Mesmo com o mau estar de Agnes, ela e Frederico resolveram ir à festa. Assim que a cerimônia de formatura se encerrou, cada um dos jovens foram para uma casa que alugaram apenas para essa finalidade.
A festa seguia animada até altas horas. Frederico estava eufórico. E não era pra menos. Tinha conseguido se formar, iria para uma ótima universidade. Iria ser pai e ainda tinha a mulher de sua vida ao seu lado.
Nada poderia ser mais perfeito. Mesmo com tudo isso, Frederico não quis beber nada alcoólico. A maioria dos formandos iriam dormir na casa que alugaram para a festa, mas Frederico queria terminar sua noite com sua amada.
Então, como um bom rapaz que iria dirigir depois, ele escolheu não beber nada. Sabia dos riscos e não queria colocar a vida de ninguém em risco. Principalmente do seu filho e da mulher amada.
Frederico estava se tornando um homem de verdade. E para Agnes, era incrível assistir a tudo que seu amor fazia. Cada pequena mudança, cada mínimo detalhe. Ela decorava tudo aquilo como se fosse algo precioso demais para deixar se perder.
Já era madrugada quando ambos resolveram sair da festa. Frederico havia alugado um quarto em um dos melhores hotéis da cidade.
Ele queria que Agnes se sentisse amada, cuidada e a mais especial das mulheres. Tudo antes que ele partisse para os estudos.
Já havia até mesmo comprado uma aliança de compromisso. Ele deu a aliança para o gerente do hotel colocar embaixo do prato de Agnes.
Queria que quando ela virasse o prato, sentisse o tamanho do seu amor naquela linda jóia.
Agnes estava se sentindo melhor. Todo o desconforto de mais cedo havia passado. Eles finalmente poderiam aproveitar muito.
No caminho para o hotel, a conversa entre o jovem casal seguia animada. Planos e mais planos para o futuro.
_ Agnes eu não ligo, sabe! Se nada disso der certo, ainda terei você! - Frederico lhe dizia com um sorriso largo.
Agnes retribuía o mesmo sorriso.
_ Teremos um ao outro sempre e ao nosso pequeno amor, que cresce a cada dia. - Ela segurou a mão de Frederico em seu ventre.
_ Eu vou ser pap....
Um barulho forte interrompeu o final da frase. Frederico não conseguiu terminar a palavra papai.
Vidros se estilhaçados por todos os lados. Não houve tempo para reação.
O motorista de um outro carro seguia no sentido contrário a eles. Ele havia saído do trabalho frustrado pois não conseguiu atingir sua meta. Tinha contas a pagar e precisava do dinheiro extra.
Então resolveu passar num barzinho e tomar uma gelada para refrescar as ideias e escolher o melhor caminho a seguir.
Na volta para casa, seu celular tocou. Quando foi atender o aparelho escorregou de sua mão e caiu. Ele abaixou para pegar e não percebeu que havia acelerado o carro além do ponto normal.
Sua mão que permanecia presa ao volante, o puxou para o lado um pouco, desviando a rota do carro.
Quando levantou a cabeça com o celular na mão e pode voltar seus olhos para a estrada, não teve tempo para reagir.
Ele havia evadido a contramão e batido na lateral de um carro que estava passando.
A força da colisão fez com que o carro que o motorista bateu, virasse de lado e saísse deslizando pelo asfalto até virar de ponta cabeça.
Os pedestres e outros motoristas automaticamente pararam para olhar aquela cena que mais parecia de filme.
Alguns tentaram ir até os veículos para verificar o estado das vítimas e tentar ajudar de alguma forma.
Outros tiravam fotos e filmavam. Queriam ser os primeiros a divulgar o acidente e com mais detalhes.
Um dos pedestres pegou seu celular e discou o número da emergência. Precisava prestar socorro imediato e assim salvar a vida dos envolvidos.
Os bombeiros não demoraram nem dois minutos para chegar. A polícia veio logo em seguida, alguns minutos depois com duas ambulâncias.
A lateral direita do carro de Frederico estava amassada e bem arranhada, mas a porta ainda abriu com facilidade.
Um bombeiro soltou o cinto de segurança, enquanto o outro segurava o corpo de Agnes. Ela estava desacordada e muito machucada. Mas possuía sinais vitais.
Então resolveram colocar ela dentro da ambulância rapidamente e terminar o socorro no hospital. Já que não tinham ideia da gravidade da situação dela.
Frederico e o outro motorista, já não tiveram seu socorro tão fácil. O outro motorista morreu no local. As ferragens de seu carro haviam cortado seu corpo que se esvaiu em sangue.
Frederico, apesar de tonto, ainda estava acordado. Ele não tinha consciência direta ainda da gravidade da situação, nem de Agnes ou dele mesmo. Mas estava tentando permanecer acordado.
Porém, os bombeiros não sabiam como tirar seu corpo das ferragens. Ele havia sido prensado de tal forma que, apenas a pressão que a lataria amassada de seu carro o mantinha vivo.
Suas pernas haviam sido esmagadas. O braço esquerdo ele nem sabia onde estava. Seu tórax estava preso.
Apesar da pressão que a lataria esmagada fazia, não durou muito tempo. A gravidade dos ferimentos de Frederico o levaram a perder a consciência e a óbito, alguns minutos mais tarde. Ainda, no local do acidente.
Os Torres estavam dormindo tranquilos. Adriana e Sebastião estavam deitados, mas estavam acordados. Não conseguiam dormir com todos os acontecimentos novos.
O telefone principal da casa tocou. A senhora Torres ouviu mas não quis atender. Teve um pouco de preguiça ao levantar.
Porém como a insistência era grande, ela resolveu se levantar para atender.
A extensão era única e o aparelho ficava na sala de jantar. O barulho insistente do aparelho fez com que Adriana e sua patroa se encontrassem no corredor.
_ Senhora, quem será a essa hora? - Adriana já estava preocupada.
_ A acalme-se querida! Não deve ser nada demais. - A senhora Torres pegou o aparelho e atendeu a chamada.
Ela apenas se identificou e disse que conhecia e que era seu filho. Em seguida ela ficou em silêncio.
A cor se foi de seu rosto. Seu corpo ficou pesado e a senhora Torres se deixou cair ali mesmo, no tapete lindo e fofo da sala de estar.
Ela apenas olhou para Adriana e pronunciou as palavras que aterrorizaram a todos.
_ Fred... Eles... Acidente....