Pov Camila Cabello
Durante todo o tempo em que eu estivesse por aí, rodando qualquer lugar do mundo, conhecendo novas origens, novas pessoas, novas crenças, novas culturas e vivendo cada dia como se eles fossem segundos, cada ano como se fosse apenas um dia, cada década como se fossem um ano e cada milênio como se fossem apenas dez anos.. Eu nunca me importei com o quão rápido o tempo poderia passar, até o momento em que Lauren colocou os olhos naquele pequeno ser e disse "Ela será nossa, Camz!". E desde então, eu nunca senti tanto medo de quão rápido o tempo poderia passar tanto para mim, quanto para ela e qualquer um que fizesse parte da nossa família.
Depois do aniversário de um ano de Alice, ela pareceu se desenvolver cada vez mais rápido e Lauren quase surtou com isso. Assim que as palavras ficavam mais claras em sua pequena boquinha rosada, ela não sabia como parar de pronúncia-las e repetia qualquer coisa que seus ouvidos fossem capazes de captar. Isso fez com que todos nós ficassemos em alertas com Dinah e sua grande boca suja.
— p**a QUE PARIU, ELE ROUBOU NA CARA DURA. — Ela berrou fazendo minha menina que estava no meu colo dar um salto assustada.
Lauren arremessou a bola de beisebol com força na cabeça dela.
— c*****o, Laur... Isso dói! — Dinah passou a mão no lado da sua cabeça tentando aliviar a dor que a bola arremessada causou.
— A intenção era pra fazer atravessar sua cabeça pra ver se você cala essa boca. Não nota que minha filha consegue ouvir esses seus berros? — Lauren disse impaciente.
— Se eu ouvir Alie, repetir alguma dessas palavras, eu juro que Normani vai precisar se satisfazer com outra pessoa já que eu mesma farei questão de quebrar todos os seus dedos e arrancar sua língua fora! — Ameacei um pouco mais baixo.
Alie havia se tornado uma verdadeira admiradora e sempre estava atenta aos pequenos detalhes.
— Quem te disse que é Dinah quem faz as coisas? — Mani disse do outro lado do campo, ela estava com um boné em sua cabeça e um teco de beisebol em mãos e sobre o ombro. — Dinah é só tamanho, babe. Quem não conhece que lhe compre... — Desdenhou e eu vi Dinah querer morrer na nossa frente.
Todos, e ao dizer todos, eu incluí Alie, começaram a rir das feições constrangida de Dinah.
— Eu sempre soube que era passiva. — Nate disse olhando as unhas, ele estava ao lado de Leah que mesmo querendo ficar séria, não conseguia. — Não n**a mesmo esse corpo que tem...
— Pirralho, tu me respeite. Eu sou tua tia! — Dinah disse tentando se livrar da conversa de antes. — E outra, vocês vieram aqui pra jogar ou falar do meu desempenho s****l com Mani? Porque ao que eu saiba, ela não reclama e sempre adora quando eu...
— Pelo amor, eu não preciso saber sobre isso! — Clara disse de uma vez.
Ela também estava ali para ver ao jogo dos filhos. Era um final de semana em família, mas eu agradeci por Chris estar viajando com Claire... Se ele estivesse ali, tenho certeza de que Dinah não teria sossego pelo resto de sua eternidade. Ally e Troy estavam aproveitando a casa sozinha e eu não queria nem chegar perto de lá.
— Mãe, me deixe ficar algum tempo com essa gracinha? — Taylor me pediu e Alie assim que notou a irmã logo se animou, ela gostava de estar com Taylor. — Você está com saudades da mana, é?
— Xim. — Alie respondeu sorrindo.
Eu senti meu coração derreter mesmo sabendo que a palavra estava errada.
— Vamos, Seth. Vamos levar essa gatinha pra dar uma volta. — Taylor olhou para o esposo e suspirou um pouco, eu sabia que ela também sentia falta de Sofi e Shawn ali. — Vocês podem ficar e continuar o jogo, Seth e eu iremos pra casa, irei ligar para Sofi. Nós precisamos conversar alguma coisa e não quero que vocês estejam presentes. — Com o passar dos anos, minhas gêmeas ficaram como unha e carne, o ressentimento parecia não existir uma vez que as duas se esforçavam para esquecer tudo o que aconteceu. Agora viviam juntas trocando mil e um segredos da forma que eu sempre imaginei. Saber que elas estavam incluindo Alie que ainda era um bebê me deixou mais tranquila e com corações saindo dos meus olhos. Então eu sabia que Taylor iria fazer uma vídeo chamada com Sofi para que ela pudesse ver o desenvolvimento de Alie como costumava fazer antes de tudo acontecer.
