Victor
Eu já estava cansado das discussões diárias dos meus pais..
Fui a casa de Jenny apenas com a roupa do corpo, ela não se importaria em me abrigar, afinal nós éramos parceiros.
Fui para pedir abrigo por um tempo até que meus pais terminassem as discussões, mas.. talvez não fosse uma boa hora..
Jenny me recebeu de maneira estranha...
Era a mesma Jenny, mas, estava diferente, usava maquiagem, estava com um perfume diferente, usava vestido, e tinha penteado o cabelo.
Estava bonita, mas...não parecia natural e angelical como a minha Jenny.
--Olá, o que você fez com a Jenny? Brinquei..
Jenny sorriu sem graça, parecia
Preocupada com algo.
Ela perguntou o que eu achava do seu novo estilo, e eu fui um verdadeiro i****a.
---O que você achou?
---Sinceramente, você parece uma dessas patricinhas desmioladas da nossa escola.
(não foi o que eu quis dizer, mas saiu, Cara! Aquela foi a frase
mais i****a da minha vida.)
Jenny me lançou um olhar furioso.
Tentei consertar.
---O que aconteceu com o seu jeans, e o estilo moleque?Eu prefiro o seu cabelo do jeito antigo...
Ei..Espera.. Isso aí na sua cara é maquiagem?
Quanto mais eu falava, mais Jenny se enfurecia, mas daquela vez seus olhos tinham um brilho diferente, um mistério.
Jenny, me deu um dos seus melhores pontapés, e bateu a porta.
Minha alternativa foi voltar pra casa.
Meus pais continuavam a discutir, fui para meu quarto, coloquei meus fones, e pensei em tudo o que havia acontecido, as discussões dos meus pais, o comportamento de Jenny, o meu medo de demonstrar o que sinto, eu precisava resolver minha vida.
Resolvi esperar um tempo até que Jenny se acalmasse, para dizer o que eu sentia.
Na verdade, eu era um covarde, Jenny, era linda, e estava perfeita como sempre, ela não precisaria de artifícios para ficar mais bela.
Jenny era completa, e eu a amava por isso, ela era bela nos sentimentos, tinha um coração enorme, e não tinha medo de se expressar.
Jenny
Quem dera eu fosse tão habilidosa demonstrando meus sentimentos, como eu era manobrando meu skate.
Já faziam dez meses que eu era a melhor amiga do Victor, e eu entendia a "bipolaridade," de Victor.
Ele agia de maneiras estranhas, porque inconscientemente queria receber atenção da família.
Juntos superamos esse problema, agora ele não precisava ter a atenção de mais ninguém, ele tinha a minha, e era só dele.
Acabei me tornando a melhor amiga de Victor, a confidente.
Mas a cada dia que passava, era quase impossível disfarçar,minha Paixão por Victor.
Ele me contava todas as suas angústias, e eu o apoiava, eu o ajudava com as namoradas, e ele tentava me arranjar um cara, mas nenhum me agradava, e eu não agradava a muitos, afinal, eu não era a bonequinha de luxo delicada, e enfeitada que todos queriam, uma garota como eu assustava os rapazes, o único que aceitava minha maneira de ser era Victor.
Em uma noite conversando com mamãe, decidi, que faria uma mudança no visual, ela disse que a mudança duraria até quando eu pudesse suportar.
Talvez fosse bom, assim eu não me sentiria tão inferior as menininhas com quem Victor ficava.
No dia seguinte, segui toda a minha rotina, escola, casa e mudança, fizemos uma pá de compras de roupas e sapatos de mulherzinha, mamãe também comprou maquiagem, uma chapinha.
Foi uma longa tarde, mas a mudança foi completa e radical.
Colori as unhas, botei um vestido, fiz chapinha, passei maquiagem, e comecei a tentar usar salto.
Pronto eu era uma palhaça pronta pro show.
Eu me senti igual a uma marmota, até que mamãe me deu um espelho.
Não era possível, não podia ser eu, eu fiquei de cara, me senti uma princesa dos contos de fadas bobos que mamãe amava.
