Capítulo 17

1041 Words
Klaus estava surpreso. De todas as coisas que ela poderia falar, ele não imaginava ouvir aquilo. — Está falando sério? — Sim! Quer dizer, é apenas uma história de família. Eu nunca perguntei a ele se era verdade. — Não ficou curiosa? — Acho que, no fundo, eu já sabia a resposta. Então, depois de pensar bem no que Ricardo me disse aquele dia, percebi que, no fundo, não fiquei tão chocada assim. Ele me ofereceu um emprego e, aqui estou eu — diz ela, apontando para si mesma. Klaus sabia que, no fundo, havia mais coisas naquela história, mas já se sentia feliz por ela compartilhar um pouco do seu passado com ele. — Você não se assusta com todos esses homens por perto? — ela ri da pergunta. — Conheço a verdadeira face de todos aqui. Sei quando estão felizes ou quando estão chateados. Sei como são quando perdem o controle e não me assusto com as suas expressões de prazer quando matam — Klaus espera pacientemente enquanto ela fala. — Aqui, nós conhecemos uns aos outros de verdade, e não o que aparentamos ser. Somos monstros, agente, e não nos importamos com o que os outros pensam. — Nunca pensou em parar? Klaus vê a sua expressão mudar e um olhar de dor surgir no seu rosto. — As pessoas que poderiam me fazer sair dessa vida já não existem mais. Hoje, apenas aceito o que sou. Não vou me esconder atrás de uma máscara só para não assustar os fracos. Klaus fica pensativo com tudo o que ela disse. Ele podia sentir a dor que ela carregava, mas que, de certa forma, tentava não transparecer. — O que foi? Assustei você? — diz ela após um longo silêncio. Klaus se levanta, vai até ela e a puxa para os seus braços. — Me assustaria não ter você assim — diz ele, passando o nariz pelo pescoço dela, o seu hálito quente causando arrepios na pele dela. — Você está tentando mudar de assunto? — Acho que isso é bem mais interessante — diz ele, beijando o pescoço dela. Os seus braços envolvem a cintura dela de forma firme, enquanto a sua boca traça uma trilha de beijos subindo para a orelha. Mas, antes que pudesse fazer outro movimento, uma mão o puxa para trás e o joga no chão. — Posso saber o que você pensa que está fazendo com a minha garota? Com olhos frios, o homem em frente a Klaus o encarava. O seu rosto não demonstrava emoção, mas pelos lábios cerrados, era possível perceber a raiva contida. Uma arma estava apontada para a cabeça de Klaus, que o olhava com um semblante sombrio. — Aurélio! — a surpresa enche o rosto de Síria ao ver o seu amigo novamente. Em um impulso, ela se joga nos braços de Aurélio, que a pega e gira no ar. — Que saudade eu estava de você! — Oi, meu amor — diz ele, com uma voz rouca, beijando a sua bochecha. — Fico fora por alguns meses e você já me troca por outro? O seu rosto demonstrava mágoa. — Deixa de ser fingido. Foi você que me abandonou, ou não se lembra? — Ele a coloca no chão e enlaça a sua cintura. — Não diz isso, Si. Você sabe que é a única no meu coração. — Será que dá pra tirar a mão dela? — Klaus o encarava com a testa franzida e olhos furiosos. A raiva que sentia no momento o fazia querer arrancar a cabeça de Aurélio com as próprias mãos. — Por quê? — diz Aurélio, com um sorriso debochado. — Vai fazer algo a respeito? — Pode apostar que sim — diz Klaus, ficando cara a cara com Aurélio. — Dá pra vocês dois pararem? Respeitem a casa do Ricardo! — Para Síria, era como apartar a briga de duas crianças. Nem de longe demonstravam a maturidade de dois homens adultos. — Fica fora disso, amor — diz Aurélio, piscando para Síria. A próxima coisa que viu foi o punho de Klaus acertando a sua boca. Síria assistia, chocada. — Não chame ela assim! Aurélio se levanta e parte para cima de Klaus. Os dois rolam pelo terraço, trocando socos. — Parem vocês dois! — diz Síria, tentando separá-los. — Vão acabar se matando assim! Por mais que insistisse, eles continuavam brigando. Então, ela pega a arma que Aurélio havia deixado cair e faz vários disparos ao redor deles. — Calma, amor. Já parei — diz Aurélio, levantando as mãos. — Mas que p***a tá acontecendo aqui? — Ricardo entra como um furacão no terraço, com uma arma em punho. — São esses dois, chefe — Síria ainda segurava a arma apontada para eles. — Resolveram agir como crianças agora. — Que merda, Síria! Já tá querendo matar o cara! — Quem que ela vai matar? — diz Charles, entrando no terraço. Síria coloca a mão na cabeça, tentando aliviar a sua mente. Em poucos segundos, o terraço se enche de homens da organização, todos procurando uma possível ameaça. — Vocês dois, levantem do chão — Ricardo já imaginava o que tinha acontecido. — Oi, chefe! — O que você tá fazendo aqui, Aurélio? — Vim ver a minha garota. Tava com saudade. Aurélio era um homem que raramente demonstrava medo. Com os seus quase dois metros de altura e porte físico, dificilmente alguém buscaria confusão com ele. — Poderia ter avisado antes. Assim, dava tempo de me preparar — Ricardo passava a mão pelos cabelos, já imaginando os problemas que Aurélio causaria. — Gosto de fazer surpresa. — Nem vem. Sabemos que isso tem o dedo do Nico — diz Charles, imaginando que Nico ficaria furioso por perder aquela cena. — Não vou ficar no meio dessa discussão estúpida — diz Síria, saindo do terraço. — Eu cuido dela — diz Xavier, acompanhando Síria, enquanto Ricardo e os outros observavam os dois homens à sua frente. — Podem sair — diz Ricardo, sinalizando para seus homens. — Eu esperava isso dele, não de você, agente. — Desculpa, mas ele me provocou. Ricardo suspira. Ele conhecia bem a personalidade de Aurélio e tinha certeza de que isso ainda traria problemas.
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