Victor
Foi decepcionante não conseguir uma resposta de Jenny sobre o sumiço dela bem na hora da minha festa de aniversário.
Não que eu me importasse com a festa, era só uma desculpa pra vê-la.
O que me preocupava era que Jenny estava muito estranha. E eu iria descobrir o motivo.
Não aguentei esperar até o dia seguinte e bati na janela de Jenny às três da madrugada.
Jenny
-Oi estranha.
Eu quase tive um treco com o Victor lá me encarando na porta da garagem.
-Qual foi? Você quase me matou de susto mano!
-Então estamos quites. Porque você me deu um bolo.
Ele sorriu e se encostou ao carro.
Está jogando charme como sempre.
-Victor..na boa, eu tô quebrada, o meu dia foi tenso. Preciso dormir.
-Tudo bem, mas, antes, você precisa me dar um bom motivo pra ter faltado a festa do século.
Ele disse com ar de riso.
Eu revirei os olhos.
E ele sorriu novamente.
-Entendi. Ele disse caminhando pra fora da garagem.
-Mas, amanhã você não me escapa Jenny Simons. Precisamos conversar.
-Eu senti saudades disso. Ele disse antes de se despedir.
-Eu também. Respondi.
Eu sentia falta da nossa amizade..de como um entendia o que o outro queria dizer, mesmo que ninguém dissesse uma palavra.
Tentei esquecer a barra que aquele dia tinha sido, e fui descansar, no dia seguinte eu iria disputar no primeiro torneio de skate da cidade... " Da parte menos privilegiada da cidade" é claro.
Era uma pena ser no mesmo dia em que Victor começaria seu emprego como locutor na rádio de Fetmancity.
Victor
Eu sei que tem algo errado Jenny, você sabe que pode me contar qualquer coisa, sou o seu melhor amigo, mesmo que eu pise na bola, pode confiar em mim.
Ela queria contar, queria abrir o coração, mas, como Jenny contaria que uma de suas maiores angústias era estar apaixonada por seu melhor amigo? Melhor ficar calada.
-Tudo bem Victor, tô de boa, não tenho nada pra contar.
Victor estreitou os olhos.
-Eu te conheço Jenny Simons. O que tá pegando?
Jenny sorriu ao ouvir Victor usar a mesma linguagem que ela.
Ela não poderia contar sobre ele..mas, poderia contar sobre o terrível dia que ela e sua mãe haviam tido.
- Tá legal, você venceu.
Ela disse.
Ele sorriu e se aproximou.
-Me conta. Disse Victor, atento a ela.
- Ontem, minha mãe descobriu tudo sobre a Morte de papai.
Ela suspirou antes de continuar.
- Não acredito..ela sabe da carta?
Ele perguntou.
-Sim. Foi a primeira coisa que ela encontrou..ela leu e me jogou na parede... aí eu tive que mandar a real pra ela..e ela insistiu pra gente ir falar com o médico do papai..por isso não fomos a sua festa.. foi um dia tenso.
Victor não sabia como fazer com que Jenny se sentisse melhor.
E instintivamente a abraçou.
Péssima ideia.
-Qual foi? Jenny deu um salto.
-Tá me tirando cara? Quem mandou me tocar?
Victor não sabia se deveria ficar assustado, ou pedir pra que ela traduzisse, ele nunca tinha visto Jenny tão irritada.. talvez a palavra nem fosse irritada, mas, sim assustada.
-Qual o problema de um abraço Jenny?
Ela o encarava desconfiada.
- Os abraços costumam vir acompanhados..de mãos
- De mãos? Como assim Jenny?
Ele perguntou.
-De mãos bobas. Ela afirmou.
Victor não pôde conter a risada.
-Calma aí Jenny, eu não pretendia nada além do abraço. Ele mentiu.
Ela franziu o cenho.
-Sei. Mas, de qualquer forma, não sou a maior fã dos abraços. Ela acrescentou.
-Ah é, então, você não é fã de abraços.. nem de mãos.. mas, e de beijos, de beijos você gosta?
