VIVIANE
Ao perceber que ele demoraria eu tomei um banho, vesti o pijama de sempre e me deitei, olhando a babá eletrônica. Coloquei ela apoiada no travesseiro e dormi assim, olhando minha filha. Com oito meses Juan me proibiu de dormir com ela, eu confesso que sofro demais. No início Manuela só sabia chorar, sofria assim como eu. Mas tive que me acostumar.
Fechei os olhos e dormi em um sono profundo, sonhando com pares de aliança.
Mas isso não passou de um sonho, pois senti mãos agarrando meus cabelos na violência...
- Você atrapalha minha vida, você é um encosto, uma péssima mulher! - Gritava ele me jogando na parede enquanto me chutava.
- Para com isso, me larga! - Gritei enquanto tentava me soltar.
- Eu não consigo, não consigo me soltar de você! Mas eu te odeio, eu te odeio! - Ele gritava, desferindo tapas em meu rosto, chutes e pisando nos meus pés.
- Me larga! - Gritei empurrando ele sobre a cama, com rapidez peguei o vaso de plantas e joguei na cabeça dele.
Na hora, Juan ficou tonto, mas correu atrás de mim. Corri até a cozinha e ele me chutou, me fazendo cair no chão.
- Você vai me pagar agora! - Ele berrava abaixando suas calças.
- Não, não, eu não quero! - Eu gritava sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
- Você vai me pagar, você atrapalhou tudo! - Ele continuava gritando dando tapas e socos no meu rosto.
Levantei os joelhos desferindo um golpe nele, fazendo ele perder as forças e sair de cima de mim. Peguei uma faca que estava sobre a pia da cozinha e desferi dois golpes nele.
E ele caiu.
Caiu no chão olhando os cortes sangrando, enquanto me xingava, até ele apagar.
Não perdi tempo, corri até meu quarto e juntei várias roupas na minha bolsa grande. Corri até o quarto da neném, coloquei ela no canguru e juntei roupas, brinquedos, tudo dela.
Abri a porta do apartamento e desci daquele jeito mesmo, cheia de sangue, toda machucada e com uma única promessa.
Que nunca mais eu voltava.