Eu esperava que o jantar de Ação de Graças fosse estranho e cheio de sutilezas causais, já que conheci Angela apenas uma vez e seu filho, Chase, nunca. Mas estava indo melhor do que eu esperava.
Estávamos todos sentados ao redor da mesa de jantar redonda, que estava rodeada de alguns pratos realmente de dar água na boca. Tentei afastar minha mente do encontro com Skye hoje cedo e de como era bom estar perto dele. Meu eu inflexível não cederia ao tentar falar com ele naquele momento e isso poderia ser muito frustrante.
Angela nos fez orar antes de começarmos a engolir a comida deliciosa. Logo, todos nós começamos uma conversa fiada. Até Chase era muito legal e sua personalidade me lembrava muito Chelsea. Ambos se dariam muito bem.
O que mais me confortou foi que ninguém ousou falar da minha vida patética. Mesmo que estivessem curiosos, não demonstraram ou talvez meu pai deve ter avisado antes para manterem tudo longe desse assunto. Seja qual for o caso, fiquei grato por não falar sobre nada disso.
"Então, me diga, Valerie, você está gostando da sua estadia aqui em Washington?" Angela me perguntou com um sorriso suave.
"Não posso dizer que não. Acho que é a mudança que eu precisava", respondi. Foi uma vaga tentativa de insinuar que eu precisava urgentemente de um pouco de ar e que tirar uma folga de Nova York seria benéfico para mim.
Angela colocou a mão na minha e suas feições suavizaram-se com preocupação. "Estou aqui, ok?" Ela disse isso em voz muito baixa, dando um tapinha na minha mão uma vez.
Balancei a cabeça, amando seu toque maternal e terno.
"O peru é uma delícia, Angie. Adorei!" Papai elogiou com um sorriso enorme, em um esforço para afastar o constrangimento.
Bem, chega de ignorar a verdade e era tudo eu. Mas ainda assim foi bom saber que ninguém questionou mais sobre isso.
"Ah, obrigada", ela disse, colocando a mão no peito.
“De qualquer forma, Valerie, conte-me sobre Nova York. É o lugar dos meus sonhos”, disse Chase. Ele parecia muito animado. "E, diabos, estou até pensando em enviar minha inscrição para a NYU."
"É bom." Encolhi os ombros depois de lhe dar a resposta mais i****a. "Mas eu adoro as luzes da cidade. Me acalma à noite, depois de um dia cansativo." Tudo e cada frase que falei me lembrou de como perdi meu emprego tão facilmente em um estalar de dedos. Bem desse jeito. "Quero dizer que você vai adorar." Forcei um sorriso.
"Bem, essa não foi uma descrição tão 'descritiva', mas aceito. Na verdade, despertou meu interesse." Ele sorriu.
E foi assim que correu o jantar. Calma e descontraída. Praticamente o que eu queria.
Quando tudo acabou, insisti em ajudar Angela a lavar a louça enquanto meu pai e Chase discutiam muito sobre futebol, já que ele desejava ser o capitão do time.
Angela continuou lavando a louça enquanto eu a enxugava antes de colocá-la nos lugares designados. Pelo que parece, eu sabia que ela estava ansiosa para falar sobre alguma coisa, mas não a forcei. Ficou quieto por algum tempo, mas então ela finalmente suspirou e olhou para mim.
Comecei a rir de seu autocontrole e acenei com as mãos para dar-lhe o sinal para falar. "Vá em frente, Angela. O que foi?"
"Eu só quero saber como você está lidando com tudo. Eu sei que pode ficar deprimente, por isso quero que você saiba que não importa a distância, você sempre pode falar comigo, hmm?" Ela me assegurou suavemente.
"Eu sei, Angela, e estou bem, honestamente", até sorri para dar um efeito adicional.
Ela não pareceu convencida pelas minhas palavras, mas também não me pressionou.
