SÉRGIO
Cheguei em casa para o almoço e a casa estava em um silêncio ensurdecedor. Deixei minha pasta e o palitó em cima do sofá, segui subindo as escadas e quando entrei no quarto da Vivi, ela não estava. Nem ela e nem a Manuzinha, nada delas. Corri até meu quarto e Cássia estava sentada na cama, mexendo no celular.
- Onde está nossa filha? - Perguntei.
- O marido dela veio buscar ela, disse que precisava se entender com ela e ela foi. - Ela falou calma.
Alguma coisa não estava batendo, ontem minha filha pede abrigo na minha casa toda machucada, se escondendo do marido. E hoje minha filha sai de casa com ele por conta própria?
Apenas concordei e fui tomar banho, mas eu sabia que algo estava errado. Fiquei um bom tempo no banheiro e quando sai, Cássia havia adormecido.
Nós nunca mexemos no celular um do outro, mas nesse momento, nesse momento eu sentia no meu peito que precisava olhar. Havia várias ligações do Juan, várias mensagens, ela havia entregado a Viviane.
Me recusei a acreditar.
Vesti a primeira roupa que vi pela frente e acordei ela balançando, com brutalidade mesmo.
- Como você foi capaz? - Gritei perguntando.
Eu nunca desrespeitei a minha mulher, tivemos quatro filhos, dois meninos que se tornaram grandes homens e duas meninas, infelizmente uma faleceu e eu sempre respeitei a dor dela. Mas isso jamais justificava essa raiva dela pela Viviane, era nossa filha. Por anos eu tento entender, amenizar, mas chega!
- Não grita comigo, Sérgio! - Ela levantou aos berros - Eu fiz o que era certo, ela é casada, tem filha, precisa ficar com o marido! - Ela falou.
- Você ficaria com alguém que te agride, Cássia!? - Perguntei.
A raiva queimava em meu coração.
- Foi escolha dela! - Ela gritou.
- O caráter não vem escrito na testa, Cássia! - Falei tentando me acalmar.
- Ele ama ela! Um casal precisa ficar juntos, Viviane sempre foi problema! - Ela falou me olhando, havia raiva, desprezo em seu olhar.
- Não! - Gritei apontando o dedo pra ela. - Viviane nunca foi o problema! O problema sempre foi você! Seu desprezo, seu caráter r**m, sua índole sim, sempre foi o problema! Vanessa morreu, mas Viviane sempre esteve aqui, sempre! Pedindo, implorando por atenção, carinho, e você sempre desprezando. Você virou as costas pra Viviane, e eu sempre tentei entender! - Gritei. - Mas presta bem atenção no que eu vou te dizer... - pausei, respirando fundo. - Nós perdemos uma filha, se eu perder mais uma por conta do seu rancor, eu juro por tudo que é mais sagrado, que eu te mato! - Gritei olhando bem fundo nos olhos dela e sai do quarto.
Aqui o casamento acabou.