DEISE
Sempre pela manhã, eu gosto de fazer uma análise de toda a minha vida. É uma espécie de filme de tudo que vivi, isso sempre me dá força para não fraquejar e ceder diante dos acontecimentos. Eu simplesmente lembro como era a minha vida nas ruas de Salvador, sem ter um pão velho para poder matar a minha fome, ou passar dias e dias sem beber água porque sua mãe era uma maldita drogada e irresponsável. Eu diariamente dobro os meus joelhos no chão e agradeço pelo que sou hoje e pelas pessoas que entraram na minha vida sem que eu pedisse, mas mesmo assim quisesse, minha família de verdade. E estou me sentindo malditamente culpada por não ter feito isso hoje devido a pressa.
- Senhorita Duarte? - Me concentro no homem ao meu lado, cujo tem o olhar enigmática em mim.
- Sim, senhor. Deseja algo? - Questiono apertando o iPad contra o peito.
Anderson aponta a pequena sala do café e eu deixo escapar um sorriso. Como sempre, ele me permite ir na frente como um completo cavalheiro; ambas as mãos no bolso do terno, o cabelo um pouco desalinhado, e, uma coisa que o deixou bastante sexy foi não usar gravata, falando assim até parece que eu o conheço, mas não, eu simplesmente sou boa em prestar atenção em homens que acho sexy.
Anderson é alto, forte e tem um ar bastante sério, o cabelo é de um tom de loiro escuro fazendo qualquer um ter uma vontade - por mínima que seja - de meter os dedos entre eles e sentir a maciez dos fios. Olhos, malditos olhos... Eu não vou negar que sempre fui perdida em um n***o de dois metros e bem forte, mas de uns tempos pra cá a vida vem me mostrando as variedades de homens que eu possa vim a me interessar. Bom, voltando a falar dos olhos, ele é de um azul meio termo; nem claro e muito menos escuro. A barba não tão cheia dá para ver perfeitamente o formato do seu rosto, eu o intitularia Anderson agora como um Deus, daqueles que só de falar faz você molhar a calcinha e essa voz minha nossa senhora, parece uma trovão de tão grave e estrondosa.
E eu duvido se quando ele entrou pela porta a maioria das mulheres aqui não babaram, principalmente na bundinha redonda, porque se tem algo que eu gosto é de ver volume na frente e atrás. Amo apertar.
- Eu espero não está atrapalhando seu devaneio mas eu quero um café. - Balança o copinho descartável sorrindo de lado feito um maldito desgraçado.
Temos aqui um soldado ferido.
Balanço a cabeça tentando me situar.
- O quê disse?
- O café Senhorita Duarte. - Fala com um tom de voz divertido, então lhe dou espaço dando um passo para o lado levando o copo aos meus lábios. - Então, a quanto tempo trabalha aqui?
- Quase quatro anos. - Sento em uma das cadeiras disponíveis, passo uma perna por cima da outra cruzando-as e continuo o olhando enquanto.
- Bastante tempo. - Salienta e vejo quando o maldito se senta e olha diretamente para as minhas pernas, demorando consideravelmente. - É... então você será minha assistente. - Não é uma pergunta. Ele coça a garganta levando a mão a ela e passando os dedos de leve.
- Sim, irei auxiliá-lo, acompanha-lo quando necessário, ficar a par de todos os seus compromissos entre outras coisas.
- É o que uma AP faz. - Conclui ironico- Posso fazer uma pergunta pessoal? - Questiona direto e eu me pergunto o que ele poderia me perguntar já que não me conhece.
- Pode e eu verei se posso ou não respondê-lo senhor Bragança. - Término o café, levanto pisando no pedal da lixeira; o que faz a maldita tampa subir e eu jogar o copo, e nesse instante ele faz a pergunta.
- Tem namorado ou é casada? - E sua pergunta me surpreende.
- Não para ambas.
- Se incomoda de falar o porquê? - Agora meu olhar é de uma pessoa que está de TPM e perdendo a calma consideravelmente.
- Me desculpa a indelicadeza senhor mas não vou lhe responder isso. - Meu tom de voz é duro enquanto caminho para perto dele e pego o iPad que estava em suas mãos.
- Me desculpe se fui indelicado e qualquer merda que seja, apenas fiquei curioso sobre você, você malha?
E eu me estresso de vez.
- Eu tenho cara de quem malha?
- Perdoe senhorita. - Caminha em direção a porta, parando em seguida. - Tome um chá, lhe espero aqui fora.
- Tome um chá - o imito, ajeitando minha postura antes de me por a caminhar - Cavalheiro de Taubaté.
Preciso lembrar de começar a por o spray de pimenta na bolsa outra vez, vai que ele é um chefe tarado e pervertido. Eu acabei de conhecer ao quê? Dez minutos? E já vem querendo saber se eu sou casada... Sou casada sim, sou casada com o meu soco inglês no meio da sua cara filho da mãe.
Respiro fundo antes de sair e vê-lo encostado na parede mexendo no celular.

-Ele é um gato. - Verena diz pela décima vez e eu suspiro - Quando ele saiu que olhou para mim e piscou aquele olho do demônio, eu juro por tudo que é mais sagrado que eu quase desisntegrei.
E agora sim eu sou obrigada a dar risada.
- A primeira impressão é a que fica não é mesmo? Vamos pedir para isso não ser verdade. - murmuro levando uma batata frita ate a boca e lembrando das perguntas.
Logo depois de mostrar a empresa e explicar algumas coisas, Senhor Anderson me liberou mais cedo e disse que eu poderia tirar o resto do dia de folga, e é claro que eu quase pulei no seu pescoço por isso, mas lembrei que já não gosto dele fiz a linha recatada e o agradeci vindo diretamente comer na minha lanchonete favorita, que fica justamente em frente a empresa, eu não chamaria de lanchonete porque tudo que você quiser encontra aqui.
Verena já tinha saído já que não poderia demorar muito fora da recepção. Estava levantando quando uma mão em meu ombro me faz parar e ficar em alerta.
- Relaxa, sou só eu. - E eu sorriso quando Alberto senta a minha frente, esse malditos pircins me mata toda vez que vejo. Delícia - Você já comeu? - questiona ao chamar a garçonete. - Posso pedir uma salada pra gente, - e eu quase faço uma careta - o que você acha?
- Não dá, - olho meu celular - está quase na hora de ir buscar a minha prima - levanto querendo fugir da maldita salada, nada contra, mas não vou comer folhas no c*****o da minha TPM, ai é querer me fazer sofrer.
- Então sai comigo no fim de semana. - Pede segurando minha bolsa. - Qualquer coisa que você quiser eu topo, a gente toma um açaí. - E ele parece desesperado, o que me faz querer ri.
- Eu amo açaí.
Ao dizer isso, caminho em direção a saída. Não sem antes ver o seu fodido sorriso que eu chamo de p**a que pariu.