Como estávamos fazendo nosso trabalho monotonamente, pensei em seguir o conselho dela e contar a ela o que não disse ao meu pai. O motivo por trás deste escândalo grosseiro. "Na verdade existe..."
Angela parou de lavar a louça e se virou para mim num instante enquanto eu parava. Encostando-se na pia, ela colocou a mão na cintura. "Diga-me."
Soltei uma risada rouca, mas fiquei sério assim que percebi o que eu iria dizer a ela. "Hum, então." Limpei a garganta, parando por algum motivo. "Acho que alguém armou tudo isso. Foi intencional, todas as fotos foram ao ar por toda parte. Como se houvesse algum tipo de motivo?" Eu disse a ela.
Ela engasgou com os olhos arregalados e eu avaliei sua reação meticulosamente para saber o que ela pensava sobre minhas palavras. "O que te faz dizer isso?" Ela sussurrou depois de se certificar de que ninguém estava ouvindo.
Dei de ombros sem compromisso. "Eu não sei", menti porque não queria contar a ela sobre as coisas das quais eu também não tinha certeza, mas sim deixar meus céticos.
Ela assentiu com a cabeça, mordendo o lábio, pensativa. "Isso parece sério. Você tem alguma suspeita?"
"Eu acho que sim."
"Apenas... apenas cuide-se, Valerie. Ok?" Ela balançou a cabeça para cima e para baixo com a preocupação gravada em seu lindo rosto.
"Eu ficarei bem, Angela. Você não precisa se preocupar." Coloquei minha mão em seu ombro confortavelmente e ela pareceu relaxar.
"Bem, estou feliz em ouvir isso. Apenas processe-os. Processe-os tanto que eles não podem nem pagar dólares para comprar papel higiênico", ela brincou, mas havia uma raiva oculta em seus olhos calmos. Na verdade, ela estava crescendo em mim como uma figura maternal.
Eu gargalhei com suas palavras e ela se juntou a mim. Eu estava adorando esse momento de união, já que minha mãe esteve praticamente ausente durante toda a minha vida. "Obrigado, Angela", eu disse sinceramente.
"Sem problemas." Ela piscou.
"Ah, e... só... não conte nada disso para o meu pai. Achei que ele poderia fazer as coisas do jeito dele, já que nossa profissão é muito parecida. E você sabe... eu quero cuidar disso sozinho." disse a ela, quase implorando.
Ela parecia um pouco hesitante, não muito aberta à ideia de esconder algo do noivo. Justamente quando pensei que não era uma boa ideia contar a ela, ela começou a balançar a cabeça lentamente. "Tudo bem..." ela concordou. "Você me contou porque confia em mim e isso por si só é um grande negócio para mim, então sim... será nosso segredo", ela prometeu.
"Qual será o seu segredo?"
Sufoquei um suspiro quando ouvi a voz do meu pai atrás de mim. Colocando um sorriso falso no rosto, me virei para ver ele e Chase com olhares confusos.
"Bem, não é nada", Angela falou, lidando com o assunto com calma. "Como eu disse, é o" nosso "segredo. E um segredo é um segredo por uma razão." Eu queria bater minha cabeça na parede mais próxima porque dizer isso era realmente intrigante para eles saberem mais. Embora suas próximas palavras tenham trazido um sorriso malicioso em meu rosto. "Especialmente quando duas garotas compartilham."
Isso pareceu ter funcionado porque eles pareceram desconfortáveis imediatamente. "Bem, então eu estou bem." Chase ergueu as mãos e saiu de cena com uma corrida urgente.
"E, hum, eu não estou mais curioso, então..." Meu pai saiu rapidamente também, fazendo Angela e eu termos um grande ataque de risada.
"Essa foi boa", eu disse a ela com um sorriso enorme e ela piscou novamente. "Ah, e hum, Ângela?" Gritei quando ela estava prestes a sair da cozinha.
Olhando por cima do ombro, ela murmurou: "Sim?"
