Capítulo 3
Keira
Jaime e eu entramos no banheiro feminino, felizmente não havia mais ninguém lá, e tirei uma escova da minha mochila para remover as bolinhas de papel do meu cabelo longo, grosso e ondulado. — Tirei tudo? — pergunto a Jaime.
— Sim, está ótimo. — Ela suspira e então diz:
— Por que você não me deixa te dar uma transformação?
Jaime é uma garota bonita, alta e esguia. Exatamente o que os garotos gostam. Somos totalmente opostas uma da outra. Ela é magra, eu sou gorda. Ela é extrovertida, eu sou tímida. Ela não se importa com o que as pessoas pensam, eu me importo.
Nos tornamos amigas quando, por acaso, nos encontramos no cinema, quando tínhamos uns 10 anos. Lembro-me claramente daquele dia, porque foi o dia em que percebi que Kevin não era mais meu melhor amigo.
Eu estava chateada com isso, e Jaime me acolheu naquele cinema. Desde então, somos boas amigas.
— Jaime, o que posso fazer? Colocar maquiagem? Você sabe que minhas roupas não me servem, não posso comprar roupas novas que sirvam. Como você vai me dar uma transformação?
— Keira, eu te amo, você é incrível. Eu odeio como esses garotos te tratam. Você não merece isso. Mas vou ser honesta, você realmente precisa de uma transformação. Você precisa se aceitar e usar roupas que realmente caibam em você e mostrem seu corpo. Isso vai ajudar a aumentar sua confiança.
— Como roupas vão aumentar minha confiança? Como eu disse, você já viu roupas para tamanhos maiores? Na maioria das vezes, é desesperador para alguém como eu — eu disse a ela.
— Alguém como você? Você tem uma ideia errada sobre seu corpo. Você é maior que eu? Sim, mas não precisa esconder seu corpo. Um dia desses, vou te mostrar que você tem um corpo ótimo e não precisa se esconder em camadas — Jaime respondeu.
— Vamos falar sobre isso depois, precisamos ir para a aula — disse eu, pegando minha mochila.
— Certo, vamos lá — ela suspirou.
Essa é a coisa sobre Jaime, ela tem essa atitude de "não ligo", mas também é alguém que procura o lado positivo das situações. Na mente dela, uma transformação resolveria meus problemas de confiança, então ela não está disposta a desistir disso.
Chegamos à aula pouco antes do toque final. Eu me sentei rapidamente e rezei para que nem Adam nem nenhum dos amigos dele me incomodassem durante a aula. Meu irmão não está nesta aula para me perturbar, graças a Deus!
A professora se vira para escrever no quadro, e sinto algo bater na lateral da minha cabeça. Era uma borracha rosa. Peguei a borracha e a coloquei na mesa de Adam. Quando fiz isso, ele pegou minha mão e me passou um bilhete.
Isso é estranho. Simplesmente coloquei o bilhete no meu bolso, vou olhar depois. Tenho certeza de que está cheio de coisas odiosas.
Quando o sinal tocou e eu estava indo para a próxima aula, antes que pudesse realmente sair da sala, Adam me perguntou se eu li o bilhete.
— Não, eu não li. Quero que me deixe em paz, Adam. — Ele me olhou, riu e disse:
— Tudo bem, te vejo depois da escola, então. — Ele saiu da sala. O que foi isso? Vou ao meu armário trocar os livros, mas a curiosidade estava me corroendo, então tirei o bilhete de Adam do meu bolso.
"Preciso falar com você, mas em segredo, ninguém pode saber."
O que isso significa? Provavelmente algum tipo de pegadinha porque ele descobriu que eu costumava ter uma queda por ele quando tinha 10 anos, ou outra coisa, conhecendo ele. Balancei a cabeça, coloquei o bilhete de volta no meu bolso e fui para a próxima aula.
——
Adam
Eu odeio essa aula! Acho que essa professora de inglês me odeia. Cada redação que entrego, ela critica. O problema é que preciso tirar uma nota boa na próxima redação, senão vou ser afastado do time de futebol.
Isso é um problema porque sou o capitão, além disso, já tenho quase garantida uma bolsa para o futebol. Então, preciso ir bem nessa redação.
Keira e Jaime entraram correndo na sala, pouco antes do sinal. Parece que Keira descobriu que Colt adicionou alguns acessórios ao cabelo dela.
Keira sempre tirava boas notas nas redações de inglês. Posso convencê-la a me ajudar. Além disso, posso fazer com que ela fique quieta para que ninguém saiba que sou r**m nessa matéria.
Peguei um pedaço de papel e escrevi um bilhete dizendo que precisava falar com ela. Mas preciso chamar a atenção dela para entregar o bilhete.
Vi minha borracha. Só preciso lançá-la para ela sem que a professora me veja. Só preciso esperar o momento certo.
A professora foi até o quadro branco para escrever algo, esse é o momento perfeito. Lancei a borracha rosa e acertei bem na cabeça de Keira.
Ela pegou a borracha e tentou colocá-la na minha mesa. Peguei a mão dela para dar o bilhete. Missão cumprida.
A aula continuou. Essa professora é realmente entediante. Finalmente, o sinal tocou. Antes que Keira saísse, quis ver se ela leu o bilhete.
— Ei, você leu o que te dei? — perguntei a ela.
— Não, eu não li. Quero que me deixe em paz, Adam.
Me deixar em paz! Garotinha, você não sabe que seu irmão é meu melhor amigo? Provavelmente estarei na vida dela pelo resto da vida dela só por esse motivo.
Vou estar na casa dela com o Kevin esta noite de qualquer maneira, então vou vê-la mais tarde.
— Tudo bem, te vejo depois da escola, então. — Me virei e saí para a próxima aula.