CÁSSIA
Olhei para Sérgio surpresa, depois de tanto tempo em paz, a princesinha dele voltou para nos infernizar.
Viviane foi a que mais me deu trabalho dos três filhos, sempre muito mimada, sempre cercada deles e eu, ficava de lado. Nunca quis ter filhos, mas na minha família tudo é competição. E o Sérgio queria quatro filhos, duas meninas e dois meninos. Juntos tivemos quatro filhos. Dois meninos, primeiro Vicente, depois Vitor Hugo e por último, duas meninas, gêmeas.
Vanessa e Viviane.
A gestação foi perfeita, tudo ocorreu perfeitamente bem. Mas no dia do parto, não consegui passar pelo o parto normal e tive que ir pra cesárea. Viviane nasceu bem, perfeita, com saúde. Vanessa nasceu com problemas respiratórios e não aguentou, faleceu duas horas depois do parto. Desde então, Viviane foi amada, mimada e cuidada pelos homens dessa casa, como se estivessem suprindo a falta de Vanessa nela.
Mas eu, não!
Eu fiquei cada vez mais solitária, mais c***l com ela. Enquanto ela crescia, mais amargurada eu ficava. Meus filhos são meus orgulhos, mas ela, não. Viviane engravidou cedo, casou cedo e foi viver a vida longe. Por cinco anos vivemos em paz, claro, com Sérgio a cada dia falando dela e dessa menina h******l que ela teve. Mas estávamos bem, sem ela.
Sai do quarto dela e enquanto Sérgio ficava lá, paparicando ela, eu liguei para o Juan. Ele demorou a atender, mas atendeu e quando atendeu xingou, xingou muito.
Eu sabia que ela havia dado trabalho.
Assim que terminamos a ligação, Sérgio entrou no quarto.
- Você devia ser menos dura com ela, Cássia! - Ele já entrou falando.
- E você devia ser menos banana! Ela sempre volta com problemas, Sérgio. - Falei rindo em ironia.
- Dessa vez, não! Viviane é nossa filha, nós temos que acolher! - Ele gritou comigo.
- E quem vai nos acolher? Ela esfaqueou o marido, você sabia? E se ele denunciar ela? E se nós formos presos juntos? - Questionei jogando tudo na cara dele.
Foi nítido a surpresa, mas nada ele falou.
- Ele também te contou que ele batia nela? - Ele perguntou saindo do quarto.
- Onde você vai? - Perguntei.
- Vou dormir na sala, longe de você! - Ele falou já batendo a porta.
Sempre problemas, Viviane é problema!