DEZOITO: Jogue-a Para Os Cães

3761 Words
— Não sei como convenceu a Appa a nos deixar vir tão longe. Para Hakyeon, apenas o fato de terem ultrapassado os portões da cidade, já significava que estavam indo muito longe, mas para Ravi era como mais um dia comum. A floresta crescia ao redor dos muros, se perdia até as grandes plantações, onde os trabalhadores riam alto e comentavam sobre quaisquer banalidades da vida, mas estavam longe demais para que os ouvisse, podia apenas vê-los muito de longe. O Zhang estava ansioso, sempre se sentia assim quando o loiro estava perto, seus dedos chegavam a formigar. — Eu só disse a ela que você precisava treinar com alvos mais distantes. — fora verdade — Além disso, ficou fácil depois que você atingiu as sacas de farinha e quase causou um acidente com os cavalos. O ômega mudou para uma expressão triste, acreditou que o alfa estava rindo de sua cara e do acidente anterior, e Ravi precisou abraça-lo para que o m*l entendido fosse desfeito. — Desculpe, eu não estava rindo, acidentes acontecem o tempo todo, já vi atingirem a si próprios e quem passava por perto. Ravi o abraçou com carinho e Hakyeon não poderia guardar mágoas de alguém a quem guardava tão nobre sentimento, só de sentir o contato com sua pele, era como se valesse a pena correr certos riscos. Alguém poderia os ver e os entregar para sua família, ou pior ainda, entregar para os Kwon. — Sei que não foi sua intenção me ferir. — ele disse — Você nunca faria algo que pudesse me machucar, eu sei disso. — Eu nunca machucaria você. Quando disse aquilo, o próprio Ravi se surpreendeu com a veracidade de suas palavras, e por dois segundos sentiu como se tudo fosse real, e ele realmente não fosse capaz de fazer qualquer m*l ao ômega. Tolice! Aquela família não deveria existir, qualquer sentimento dado a eles não deveria passar de desprezo. Odiava Chanyeol e todos os seus descentes e só teria paz quando todos estivessem mortos. Devia isso ao seu avô. O temor daquele sentimento bom o fez afastar Hakyeon quase que de maneira bruta. — Vamos... Vamos começar. Já o outro apenas concordou, mesmo sem entender a estranha mudança de expressão, viu que o loiro parecia incomodado e preferiu acreditar que ele apenas sentia-se m*l com a ideia de que aquilo que viviam era errado e iria acabar de uma péssima maneira. Em partes, estava certo. — Eu... — o ômega mordeu duas vezes a própria língua, sentia-se a ponto de se intrometer em assuntos delicados. Ajeitava o arco nas mãos com a ajuda do alfa, mas não se concentrava naquilo — Ravi é mesmo o seu nome real? O loiro soltou-o, havia sido pego de surpresa. — Por que está perguntando isso? —  Eu sei que o senhor Wu Jun Hui quem o criou, ele e o irmão mais velho de Jay, sei também que foram eles quem te deram esse nome, mas você já era um garoto crescido, deveria ter um nome. O alfa foi tomado pelo silêncio, era irônico pensar que muitas vezes chegava a esquecer o próprio nome, porque mesmo que Ravi não admitisse, ele gostava de ser o Ravi, de ter a vida que tinha agora, e mesmo que não dissesse em voz alta, ele era feliz por ser quem era, por ter quem tinha e o que tinha. Ser um órfão, ou melhor dizendo, um bastardo, não era bom, mas fora muito abençoado pelos deuses. E era feliz. — Wonsik. — não sabia o motivo de ter dito a verdade, em partes dizia para si próprio, para que não esquecesse mais — Meu nome é Wonsik. — É um nome bonito, sinto que já o ouvi antes. Não deveria ter dito, era apenas um nome qualquer, mas o melhor era viver sem ser alvo de qualquer suspeita que fosse. — É um nome comum, não tem nada de especial, sequer sei o que significa. O ômega largou o arco de qualquer forma no chão, Ravi se sentiu estranho quando o mesmo segurou em suas mãos e o olhou com certa... piedade nos olhos. Não gostava que o olhassem assim, mas quando se tratava de Hakyeon, aquele olhar parecia acolhedor, não era pena que ele sentia, e sim uma empatia que jamais sentiu vir de outro alguém, nem mesmo de sua avó. — Por que sempre fala de si como se você não fosse importante? — Porque eu não sou. — era sua única resposta verdadeira, era triste ver aquilo em seus olhos, Ravi se referia