"Eu realmente m*l posso esperar para você se casar com meu pai!" Eu gritei animadamente e seus olhos se arregalaram como se ela não pudesse acreditar no que estava ouvindo. "Não me olhe assim. Estou genuinamente feliz, Angela."
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios e ela corou levemente. "Obrigado, Valerie. Vindo de você, significa muito para mim." Ela ligou meu braço ao dela e apertou-o suavemente. "Vamos, antes que os caras pensem que estamos realmente fazendo alguma magia vodu como nosso" segredo "."
Rindo como duas adolescentes, nós duas caminhamos em direção ao quintal onde papai e Chase estavam descansando com algumas garrafas de cerveja e uma ou duas latas de Coca-Cola. Sentando-nos nas duas cadeiras vazias, todos caímos em murmúrios silenciosos.
Pela primeira vez, senti como se estivesse com uma família inteira e real em um dia ocasional. Eu me senti completo. Estávamos compartilhando histórias e eu estava gostando imensamente. Me aqueceu por dentro saber que ainda tenho algo pelo que ansiar em minha vida. Na verdade, isso me fez esquecer todos os meus problemas.
Logo, Angela e meu pai saíram de casa para encerrar a noite, o que me deixou sozinha com Chase.
Como conversador que é, ele aproveitou a oportunidade e me fez uma pergunta imediatamente. "O que você acha da minha mãe e Robert juntos?"
"Eu sou legal. Quer dizer, Angela é incrível, mas cometi um erro de julgamento quando a conheci", respondi. Fiz uma careta por causa de como me comportei e me recusei terminantemente a dar uma chance a ela.
"Oh?" Ele perguntou. Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e olhou para mim por baixo de seu cabelo escuro e encaracolado. Suas feições não eram nada parecidas com as de Angela, me fazendo pensar em seu pai. "Por quê então?"
Olhei para ele surpresa porque pensei que ele saberia, já que ela devia ter contado a ele. "Bem, eu estava... cauteloso. Depois que minha mãe nos deixou, meu pai começou a namorar todas essas mulheres que só se importavam com o dinheiro. Assim que conseguissem, elas iriam embora. Eu odiava todas elas e então, imagine minha surpresa quando ele me disse que estava noivo." Arregalei os olhos, fazendo uma expressão cômica.
Isso o fez rir e apontou o dedo para mim para mostrar que concordava. "Quando você soube que eles estavam noivos?"
"Cerca de dois meses atrás?" Eu disse inseguro. "Eu também não consegui vê-los durante a fase de namoro." Eu balancei minha cabeça. Meu olhar pousou ao longe e fiquei em silêncio por algum tempo. "Fui muito rude com ela, mas ela me acolheu, ignorando minha atitude malcriada. Nossa, isso foi constrangedor." Coloquei minhas mãos em meu rosto e olhei para ele. "Agora eu sei que eles foram feitos um para o outro."
"Acontece, mas estou feliz que você tenha dado uma chance a ela." Ele sorriu, mostrando suas covinhas.
"E você? Como você aceitou o relacionamento deles?" Perguntei a ele, respirando fundo e apertando meu casaco de flanela em volta de mim.
"Na verdade, fiquei feliz", ele me disse honestamente.
"Isso me faz parecer que tenho problemas de atitude."
"Não. Não, quero dizer, você teve seus motivos e eu tenho os meus para reagir da maneira que reagi. Veja, meu pai estava em uma equipe da SWAT, mas então... algo aconteceu durante uma de suas missões e... ele morreu. " Ele encolheu os ombros como se isso não o afetasse, mas o olhar em seus olhos dizia o contrário.