— Devo me preocupar com isso? — Lauren perguntou parando em segundos do meu lado. Alice se assustou mas quando viu a mãe ao meu lado sorriu para ela. — Porque não consigo ler a mente de vocês?
Lauren sempre se irritava com o fato de não conseguir saber o que as pessoas estavam pensando.
— Porque como disse... É algo sobre não ser à respeito de você, mãe. — Taylor disse à Lo que revirou os olhos. — Coisas nossas e vocês duas não deveriam se envolver tanto.
Olhei torto para Taylor que nem notou já que estava tentando soltar seu cordão das mãozinhas pequena de Alice.
— Eu nem falei nada! — Me defendi.
— Mas nós conhecemos você, mãe. — Tay disse. — Sempre vai dar um jeito de conseguir as coisas que quer.
E ela tinha razão.
Semicerrei os olhos para as duas.
— Espero que cuidem de Alice e troquem sua fralda. Ela vai precisar. — Respondi e vi Seth fazer uma careta, Tay deu de ombros, sempre que ela estava por perto me ajudava a cuidar de Alice e eu ficava grata por isso.
Eu vi Seth pegar a manta e cobrir Alice toda e Taylor praticamente juntou o pequeno corpo ao seu, como vestia uma blusa quase 4x maior do que o seu corpo, Alice rapidamente estava dentro dela ainda enrolada na manta e se debatendo toda tentando se soltar, segundos depois elas já não estavam mais ali.
— Acho que nós finalmente teremos aquela conversa. — Lauren comentou comigo olhando para o mesmo lugar que nossas filhas sumiram.
Respirei fundo, eu sabia que ela tinha razão.
— Vamos sim... Mas por hora, preciso descobrir o que eles estão aprontando. — Respondi e rapidamente nossos olhos foram parar em uma baixinha loirinha que vinha da floresta brincando com um poste, vulgo, Troy.
— Não olhem pra mim. — Ally disse com desdém. — Vocês não conseguiram arrancar nada da minha boca!
E eu logo soube que mesmo que eu tentasse, Allyson continuaria com a mesma opinião.
— Maldita gnomo! — Lauren disse do meu lado. — Malditos hinos nacionais estúpidos!
Acabei gargalhando ao entender o motivo de sua fúria repentina.
O tempo havia mudado drasticamente, talvez fosse pelo inverno chegando de uma forma bastante c***l, eu ainda não conseguia sentir a intensidade do frio, mas sabia que Alice poderia e isso seria muito r**m.
Nossos últimos natais vividos entre família quase não existiam. Exceto desde sua chegada, nós nos esforçamos sempre para que ela tenha essas pequenas lembranças ou flashs futuramente. Essas coisas faziam parte na construção de um ser humano e eu sabia que em um momento de sua vida, elas seriam importantes por mais esquecidas que tivessem.
Aquele natal parecia que seria diferente de todos, uma vez que Alice já andava com passinhos por toda a casa fazendo com que Clara, Lauren e eu andássemos mais alertas do que o normal com a presença de coisas pequenas, fáceis de serem engolidas e tomadas elétricas onde Alie fazia questão de por seu pequeno dedo indicador.
Ela quase tomou um choque estando sobre os cuidados de Dinah que ao olhar para a TV apenas para ver a fofoca sobre a cantora que ela gostava acabou se distraindo da pequena que foi aos trancos e barrancos até os eletrodomésticos e bem, se Nate não chegasse a tempo, Dinah seria uma mulher sem dedos agora.
Lá fora a neve caia aos poucos, Alice estava toda empacotada dos pés a cabeça com as roupas de frio que Normani fez questão de discutir com Ally na hora de escolher e por na pequena. Ela gargalhava alto ao ver Nate dar saltos para pegar pequenos flocos e levar os poucos que conseguia em direção à ela. Ele e Leah estavam dispostos à passar algum tempo com ela uma vez que nós iríamos nos mudar novamente. Eu adorava aquela cidade pequena, adorei tudo o que eu vivi ali, mas nós sabíamos que mudanças sempre ocorreriam com o tempo, principalmente quando nenhum de nós poderíamos envelhecer.
Porém, dessa vez as coisas seriam diferentes. Apenas Lauren, Alice e eu iríamos nos mudar. Alice precisava de sol já que seu tom de pele era branquinho demais, para um bebê era necessário um pouco de vitamina D. Eu poderia lidar com isso, mas não conseguiria com toda minha família.
Relutante, Clara e Mike concordaram com a condição de que a cada seis meses estivermos de volta.
