão frio, e ouvi uma risada alta. Sofia, minha irmã caçula, ria enquanto cobria a boca com as mãozinhas.
— Eu não acredito que você fez isso, Sofia! — continuei no chão, sem forças para me levantar.
— Você que não quis levantar, sua preguiçosa.
Com muito esforço, levantei, coçando os olhos. Minha mãe estava perto da porta, escondendo um sorriso discreto.
— Sua peste — resmunguei. — Mama, a senhora viu o que a Sofi fez?
Minha mãe deu de ombros e nos chamou para lanchar. Depois do lanche, levei Sofia ao parque, porque sabia que ela não me deixaria em paz até que eu o fizesse.
Sentei em um banco enquanto ela brincava. Meu celular não parava de vibrar.
WhatsApp On
Rique♡: Milaaa!
Mila melhor: Eu aqui!
Rique♡: Estava pensando em fazer a festa na sexta. O que acha?
Mila melhor: Tudo bem por mim. Vou viajar na segunda.
Rique♡: Já?
Mila melhor: Infelizmente.
Rique♡: Você se importa se eu chamar alguns amigos?
Mila melhor: Claro que não. Chame quem quiser. Você sabe que não tenho muitos amigos.
Rique♡: Você poderia chamar seus amigos da antiga escola.
Mila melhor: Se eu tivesse, com certeza chamaria... Se precisar de ajuda para arrumar as coisas, me avisa!
Rique♡: Fica tranquila. Está tudo sob controle. Boa noite, Kaki.
Mila melhor: Boa noite!