"Sinto muito-"
Ele começou a balançar a cabeça com outro de seus sorrisos. "Não sinta. Eu nem me lembro muito dele. Eu era uma criança naquela época, mas vi minha mãe enquanto crescia. A luz nela havia... desaparecido. Esse incidente a afetou além da minha imaginação e aqueles dias ainda me assombrava. Ela era indiferente, distante e quase sem vida, mas continuava com um sorriso no rosto. A única razão pela qual eu sabia que ela não estava feliz era porque... eu ficava do lado de fora do quarto dela para ouvir seus soluços silenciosos. Eu não saberia disso, mas uma noite, ficou muito tempestuoso e trovões...” Ele parou, com a voz embargada.
Rapidamente me sentei ao lado dele e comecei a esfregar suas costas. "Ei, está tudo bem. Respire fundo, certo?" Ele obedeceu, mas nem uma única lágrima escorreu por sua bochecha. Ele estava se contendo com a forma como cerrava os punhos, mas eu podia ver a piscina se formando em seus olhos. "Chore tudo", eu o encorajei.
Ele ficou em silêncio por algum tempo, tentando se recompor antes de falar novamente. "Eu estava com tanto medo que... corri pelo corredor até o quarto da minha mãe e depois daquela noite fiquei do lado de fora do quarto dela por anos para saber como ela estava", ele me explicou, desta vez com lágrimas escorrendo pelo seu rosto. bochechas e seu rosto corado.
Eu não disse nada e continuei esfregando suas costas.
"Mas então, um dia, tudo parou. Pela primeira vez, ela parecia sinceramente feliz. Vi um brilho nos olhos dela e então ela me contou sobre seu noivado. Veja bem, eu era quem estava mais extasiado do que ela. " Ele soltou uma risada aguada e eu sorri para ele.
Ele enxugou o rosto com as costas das mãos e passou a mão pelos cabelos.
"Estou tão feliz que ela finalmente esteja feliz depois de tudo o que passou. Ela merece e se Robert a faz feliz, que assim seja."
"Uau." Eu ri baixinho. "Ela deve estar muito orgulhosa de ter um filho como você."
Ele encolheu os ombros. "Ela deveria!" Nós dois começamos a rir ridiculamente.
"Não, mas sério, quantos anos você tem mesmo?" Eu perguntei a ele com as sobrancelhas franzidas.
"16 anos, fará 17 anos em alguns meses. Por quê?"
Balancei a cabeça, incrédula. "Você tem 16, quase 17 anos e é tão inteligente!" exclamei, elogiando-o com os olhos arregalados.
Ele fingiu um olhar ofendido. "Você está insinuando que estudantes do ensino médio não podem ser inteligentes?"
"Nah, mas o que estou dizendo é que você é alguns anos mais velho que sua idade, então valorize isso. Ainda hoje, acho tão difícil ser tão compreensivo, mas... olhe para você, garanhão!" Eu disse, gesticulando para ele com meus braços.
"Bem, o que posso dizer? Quero dizer, as meninas adoram isso, não é?" Ele sorriu, balançando as sobrancelhas.
Revirei os olhos para ele e bati em seu ombro com o punho. "Se você está tentando me desviar dizendo que aquelas lágrimas eram todas falsas e que você estava apenas fingindo ser sensível, não faça isso. Não vou julgá-lo por chorar. Na verdade, como meu pai sempre diz: ' É melhor ser humano do que não.'"
"Ah, irmã mais velha. Sabe, eu sempre quis ter um irmão mais velho e agora finalmente consegui um!" Ele me abraçou de lado, me pegando desprevenida por um segundo.
Assim que saí do meu estado de choque, eu o abracei de volta. "Sim? Por que isso?"
"Para que eu pudesse me sentir como um jovem adolescente de verdade também. E não um cara pretensioso e inteligente, que é alguns anos mais velho do que sua idade real. Você está me dando essa chance, irmã mais velha", ele murmurou baixinho.
Suas palavras tocaram meu coração e eu descansei minha cabeça na dele com um pequeno sorriso brincando em meus lábios. "Fale assim e começarei a te chamar de mano mais velho."
Nós dois começamos a rir disso, fazendo ecoar no silêncio da noite.