Lauren topou na hora.
— Acho que ela precisa entrar. — A voz rouca de Lauren disse atrás de mim.
Acabei sorrindo ao sentir seus braços se enroscar na minha cintura.
— Ela está bem com eles. — Afirmei olhando mais uma vez pra eles pela varanda.
Ally tinha feito uma decoração incrível com luzes brilhantes do lado de fora também, enfeites e pequenos anjos de plásticos também estavam em alguns lugares.
Tinha que assumir que a baixinha levava muito jeito para aquilo.
— De qualquer forma, eu não consigo confiar nesses dois. — Eu rir da desconfiança dela com os sobrinhos. — Nate parece ter apenas olhos para Leah. Completamente i****a, como Dinah quando quer usar a cabeça dela pra fazer m***a.
— Leah é responsável, amor. — Disse e nós duas ouvimos a gargalhada de Alice se transformar em choro.
Olhamos alertas para eles, prontas para socorrer nossa pequena quando vimos o que aconteceu. Foi tudo muito rápido, Alie ia correr em direção ao Nate quando seus pezinhos escorregaram na neve, mas Leah usou sua agilidade e à pegou antes que seu corpinho fosse de encontro ao chão, assustada, a única reação que Alice teve foi chorar.
E alto.
Ela tinha essa mania também, sempre que se assustava com algumas das anomalias da nossa família acabava chorando.
Lauren me olhou e suspirou, mais uma vez ela tinha razão sobre ter aquela conversa.
Nate chegou ao nosso lado em instantes e eu quis bater nele por ainda vir naquela velocidade e peguei minha filha no meu colo tentando acalma-la, porém ela queria Lauren que logo estava ali, de prontidão para atender as necessidades da humaninha.
— Calma, meu amor. — Lauren disse balançando de um lado para o outro Alie que parava de chorar aos poucos. — Mamãe está aqui. Tá tudo bem. Ninguém vai mais assustar você.
Eu respirei fundo olhando para elas duas.
Olhei em seguida para o relógio notando que em poucos minutos Mike chegaria do trabalho e a família estaria toda reunida uma vez que Christopher já sabia sobre minha decisão.
Quando me certifiquei de que todos estavam ali, inclusive Leah e Seth, pedi para que todos se juntassem na sala de estar para que pudesses por em pauta nosso pequeno problema.
— Algo aconteceu? — Michael perguntou preocupado.
Clara parecia apreensiva.
— Sim, mas nada sério. — Tranquilize-o.
— Por que estamos aqui, mãe? — Taylor perguntou.
Ela estava sentada no colo de Seth que estava de olhos fechados. Como o assunto não era com ele, nem se deu ao trabalho de abrir a boca.
— Achei que aguardariamos essa conversa por mais um tempo. — Ally disse já sabendo sobre o que se tratava.
— Dá pra parar com isso e nós dizer se uma vez por todas? Nem todos aqui conseguem ler pensamentos ou prever o futuro. — Troy disse fazendo uma careta.
Ele parecia curioso, embora talvez já imaginasse sobre o que falaríamos.
— É sobre o crescimento de Alice. — Lauren disse. Finalmente nossa filha dormia tranquilamente nos seus braços, depois que Michael chegou, Clara fez questão de dar o jantar dela e a mesma dormiu rapidamente e sem o banho. Lauren permitiu que ela dormisse daquela forma.
Senti vontade de bater nela por isso, quem teria o trabalho de acorda-la depois seria eu.
— O que tem de errado? — Taylor perguntou.
— Alice está crescendo e está começando a guardar memórias. Precisamos tomar cuidado uma vez que iremos manter em segredo sobre o que somos. — Foi eu quem disse.
— Como assim manter em segredo? — Normani perguntou alarmada. — Nós não podemos esconder dela. Isso é errado!
Eu suspirei.
Sabia que seria difícil.
— Errado é nós permitirmos que ela cresça sabendo demais. — Lauren disse. — É perigoso para uma criança como ela saber sobre isso. Não quero que minha filha corra o risco e nem seja taxada por louca sempre que ter um novo amiguinho e contar pra ele que suas mães são vampiras e que tem tios, primos e cunhado como cães de estimação. — Lauren disse fazendo Seth bufar.
— Entendo que vocês queiram dessa forma. — Ele disse. — Entendo que essa é a forma que quer cria-la, porém o que quer dizer com isso tudo?
Foi minha vez de entrar na história.
