Eu me acordo confusa, e sem ter a mínima ideia de onde estou, e muito menos, o que eu era, ou poderia ser, a minha mente estava tão confusa, sendo que, eu nem sabia o que era isso, pensar em todo o sentido da palavra, por assim dizer... E para começo de conversa o que sou eu? Por que estou pensando? E acima de tudo o que é pensar? Ao meu lado está um homem de pele morena, ele está nu, posso ver toda a extensão de seu corpo, ele está adormecido, mas logo seus olhos se abrem e eu os vejo também negros, ainda mais escuros que sua pele. Ao me ver ele também parece confuso, e sem que consigamos controlar nossos dedos das mãos se tocam, como se uma forte atracão nos conectasse, corpo e espírito, como se fossemos apenas um, em uma totalidade , que nem eu sabia ao certo, o que representava.
O magnetismo daquele olhar, era o mesmo que a luminosidade de mil estrelas dentro do meu coração, que batia mais do que acelerado naquele momento, era amor a primeira vista, e eu nem sabia ao certo, o que era tudo aquilo, todas aquelas sensações em minha pele, no mais intimo do meu ser. Essa foi a minha primeira experiência amorosa, depois dessa, tive muitas outras, sendo que a mais especial delas, foi a que tive com o Lúcifer, meu único e verdadeiro amor, desde que bem, o meu casamento com o Adão não deu certo.
- Quem é você? - Pergunto meio sem jeito; eu nunca o vi antes... E, para te dizer, bem a verdade é a primeira vez que vejo qualquer coisa na minha vida, ou alguém... Nem sei sequer quem sou. até parece que estou acordando pela primeira vez, como uma recém - nascida, palavras vem da minha mente, para os meus lábios, sem que eu saiba como, ou porquê de tudo isso, me perdoe, ao que parece, eu acho que falo demais, tanto que, nem estou te deixando falar direito.
- Então estamos juntos, porque também não sei quem sou; ele sorri meio bobo, ficando ainda mais lindo do que já era - Mas uma coisa posso garantir, você é a criatura mais linda, e perfeita deste mundo, que acabamos de conhecer juntos...
- Quanta audácia a sua Adão dizer isso; diz um homem estranho de pele clara e olhos frios como aço derretido, cheio de soberba e orgulho, e que quase nos observava com nojo, e isso, para não dizer o mínimo dele, as asas dele ainda eram brancas, afinal ele era o portador da luz, mas estavam começando a mudar de cor, como se, de muitas maneiras, Deus soubesse que o seu anjo preferido, estava se corrompendo, ou algo do tipo - Eu sou Lúcifer, portador da luz, além de também, ser o tutor de vocês, humanos; ele disse a última palavra com tanto desdém que senti que ele não gostava de nós; você minha cara; olha para mim - Se chama Lilith, você é uma mulher, parceira desta criatura que esta ao seu lado, Adão, que por ventura é um homem... Vocês foram criados pelo barro, então Deus soprou em vocês através das narinas o espírito que os deu, a vida.
-Agora tudo faz sentido - Adão diz isso, sorrindo - isso explica o porquê, de me sentir tão bem, perto da Lili, a minha mulher, o meu amor - Nós nem sabíamos ao certo, o que era o amor, na realidade - E também, a futura mãe dos meus filhos.
- Também gosto de ficar perto de você - Me aconchego em seus braços, me sentindo amada e protegida, apesar de minha falta de jeito - e mesmo que eu ainda nem imagine, o que seja o amor, esse sentimento estranho, que começa a brotar em meu coração, estando tão perto de você, eu acho que também te amo.
- Chega de tantas palavras doces - Diz o anjo, revirando os seus olhos, de impaciência, muito indiferente, a Adão e eu - E vamos, ao que, de fato, interessa, lhes explicar os seus respectivos papéis neste mundo.
E então ele começou a explicar nossos papeis, naquele mundo tão novo para nós, Adão e eu, e ao mesmo tempo, tão velho para ele, e me incomodou profundamente o fato de que eu teria de ser submetida as vontades de Adão e de um Deus que nunca vi até então, e pelo que o estranho nos disse, era invisível, aos nossos olhos, mas sempre atento as nossas orações. Não sei o porquê deste sentimento de revolta ao saber de meu papel neste mundo, apenas uma companhia sem voz, para um homem, nada além disso. Quase como se, de muitas maneiras, eu me sentisse digna de uma missão maior do que essa, com uma fome de algo, que eu não sabia o que era exatamente, na época, mas que agora sabia, e muito bem, uma fome de propósito, de pertencer a algo, realmente importante. Não apenas como uma parideira de filhos, que certamente, seriam lembrados pelo pai deles, e até mesmo pelas glórias de um Deus invisível, mas nunca por mim, a mãe deles.
E mesmo que, naquele momento, eu estivesse apaixonada pelo Adão, uma parte de mim, ficou mais do que encantada com aquele anjo de asas meio abertas, que nos observava com uma indiferença, tão palpável, como o ar, mas que mesmo assim conseguia ser doce e encantador, ao mesmo tempo, por mais que tentasse ser frio e distante, principalmente para o meu lado, mesmo que eu não tenha dito, ou feito, nada de errado, e nem poderia, sendo que, naquela época, eu não sabia nada sobre a vida em si, afinal de contas, eu tinha acabado de nascer, Tinha a mentalidade de uma criança no corpo de uma adulta, ou quase isso, até onde eu sabia, o que por certo, não era muita coisa.
Mas de uma coisa eu já sabia, eu não gostava nem um pouco de ser submissa a quem quer que fosse, mesmo não me rebelando contra o meu companheiro, e muito menos, contra o Deus que nos criou, a partir do barro, como uma criança um tanto quanto tola e ingénua, eu estava encantada demais com aquele novo mundo cheio de possibilidades e descobertas, para perceber, as reais intenções daquele que se auto - denominava, o portador da luz, e também, o meu guardião. Na verdade, Adão e eu estávamos encantados demais com tudo, principalmente, com nós mesmos, para perceber, ou entender qualquer coisa, que estivesse meio que aéreo, pairando sobre nós dois, como uma nuvem escura, de pura maldade, sempre a nos espreitar, e vigiar, como uma ave de mau agouro