É, eu tinha mudado. achei até que ficou da hora, e naquela mesma hora a campainha resolveu tocar.
Corri para abrir a porta como a nova Jenny. A Jenny 2.0.
Quando eu abri a porta senti minhas pernas tremerem, meu coração dava saltos, todo o meu corpo se comportou de um jeito loco, comecei a sentir umas paradas que eu não sentia antes, parecia que eu ia ter um piripaque.
Victor estava lá, moscando, me encarando, observando cada detalhe, minha roupa, o cabelo, a maquiagem, ele não dizia nada, só me olhava.
Eu me sentia como um cãozinho esperando pra ser adotado, sendo observada por aqueles enormes e lindos olhos verdes, que faziam todo o meu corpo pirar.
Tomei coragem para perguntar, o que ele achava.
O cara foi um nóia, todo frio, um Robô, eu nem reconheci o cara direito.
Me comparou a uma das patricinhas desmioladas da escola, e depois debochou do meu estilo, me chamando de moleque.
Senti as lágrimas querendo descer, meu coração deu perda total, cara, foi a maior decepção de todas.
Eu nunca tinha sentido uma parada daquelas, era tipo uma angústia, saber que o cara por quem eu tava com os quatro pneus arriados, não tava nem aí pro meu banho de loja,
Pô, eu tinha feito a maior força pra ficar na beca, e ele debochou de mim. Me tirou de otária, ele com certeza não tava mais na minha, talvez ele estivesse mesmo afim da tal da Paige. Aquela ... aquela... Garota ponta firme, nem xingar ela eu conseguia, a mina era firmeza, ela só não era firmeza pra ele. Eu era firmeza pra ele..mas acho que ele não tava na mesma vibe.
Pro Victor, eu era um cara, um moleque.
Fiz a maior força pra segurar as lágrimas que tavam fazendo uma piscina nos meus olhos.
Eu não queria que ninguém me visse chorar, Victor não teria o gosto de me ver chorar feito mulherzinha.
Num Instinto chutei a perna dele
e fugi pra dentro de casa, me sentindo vingada.
---Agora sim!
Ele também ia sentir dor.
Meu coração não ia doer sozinho.
Que tonta eu fui, assim que eu fechei a porta atrás de mim, as lágrimas rolaram quente no meu rosto, eu entendi que aquela dor no meu peito não curaria logo.
Eu odiei Victor por me fazer chorar feito uma mulherzinha.
Eu nunca tinha sofrido por muito tempo, as dores sempre passavam.
A morte de papai me fez sofrer de mais, me quebrou, mas passou, porque eu sabia que
ele me amava, e não queria me deixar.
Mas e o Victor?
Com ele a maldita dor não queria passar.
Uma semana já havia se passado, e eu não conseguia deixar de e sentir aquela dorzinha aguda, que fisgava todas as vezes que os olhos dele iam de encontro ao meu.
Durante toda aquela semana Eu não me dirigi a Victor, e ele também não se aproximou.
Era um enorme sacrifício, estar perto dele, e não poder ouvir sua voz, aquela voz rouca, que me deixava tonta, não poder ouvir as piadas de Nerd, que ele sempre tentava me explicar.
Era um saco ficar longe do meu engomadinho, meu coração dizia: "Se joga" "Beija ele Jenny" mas, a minha cabeça, tava dando r**m, sempre dizia o contrário. Minha cabeça dizia: "Fica de boa Jenny" " Segura essa onda, não se joga não" E eu obedecia a minha cabeça né? Eu nunca chegaria aos pés da patriçada toda que andava atrás do meu engomadinho.
Eu não tinha o que esperar, Victor não se aproximaria, ele devia estar aliviado por eu me afastar, afinal, eu sempre atrapalhei os relacionamentos dele.
Porque as namoradas do Victor me consideravam uma ameaça.
Eu não ia me jogar, tava decidido!
Eu tinha que segurar a minha onda e ficar de boa, a dor ia passar, sempre passava.