— O que estamos querendo dizer é que vocês precisarão tomar certos cuidados sempre que ela estiver por perto. — Olhei para Nate e Leah. — Principalmente quando ela for ser amparada. — Eles fizeram uma cara confusa. — Mais cedo... Quando ela escorregou, vocês não deveriam ter impedido.
— Porque ? — Nate perguntou confuso. — Ela ia se machucar. Eu evitei isso, tia!
— Eu sei. Agradeço por isso. Porém, cair faz parte da vida humana, curvar os ombros, piscar, sentir fome, dormir e chorar de dor ou de alegria. Alice precisa aprender a cair para saber como será ao levantar, nós não podemos intervir em tudo ou ela não será um humano decente. Não podemos dar tudo em suas mãozinhas como estamos fazendo, ela precisa aprender a fazer por merecer...
— Mas ela ainda é uma criança. — Dinah disse relutante.
— E é por ser criança que devemos educa-la. Ela está crescendo e se transformando no que será daqui à alguns anos. Eu odiaria que minha filha crescesse e se tornasse uma mimada preconceituosa e m*l educada. Ela precisa aprender a lidar com as diferenças, o problema em si não é porque somos vampira e transmorfos, somos lésbicas, gays, héteros... Somos muitas coisas para que uma criança de quase três anos entenda. — Lauren dizia baixinho pra que nada acordasse Alice.
— Alice precisa viver um pouco com humanos... Corações batendo, calor sobre a pele, amiguinhos no parque. Sei que é complicado pra todos aqui, mas são experiências necessárias para a vida dela. — Expliquei mais uma vez.
Dessa vez todos ficaram em silêncio.
Refletindo, ou apenas pensando.
— O que devemos fazer então enquanto vocês estiverem aqui? — Normani quem perguntou.
— Apenas agir como se fôssemos normais. Eu sei que ela não irá lembrar por ser pequena demais, porém humanos começam a guardar memórias a partir dos 3 anos. E eu amo demais minha filha para dizer que, caso ela lembre de algumas dessas aventuras que temos com ela, são coisas da cabeça dela.
— Como vocês farão para que ela saiba sobre nossa origem? — Clara perguntou pela primeira vez.
— Nós não sabemos, mas iremos esperar que ela já tenha uma idade madura o suficiente para que entenda. — Lauren explicou.
— Vocês irão transforma-la, né? — Seth estava de olhos abertos, atento a qualquer coisa.
— Eu queria ser egoísta e dizer que sim. Porém, é sobre uma vida que estamos falando... Se quando ela souber da verdade e quiser isso, farei questão de eu mesma cuidar de tudo. Caso contrário teremos que viver com a ideia de que a ordem natural dos humanos é nascer, crescer, reproduzir e.. — engoli em seco mesmo que não fosse necessário. — morrer.
— Vai estar então nas mãos dela? — Ally perguntou.
— Sim. — Lauren disse se levantando para colocar Alie em seu quarto.
— Estou orgulhoso de vocês duas. — Mike disse antes de Lauren sumir pelas escadas. — Vocês estão se tornando mães incríveis.
Eu sorri agradecida por ele entender nosso lado. A criação de Alice era importante demais para que eu permitisse que ela se tornasse aquilo que um dia Sofi foi.
Ao olhar para uma das minhas filhas mais velha, ela sorriu em agradecimento. Foram preciso algumas palmadas à anos atrás para que ela pudesse enxergar o que estava se tornando. Taylor se jogou com tudo em cima de mim e acabamos caindo no chão e rimos.
No aniversário de 5 anos de Alice, ela nos pediu um cachorrinho de estimação. Lauren e eu acabamos rindo e dissemos que ela já tinha alguns deles, porém estavam na casa de seus avós. A humaninha ficou intrigada e disse que queria os vê-los o mais rápido possível. Resultou em uma visita de Taylor e Seth, uma vez que era o único pulguento que eu adorava desde sempre. Nós morávamos atualmente em uma cidade chamada Austin, no Texas. Eu sei, fazia um calor infernal e todo mundo estranhava o fato de Lauren ser tão pálida, embora eu conseguisse disfarçar bastante, minha querida esposa sofria muito. Nossa estadia ali não iria durar muito e Lauren estava com planos para se mudar para um lugar frio, onde o sol não fosse tão forte e que Alice pudesse ter toda a liberdade que quisesse.
Estamos repensando sobre Forks, mas ainda era tudo incerto.
— OLHA COMO ESSA GAROTA CRESCEU! — Seth disse ao ver Alice vestida com um short pequeno e uma blusa preta sem mangas.
Lauren como estava a alguns dias sem se alimentar estava usando as mesmas vestimentas porém usava óculos escuros e os cabelos que agora estavam mais longo feito um coque sobre a cabeça.