Ele não resistiu, precisava entrar naquele assunto, mesmo que Jenny ameaçasse socá-lo..ele precisava tentar.
Jenny ficou calada.
-Jenny.. você me ouviu?
Ele perguntou.
Ela preferia não ter ouvido..o que ele estava pensando? Queria brincar com ela?
-Não, eu não sou fã de beijos. Beijos são pra pessoas sentimentais, fracas.
Ela afirmou.
-Tem certeza?
Victor sorriu e se aproximou.. Jenny estranhou o olhar dele, estava diferente..e ele estava próximo demais.
-Eu acho que beijos são para os apaixonados.. e tem que ser muito forte para se demonstrar o que sente..e para encontrar a pessoa certa para beijar também...
Ele continuava se aproximando e. Jenny tentava afastar-se até que suas costas encontraram a parede.
Perfeito ela estava encurralada, e Victor estava com cara de doido.
-Epa! Já tá perto demais, assim até o ar vai ser pouco num espaço tão pequeno. Você tá perto demais cara.
Ela alertou, mas, ele não ligou.
-Eu vou beijar você Jenny Simons ele avisou..
Jenny se desesperou.
Victor se aproximou..e Jenny fez o que sabia fazer tão bem quanto andar de skate.
Defesa pessoal.
Bastou uma joelhada. Pra que Vitor fizesse um escândalo.
-Que isso Você tá maluca Jenny? Ele disse se contorcendo.
-Eu não, você que tá locão tentando me beijar assim do nada.
Victor encostou-se a parede com semblante sério.
-Ainda tá doendo muito?
Ela perguntou preocupada.
-Não mais do que o meu orgulho, Victor sussurrou.
Jenny sorriu e o ajudou a levantar-se.
-Do que você tem medo Jenny?
Victor perguntou.
-Medo? Eu não tenho medo de nada! Ela afirmou.
Ele sorriu. - De nada? Então porque você fugiu do meu beijo, quando nós dois sabemos que você também queria me beijar ?
-Eu? Te beijar? Ah não viaja, eu quase te aleijei e você diz que eu queria te beijar.
-Sim, você queria Jenny. Confessa que você sente o mesmo que eu.
Confessa que tá apaixonada por mim.
-Nossa que viagem mano! Eu, apaixonada? Não tem mais nada pra inventar?
-Tem certeza Jenny? Você não sente nada por mim? Não gosta mais do que deveria Jenny?
-Impressão sua. Ela argumentou e revirou os olhos.
-E você também não tem medo de demonstrar o que sente Jenny?
-Não! Eu já disse que não tenho medo de nada...eu só não acredito nessa história de amor...era tudo muito bonito, até que meu pai morreu, e eu deixei de acreditar no tal do amor.
O amor só me fez sofrer..
Eu não quero ser rejeitada.
Porque todas pessoas que eu amo, me abandonam.
-Eu não quero passar por isso, não quero viver isso novamente.
E eu sei que amor, é provavelmente uma bobagem.
Você tá vendo.
Os seu pais mesmo, prometeram se amar pra sempre, e agora, estão quebrando a promessa que fizeram perante Deus.
É isso, o amor, sempre abandona.
E eu não quero um amor assim.
-O amor não é sempre assim Jenny. Disse Victor
-O amor também perdoa, pede perdão e crê em milagres.
Não devemos basear o nosso sentimento, nas relações que dão errado.
-Você precisa se entregar, deixar rolar, não pode viver com medo.
Jenny ergueu uma das sobrancelhas e me encarou.
-Eu não tenho medo de nada, já é milésima vez que eu digo.
Ele precisava aproveitar a oportunidade.
-Ah é? Você não tem medo de nada é?
-Não.
Ela se manteve firme.
Ele sentiu vontade de beijá-la naquele instante...mas não arriscaria outra joelhada, ela precisava estar pronta.
-Então está bem Jenny Marry Simons eu duvido que você aceite o desafio que eu vou te propôr...
-Desafio? Que desafio?
Ele sorriu e saiu em silêncio..
-Ei Victor, volta aqui, que desafio? Ou vai me deixar na curiosidade?