a si muitas vezes como se no fundo não amasse a si próprio. — Você é sim, é importante pra mim, e isso não significa nada pra você? Quando estou com você, me sinto livre de uma forma que nunca senti antes, eu mesmo me prendi, Ravi, agora eu sei disso, e você também está se prendendo a um rótulo e******o de sangue ralo. Sangue ralo também era uma expressão comum a quem nascia órfão ou bastardo, era dito que seu sangue era ralo e fraco, e por isso estava fadado a ser um nada por toda sua vida. Mas Ravi sabia que essa não fora sua sina, ele não tornou-se o “nada” ao qual estava destinado. — Obrigado. — Pelo que está agradecendo, alfa? E sua resposta foi beijá-lo, independente do risco de serem vistos, independente de seus próprios objetivos, Ravi não podia negar o que havia sentido naquele momento. Hakyeon o encantava.     [... Herança dos Alfas ...]     Jooheon sentia seu estômago revirar. Uma batalha iria acontecer, ele sabia disso, suas esperanças acabaram no momento em que avistou a cidade de longe. Templos fora seu lar, mas agora aquele lugar lhe pareceu muito estranho, o grande portão estava fechado, arqueiros sobre o muro miravam em suas cabeças, e lá no alto sua appa os olhava com desprezo e ódio. Estava com medo. — Young Tiffany, não é mais a Lady de Templos, deve se entregar para ser julgada por seus crimes, do contrário, será executada aqui mesmo. A voz de Hyunwoo poderia ser ouvida como um comando para qualquer um, mas Tiffany manteve-se inabalável, ela nada disse, todavia, o ato de manter as armas erguidas era um sinal claro de que não se entregaria como antes fora ordenado. Hyunwoo olhou para Jooheon, se o ômega estava ali por uma oportunidade, o momento era aquele. — Appa, por favor, entregue-se, estou implorando. — o ômega pediu aos gritos, Jooheon sentia uma enorme vontade de chorar — Não quero vê-la morta e nem ver meu marido morto, por favor, evite uma batalha desnecessária. — Seu marido traiu nossa aliança! A alfa olhou cheia de raiva, sentia-se sendo deixada para trás por alguém que julgou lhe ser uma garantia. — Os Wu deveriam estar ao meu lado agora, eu dei para você um ômega perfeito, e é assim que me retribui, vindo me matar? Esperava bem mais de quem diz colocar a família acima de tudo, eu sou sua sogra, nós somos uma família só! Está pensando em devolver? Te dei algo com defeito? O Wu manteve-se em silêncio, a expressão em seu rosto só significava uma coisa a seus soldados naquele momento, ele sentia raiva, e isso era algo bem raro de se ver. Hyunwoo era calmo, pensava muito antes de agir, era um homem frio quando se tratava de suas batalhas. Mas ele estranhamente parecia quente naquele momento, um calor que vinha do rancor que passou a alimentar. Já Jooheon, ele estava magoado. — Senhor? — um jovem estava parado ao seu lado, o cavalo afoito, o animal parecia entender o que estava acontecendo. Mas Hyunwoo voltou os olhos para Tiffany, que do alto dos muros o encarava. — Você tem até o anoitecer para se decidir. — fora tudo o que disse.     [... Herança dos Alfas ...]     Quando entrou na sala, o intuito de Hoseok era apenas falar com seu pai, mas parou assim que passou pela porta. Sentados ao redor da mesa, sua família parecia concentrada em uma conversa, mas o bater da porta fez com que todos o olhassem. — Ah, me desculpem. Não costumava pedir desculpas, em dias normais ele perguntaria o que estava havendo e só depois sairia após se sentir desinteressado. Mas era desrespeitoso e uma grande falta de educação fazer isso. — Hoseok, já faz alguns dias que eu não o vejo, bom, pelo menos não estando sóbrio. — o mais velho entre eles ergueu-se da mesa, Siwon olhou para seu neto, que parecia muito diferente — Está mais magro também, aconteceu algo? — Não, Hoseok está ótimo. — Seungcheol levantou-se rápido, parecia ser seu assunto favorito do momento — Nosso filho apenas mudou sua alimentação, aconteceu o mesmo comigo quando tinha a idade dele, depois que passei a me alimentar da forma mais adequada para o corpo de um ômega passei a mudar drasticamente. — É normal perder tanto peso? — Hoseok também mudou muitos hábitos, seus músculos vão desaparecer com o tempo e ele um