Eu estava normal, linda como sempre.
Alie sorriu ao ver o corpo robusto do cunhado e correu em disparada à ele. Seth largou o carrinho com as bagagens e correu em direção a ela. Quando ele conseguiu ter ela em seus braços o mesmo a jogou com cuidado para cima, achei que Lauren fosse ter uma síncope do meu lado e Taylor gargalhou nem se importando com as pessoas que pararam chocadas para nos encarar. Mesmo depois de anos, eles nunca iriam se acostumar com uma beleza como a nossa.
— Senti saudades, mamãe. — Minha filha disse ao me abraçar, ela estava ciente dos olhares curiosos. — Muitas saudades.
— Eu também senti, meu amor. — a abracei mais forte ainda até que ela gemeu, tive que solta-la.
— Porque sinto que você está toda largada? — Ela disse analisando Lauren. — Você parece mais pálida.
— Camila e seus lugares estranhos para se viver. Preciso me alimentar e vou fazer isso ainda hoje. Eu não aguento mais esse lugar. — Lauren reclamou puxando Taylor para um abraço.
— Porque ainda continuam aqui? Vejo você reclamar tem dois anos. — Seth disse com minha filha menor em seus ombros quase arrancando seus cabelos enquanto ele segurava ela com apenas uma mão, a outra ia puxando o carrinho.
— Não, Seth! — Alice disse. — Mamãe Camz e eu adoramos a escolinha nova. — Lauren bufou. — Meus amigos são legais.
— Que amigos, Alie? — Taylor perguntou interessada.
Lauren começou a resmungar.
— Amigos ou quer dizer apenas sobre o James? — Todos olhamos para Alie e ela corou rapidamente, eu não queria rir do meu bebê, mas foi impossível não fazer quando ela estava tão fofa envergonhada.
— Quem é James? — Seth perguntou com a cabeça torta.
— Namoradinho de Alice. — Eu respondi e Lauren me olhou torto. — O que? Supere amor, eles até já tiveram seu primeiro beijo.
Lauren que já tinha começado a caminhar para fora do aeroporto parou incrédula olhando de mim à Alie que estava pra explodir de tão vermelha.
— MÃE CAMZ! — ela gritou com as mãos no pescoço de Seth que estava vermelho de tanto gargalhar. — Era segredo.
— EU VOU m***r AQUELE MOLEQUE. VOU CONTAR O P... O PINTINHO DELE E ELE NUNCA MAIS VAI QUERER CHEGAR PERTO DA MINHA FILHA NOVAMENTE!
Lauren começou ter um ataque no aeroporto, Taylor já sabendo a mãe que tinha apenas deu de ombros e Alie olhava apreensiva para mim, eu pedi que ela ficasse calma que a Mãe Lolo estava apenas brincando, que não faria nada demais com o amiguinho dela e que tudo ficaria bem.
Coisa que não aconteceu.
Meses depois descobri que Lauren havia dado um jeito de encontrar em contato com um amigo de Allyson que fazia uns trabalhos sujos e ambos conseguiram fazer a transferência dos pais de James para o Brasil. Lauren tinha certeza de que eu não iria levar minha filha para lá de modo nenhum, uma vez que o calor era terrível e tinha bundas demais para que minha mulher olhasse..
Maldita branquela gostosa do c*****o!
Minha filha ao saber da partida do amiguinho ficou arrasada. Teve seu primeiro coração partido e Lauren ficou quase dois meses sem s**o, embora eu quase tivesse implorado para que ela me fodesse gostoso logo na primeira semana, tudo ocorreu muito bem.
Até que novamente, depois de ter rodado boa parte dos Estados Unidos, Lauren e eu achamos que já era a hora de voltar para casa e Alice que naquele tempo já tinha 10 anos e era uma excelente criança. Poderia conviver com uns tios desatentos e tias anormais de quase dois metros de altura, vulgo, Dinah Jane.
— Porque nos mudamos tanto, mãe? — Alice perguntou. Olhei para ela, seus olhos verdes brilhavam ao encarar as paredes daquele apartamento.
— Nosso trabalho exige isso, filha. — Respondi a verdade, Lauren parou logo atrás na porta do quarto. — Mas prometemos que dessa vez será a última vez, nós estamos voltando pra casa.
— Vocês prometem? — Ela perguntou com o sorriso que me desmontava toda.
— Nós prometemos. — Lauren disse chegando mais perto para que nós pudéssemos dar um abraço apertado, gostoso e carinhoso naquela pequena humaninha de agora, dez anos.
Até logo...