Uma grande tristeza

555 Words
No corredor frio do hospital, nem os enfermeiros e médicos que passavam a todos tempo puderam deixar de se emocionar. Após algumas horas de cirurgia, Agnes já havia voltado para se recuperar e, assim que acordou viu os olhos tristes e fundos de sua mãe ao seu lado. Ao se dar conta do que poderia ter acontecido, seus gritos ecoavam pelos corredores. Em vão, sua pobre mãe tentava acalmar a filha. Duas enfermeiras entraram correndo para ajudar. As outras que por ali passavam sentiram os olhos se encher de lágrimas. A dor de Agnes foi tão profunda que ela parou de falar. Nos dias que se seguiram, ela permaneceu internada no hospital para sua completa recuperação. Nem ao enterro do seu amor ela pode ir. Mas aquilo já não importava mais. Tudo que ela mais amava havia partido. O homem que havia tornado ela uma mulher e lhe ensinado a força do verdadeiro amor, se foi. E ela nem teve tempo de se despedir. De lhe dar um último beijo, de dizer o quanto o amava. Nem mesmo se lembrava qual foi suas últimas palavras para ele. O fruto desse amor também havia partido. Tão pequenino e frágil, não conseguiu suportar a força do acidente que sofreram. Mas na cabeça de Agnes tudo aquilo era culpa dela. Frederico não poderia ter saído. Ela deveria ter dito o quanto estava m*l e ele não teria ido naquela festa. Se ela tivesse insistido, ele ainda estaria aqui com ela. E o bebê também. Mas não. Ela não disse nada e foi com ele. Ela não protegeu seu amor e muito menos foi uma mãe de verdade para proteger seu filhinho que nem teve a chance de conhecer. Foi apenas mais uma dessas meninas inconsequentes que não pensam antes de agir ou fazer algo. E quanto mais os dias se passavam, quanto mais Agnes tinha de permanecer em repouso, mais esse tipo de pensamento criava raízes em sua mente. Ela se culpava. Mesmo todos a cercando de carinho e amor. Mesmo que a senhora Torres se fizesse presente todos os dias. Era tudo em vão. Agnes permanecia presa aos pensamentos destrutivos e a culpa. Permanecia imóvel e estática diante da sua dor. Sua alta chegou e ela pode ir para casa. A recomendação médica era para que ela fizesse acompanhamento psicológico na tentativa de libertar sua fala. Já que Agnes ainda permanecia sem dizer uma palavra sequer. A cirurgia que Agnes fez foi grande. Os médicos disseram que ela sentiria uma dor forte e constante em uma de suas pernas devido a lesão. Mas Agnes nem mesmo esboçava o mínino de careta. A dor física não era nada comparada a dor interna de ter sua alma rasgada nesse acidente. A senhora Torres estava preocupada com a menina. Por diversas vezes ela tentou tocar no nome do Fred com ela, mas era em vão. Cada vez que o Frederico ou o acidente, ou até mesmo os planos que eles fizeram era mencionado, Agnes saía de perto e deixava quem tivesse conversando nesse assunto a falar sozinho. Mesmo as terapias psicológicas, mesmo as inúmeras sessões de fisioterapia para aliviar a dor e ajudar Agnes a se recuperar do acidente. Mesmo os pais de Agnes estando incondicional ao seu lado. Nada. Nada libertava Agnes da prisão que ela mesma havia criado.
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