corpo magro como normalmente o corpo de um ômega é. — ninguém julgaria Seungcheol por estar tão animado, ele sabia mais do que todos sobre como hábitos e alimentação mais leves mudavam um ômega, ele próprio havia passado por aquilo, mesmo que em menor intensidade — Está sendo melhor pra ele, Minhyuk disse que em breve o cio também voltará ao normal, não é normal que um ômega só tenha cio uma vez por ano. — Omma, poderia não falar dos meus cios na frente de alfas? Seungcheol estava tão empolgado que só agora se dera conta. — Desculpe, querido, acho que acabei virando um velho s*******o. — ele próprio riu — Mas estamos em família de qualquer forma. Hoseok não concordava com essa última parte, eles não estavam apenas em família, a presença de Hyungwon tornava essa sentença errada. — Você não está velho, querido. — Jeonghan discordou do que seu ômega havia dito — Continua da mesma forma, o ômega mais lindo do mundo. O loiro ficou de pé para segurar as mãos de Seungcheol e dizer isso olhando em seus olhos. Era muito bonito ver aquilo, seus pais mantinham o mesmo amor, que parecia ainda mais forte e sólido depois de mais de 30 anos juntos. Hoseok nunca fora romântico ao ponto de desejar um alfa para amar e ser amado, muito menos esperar que alguém o enchesse de elogios e galanteios. Mas quando olhava para os seus pais, sentia por alguns segundos que aquilo era muito bom. — Por que o Hyungwon está aqui? — era uma pergunta que não podia mais conter. Estranhamente a fisionomia de todos havia mudado. — Tio Hyungwon, Hoseok. — ele mesmo o dissera — Seja um pouco mais respeitoso comigo. — Você não é e nunca vai ser meu tio. Era inevitável, por mais que Hoseok desejasse mudar, haviam coisas que ele não conseguia engolir. Aquele alfa era... era insuportável aos olhos do Kim! — Vamos acalmar os ânimos, por favor. — Junji, que até então não havia dito nada, tentou acalmar ambas as partes. Ele entendia um pouco melhor como aquilo realmente era, seus pais e seu avô ainda viam tudo de muito longe, e de certa forma romantizavam demais algo que poderia ser desastroso. Hoseok e Hyungwon eram o próprio desastre quando estavam perto um do outro. — Eu estou calmo, irmão. — ajeitou a postura, forçou uma falsa expressão de calmaria — Mas me respondam, qual o motivo da reunião? Mais uma vez aquela mesma tensão no ambiente, até que Siwon foi forçado a dizer: — Hyungwon já é um alfa adulto e possui muitas responsabilidades, acredito que para alguém com tantos afazeres o melhor é que tenha alguém para auxilia-lo, alguém que cuide dele. — era quase como dar uma desculpa — Jeonghan e seu irmão estão nos ajudando a escolher um bom pretendente. — Vai se casar? Quando olhou para Hyungwon para e perguntou, foi como se o ômega esquecesse que havia outros ao redor, e por alguns segundos caísse do cavalo. — Eu preciso seguir o rumo da vida, Hoseok, vivemos um mundo assim, o casamento é algo que virá para todos que querem construir algo e ter para quem deixar, irá acontecer com você também, e pela sua idade acredito que falta pouco. O ômega quase riu. — Eu... — por um momento, era como se precisasse de uma desculpa — Tenho aula de bordado, preciso ir. Mas não adiantou esconder nada, todos já haviam entendido. — Eu sempre achei que vocês acabariam se casando. — Junji foi bastante sincero ao dizer — Quer dizer, sei que não aparentam se dar bem, mas pra mim é bastante óbvio que o que meu irmão sente é paixão, ele só não sabe lidar com isso. Aparentemente, todos pensavam da mesma forma. — Hoseok nunca vai conseguir engolir o orgulho, é melhor que as coisas fiquem assim, não é justo que ele me trate m*l e eu apenas aceite isso, seu irmão enxerga o mundo de uma maneira muito particular, e essa maneira que ele tem de me enxergar já me feriu o suficiente. — E é disso que eu tenho medo. — Jeonghan foi sincero em admitir.     [... Herança dos Alfas ...]     