CAP.21

457 Words
VIVIANE Hoje havia marcado de sair com o RD, iríamos comprar meus materiais de faculdade e algumas roupas para mim também. Como não queria dar trabalho para a dona Maria, mãe dele, vamos levar a Manu conosco. Ele chegou aqui mais cedo do que o esperado, ficou com a Manuela enquanto eu terminava de me arrumar. Já havia tomado banho, então, só passei uma maquiagem básica mesmo, vesti um vestido tubinho canelado, coloquei meu relógio, passei perfume e vesti minha rasteirinha. Peguei a bolsa da Manu, já que eu sempre levo tudo e desci as escadas. RD me olhou da cabeça as pés e logo me elogiou. - Tá bonita pra caramba, hein!? - Ele falou sorrindo. - Obrigada Richard! - Falei sem graça. Saímos de casa e eu fechei o portão, entramos no carro e durante o caminho fomos conversando. - Mas me conta, você estuda o quê? - Ele perguntou. - Direito, quero ser advogada criminalista. - Falei logo. - Não acha que é muito perigoso não, princesinha? - Ele perguntou ironizando. - Viver é perigoso, RD. - Respondi. Ele me faz várias perguntas, sobre trabalho, relacionamentos, sobre a Manu, várias mesmo. - Como você e o cara lá se conheceram? - Ele perguntou diretamente. - Eu tinha dezessete anos, a gente se conheceu no ensino médio. - Respondi sendo direta. - E como começou? - Ele perguntou. - Ah... Começou com carinho. Juan era carinhoso, atencioso, fez questão de ir na minha casa oficializar o nosso namoro. - Comecei falando - Nós tínhamos um casamento feliz, sério mesmo, tinha fogo, tinha paixão, só que mudou depois que a Manu nasceu. - Falei. - Ele não queria filhos? - Ele perguntou. - Muito pelo o contrário, ele queria, só que queria menino. - Falei. - Mas eu não, eu queria menina, era meu sonho... Ele queria que eu me arrependesse da minha filha, e eu não me arrependia. - Continuei falando. - Quando começou as agressões? - Ele perguntou. Abaixei o olhar com vergonha... - Se não quiser responder, não precisa! - Ele falou percebendo meu desconforto. - As agressões começaram quando eu ainda estava no puerpério, no resguardo da gestação. Eu não podia ter relações sexuais e ele queria, aí me agredia. Mas só piorou mesmo quando eu saí do resguardo, na cabeça dele eu devia a todo custo ter relação e eu, não. - Respondi a pergunta com dor, me lembrando de tudo. - Me desculpa se te constrangi, ele ainda está vivo, caso queira vê-lo, me avisa. É confuso, mas eu entendo que ele continua sendo pai da sua filha. - Ele respondeu. O RD parece muito ser gente boa, é bom tê-lo por perto. E não, por agora, não quero vê-lo.
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