Quando anoiteceu, as esperanças já minúsculas de Jooheon, desapareceram. — O que eles estão fazendo? Não havia acampamento, não havia nada armado, Hyunwoo não tinha a pretensão de um cerco, ele dera um prazo e ao final deste atacaria sem piedade alguma. O alfa tinha uma expressão séria no rosto, estava pensativo de uma forma que chegava a assustar o ômega. E talvez fosse por isso que ômegas não podiam se juntar ao exército, quando alfas emanavam ódio, ficava quase impossível de respirar, já teria sufocado se não fosse marcado. — O tronco vai servir para derrubarmos o portão. — Não vai funcionar. O alfa o encarou, era óbvio que Jooheon sabia de muita coisa, viveu ali dentro por muitos anos, viu muita coisa acontecendo. — O que você sabe que não está me contando? — seu marido o olhou profundamente, Jooheon sentiu as forças das pernas indo embora. Ele quase se entregou, no fundo não queria que Hyunwoo invadisse a cidade, e suas atitudes até então deixavam tudo bastante nítido — Me diga, meu ômega, por que não podemos derrubar o portão? Acuado e diante dos outros de quase 12 alfas que ouviam a conversa ao redor, ele não tinha outra escolha. — O muro de fogo. — O que é isso? — Há um óleo dentro de muitos toneis, o óleo é derramado na vala que rodeia toda a cidade, o óleo vai pegar fogo e as chamas vão ficar altas, mesmo que pulem sobre elas, não haverá espaço para pessoas o suficiente derrubarem o portão, morrerão queimados antes disso. — Quantas pessoas cabem entre o fogo e o portão. — Duas, no máximo três, eu não sei direito, não podia ficar muito perto quando essas coisas aconteciam, mas ouvia muitas histórias. O Wu soltou com força o ar dos pulmões, aquilo definitivamente estava frustrando seus planos. Olhou na direção da cidade, os soldados se espalhavam pela floresta em redor, Templos não era tão grande, mas seus muros eram altos e estava fortemente guardada. Uma cidade à prova de invasões, era o que diziam. Tiffany sempre criava algo novo, era uma mente ligeira, ela sabia que somente os portões não o segurariam. — Tem certeza que ela usará isso? — Você me ensinou muitas coisas, meu marido, e uma delas foi a pensar, e se eu estivesse no lugar dela nesse momento, essa seria minha escolha, acredito que será a dela também. Hyunwoo sentia-se orgulhoso de Jooheon. Naquela noite, ao fim do prazo, os soldados Wu se puseram diante da cidade como havia sido ordenado, ninguém entendia o que se passava na cabeça daquele que os comandava. Nada convenceu Jooheon a ficar escondido, ele já havia percorrido um longo caminho e nada o colocaria fora daquela batalha. Agora o alfa Wu corria com seu cavalo de um lado para o outro diante dos soldados e do grande portão, agitado de uma forma que não era costumeiro ver. Era como se ele esquentasse o próprio sangue, os ombros pesavam quando passava por perto de alguém. Os que já conviviam com ele há bons tempos sabiam o que era aquilo, a raiva sendo emanada, aquela batalha se tornara algo pessoal, ele não iria parar enquanto não matasse. — Tiffany, avisarei pela última vez, se entregue e evite derramar o sangue de quem nada tem com isso! — gritou a plenos pulmões — Arqueiros, soldados, abaixem suas armas, essa mulher não tem mais poder sobre vocês, ficar ao lado dela é trair o nosso Rei! Os pássaros empoleirados levantavam voo ao ouvir sua voz. Tiffany nada respondeu a ele, e com um aceno de sua cabeça uma tocha fora jogada do alto do muro, e ao atingir o liquido na vala logo abaixo, rapidamente o fogo veio a se alastrar. E lá estava o grande muro de fogo, ardendo e impedindo a passagem dos que ali rodeavam. — Senhor, o que faremos? — seu jovem escudeiro, que há pouco assumira tal cargo, fez a pergunta, foram poucas batalhas que viveu até então, ainda sentia-se muito nervoso. — Cuide do meu ômega. Aquela frase serviu de alerta para Jooheon, que agarrou seu braço assim que o alfa parou ao seu lado. — O que vai fazer? — o questionou apreensivo — Hyunwoo... — Eu o amo com todo o meu coração. — fora tudo o que dissera — Younghee, diga a todos que esperem pelo meu comando. — Sim, senhor. O escudeiro precisou segurar as rédeas do cavalo de Jooheon para que ele não acompanhasse o marido. Hyunwoo desceu do cavalo, a espada continuou na cintura, armou-se apenas com seu escudo. O alfa não pareceu mais frio naquele momento, todavia todos sabiam que seu sangue estava fervendo pela raiva que sentia de sua própria sogra e do quão apática ela parecia aos seus. Ele lhe daria uma lição naquela noite, lhe mostraria como se vencia uma batalha sem sacrifícios e sem derramar sangue inocente. Ouviu quando ela deu a ordem aos arqueiros para que atirassem em sua direção, e foi bem ali que todos os presentes assistiram a um evento raro na terra, a demonstração da real força de um alfa lúpus. Jooheon ouvira histórias em sua infância, as amas diziam que ele se casaria com alguém destinado a grande poder, destinado e ser o maior e mais forte, diziam que o poder de um alfa lúpus era algo desconhecido a todos, que sempre havia mais, que nunca veriam tudo. E que o ódio e o amor os alimentava. — Hyunwoo. Viu quando o alfa ergueu seu grande escudo de aço, pesado demais para que alfas comuns carregassem, viu as flechas baterem e não perfurarem, viu quando aos poucos, amedrontados, os arqueiros desistiam de atirar e recolhiam seus arcos, e com os olhos alargados pelo susto, viu quando no auge de sua fúria e ânsia por sangue, Hyunwoo pulou sobre as chamas e de uma só vez, usando o peso do próprio corpo, atirou-se contra o grande portão que veio abaixo em uma única pancada. Seu coração parou de bater por dois segundos, sentiu os pulmões secarem e ele não conseguiu respirar. Wu Hyunwoo era assustador. — Quando eu disser para baixarem as armas, é para baixarem as armas! — ele gritou mais uma vez, já transpassara os muros e agora olhava diretamente para os que estavam sobre eles. Sentiram medo, ou melhor, os que ali estavam transbordavam pavor. Os arcos foram um a um sendo abandonados, e os soldados aos montes espalhados pela praça principal rendiam-se na mesma velocidade. Ele era um só, os soldados que o acompanhavam estavam do outro lado do fogo, mas mesmo assim aquela batalha era sua, eles não o venceriam. Não respiravam, as pernas não se moviam. — O que estão fazendo? — Tiffany gritava a todos — Ataquem! Mas não houve ataque, seus próprios subordinados a desarmaram e a arrastaram pelas escadas muro abaixo, e sem precisar de mais nenhuma ordem, atearam terra aos montes nas chamas para apaga-las e cessaram o derramamento do óleo. Hyunwoo esperou até que Jooheon pudesse entrar na cidade, o ômega estava muito aflito e sua expressão assustada contava bem essa história. — Vamos ver a sua mãe. E essa seria a parte mais dolorosa e difícil até então. Jooheon pode rever sua antiga casa, e em poucos segundos notou a enorme diferença que havia entre aquele lugar e o lugar que vivia agora, a casa Young era estranhamente fria e vazia, enquanto a casa Wu era quente e cheia de vida. Encontrou sua mãe sentada e sozinha na cozinha, a beta parecia pensativa, mas foi tirada desses pensamentos assim que viu seu filho. Correu e o abraçou, e ali Hyunwoo pode ver que havia alguém além dele que amava Jooheon de verdade. — Omma, senti muito a sua falta. — ele disse — É uma pena nos encontrarmos nessa situação. — Está tudo bem, querido, é assim que a vida funciona, você ainda verá muito além disso. — Não está com raiva? Não, Taeyeon não sentia raiva, e aquilo lhe era muito estranho. Olhou para seu genro até então um pouco distante, precisava dizer algo, palavras que serviriam para ambos ali: — O que havia entre Tiffany e eu acabou há muito tempo, sinto muito que o fim de nosso casamento se dê desta forma, mas não posso chorar e velar alguém que não faria o mesmo por mim, eu fui muito inocente quando achei que a mudaria, ela não mudou, mas eu sei que eu mudei. — seu olhar não carregava tristeza, era quase uma expressão de conforto — Por isso, meu genro, faça o que deve fazer. E ele fez, diante de toda a cidade Hyunwoo anunciou ao povo que Young Tiffany não era mais Lady naquela terra, e que em breve um novo Lorde seria levantado para governar a cidade. Tiffany foi decapitada diante dos olhos de todos enquanto praguejava e os acusava de estarem a traindo, sua cabeça rolou lentamente até chegar aos pés de Taeyeon, cujo único ato foi olhá-la. — Se desejar, poderá queimar o corpo e fazer orações, Milady Young. — Hyunwoo a informou. Mas Taeyeon ajeitou a postura e olhou fixamente para os olhos do alfa antes de dizer: — Jogue-a para os cães.
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