6.Tensão no ar

1418 Words
Rose Moreau O momento em que eu o vejo parece congelar tudo ao meu redor. Dominik Copello está parado na porta da sala, imponente, alto, com os ombros largos dentro do terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo. A postura dele é firme, quase rígida, como se cada movimento fosse calculado. Ele parece maior do que eu lembrava. Mais sério. Mais intimidante. Meu coração dispara. Antes que eu consiga reagir, o meu pai já está andando até ele com passos seguros. — Dominik Copello! — Diz ele com entusiasmo contido. — Seja muito bem-vindo. Os dois apertam as mãos com firmeza. Um cumprimento forte, masculino, respeitoso. — Dennis Moreau! — Dominik responde com aquela voz grave e profunda. Minha mãe se aproxima logo em seguida e, por um instante, eu quase não acredito no que vejo. Ela está sorrindo. Um sorriso elegante, delicado, perfeitamente treinado. — Dominik, querido. — Diz ela com simpatia. — Que bom vê-lo. Eu preciso me controlar para não franzir a testa. Há poucos minutos ela estava me olhando com desprezo no meu quarto e agora parece a mulher mais gentil do mundo. É impressionante. Eu engulo em seco e continuo parada perto da escada. Quero desaparecer. Quero subir correndo para o meu quarto. Quero fingir que isso não está acontecendo. Mas meu pai olha para mim. — Venha, querida. — Diz ele. — Dominik chegou… cumprimente-o. Meu estômago se revira. Eu deslizo as mãos pela lateral do vestido vinho, alisando o tecido como se isso pudesse me dar algum tipo de segurança e então começo a andar na direção deles. Cada passo parece mais pesado do que o anterior. Parte de mim torce para que algo aconteça. Talvez eu tropece. Talvez meu salto vire. Talvez eu simplesmente caia no chão. Qualquer coisa que me dê alguns segundos de escape, mas nada acontece. Eu uso salto desde os dez anos. Minha mãe sempre fez questão de que eu aprendesse a andar com perfeição e treinei durante anos. E agora… essa habilidade está me traindo. Eu paro diante dele. Dominik é ainda mais alto de perto. Muito mais. Ele olha diretamente para mim e os olhos dele são escuros, intensos, difíceis de decifrar. Eu faço um leve aceno com a cabeça. — Boa noite, senhor Copello. Seja bem-vindo. — Minha voz sai suave, educada. Exatamente como fui ensinada e eu estendo a mão. Dominik segura minha mão com firmeza e o toque dele é quente. Seguro. Ele se inclina levemente e deposita um beijo no dorso da minha mão. O gesto é elegante. Tradicional. — Obrigado, Rose. — Diz ele. — É bom vê-la. Meu estômago se revira novamente. Eu sorrio, apenas um sorriso pequeno bem nervoso. Meu pai bate palmas levemente, satisfeito com o momento. — Dominik, você quer beber alguma coisa? — Aceito. — Ele responde. Eu não faço ideia do que fazer agora. Não sei se devo sentar, se devo continuar em pé ou, se devo falar alguma coisa. Então simplesmente me posiciono ao lado da minha mãe. Ela continua sorrindo de forma impecável e creio que vai continuar pelas aparências. Dominik se acomoda no sofá maior da sala, o meu pai vai até o pequeno bar ao lado da estante e ele pega uma garrafa. Uísque. Ele serve dois copos. Um para ele e um para Dominik. Minha mãe se senta no sofá de dois lugares ao lado e eu observo a cena por alguns segundos antes de decidir me sentar na poltrona próxima. Assim mantenho uma pequena distância. Mas, eu percebo imediatamente o olhar duro da minha mãe. Mas finjo que não vejo. Meu pai entrega o copo para Dominik e mantém aquele sorriso largo. — Então… — Ele diz enquanto se acomoda. — Como estão os negócios? Dominik aceita a bebida. — Vão bem. — Ele gira o líquido no copo antes de continuar. — A empresa tem passado por novas etapas tecnológicas. Estamos expandindo alguns setores e investindo em novos projetos. — Ele toma um pequeno gole. — Tem crescido bastante. Meu pai parece satisfeito. — Imagino. Dominik continua: — Eu e meus irmãos estamos trabalhando muito para isso. A conversa começa a fluir naturalmente sobre negócios, mercado, tecnologia e investimentos. Eu escuto em silêncio. Meu pai é dono de uma enorme empresa de bebidas. Uma das maiores da região. Sempre ouvi falar sobre reuniões, investimentos e novas expansões. Mas agora, ouvindo Dominik falar da empresa da família dele… eu percebo que o negócio deles é gigantesco. Tecnologia. Desenvolvimento. Sistemas. Expansões internacionais. É muito maior do que eu imaginava e, então um pensamento atravessa minha mente. Com esse casamento… em alguns anos, Dominik comandará também a empresa do meu pai, porque ela será minha herança. Minha garganta seca. Que loucura! Eles ficarão ainda mais ricos, mas sob o domínio dele. A conversa continua, os dois parecem muito à vontade e o meu pai fala sobre novas distribuições de bebidas. Dominik comenta sobre avanços tecnológicos aplicados ao mercado e eu permaneço quieta, sentada com postura perfeita. Mãos delicadamente apoiadas sobre o colo e um sorriso educado. Mas sem dizer nada. Não sei como entrar na conversa. Não sei o que dizer. Os minutos passam assim até que meu pai se lembra de mim. — Rose é muito inteligente. — Ele diz de repente. Eu quase me engasgo. — Boa com comunicação, estudiosa e cheia de talentos... — Meu rosto começa a esquentar. — Ela foi a primeira da turma na escola. — Eu sorrio discretamente. — Toca harpa e piano, sabe costurar. Entende de jardinagem, fala três línguas e cozinha doces maravilhosos. Eu sinto vontade de desaparecer, sério mesmo! Sorrio educadamente, mas estou morrendo de vergonha. E então minha mãe remexe ali... — Pena que é sem sal. O silêncio cai sobre a sala. Meu coração dispara e Dominik franze levemente a testa. — O que disse? Minha mãe sorri rapidamente e disfarça. — Eu só disse que ela é sensação... — Ela pensa rápido. — Na cozinha... é isso. Eu engulo em seco. Ela é impressionante. Consegue mudar as palavras como se nada tivesse acontecido. Dominik olha para mim e os olhos dele permanecem atentos. — É bom saber disso. — Diz ele. — Então faz um pequeno gesto com a cabeça. — Meus parabéns. Eu sorrio nervosamente. — O senhor gosta de doces? Por que eu perguntei isso? Dominik parece considerar a pergunta por um segundo. — Depende. — Ele toma outro gole do uísque. — Vamos descobrir. Meu rosto esquenta ainda mais e eu sinto o enorme sorriso do meu pai ao meu lado. Os minutos passam enquanto a conversa continua até que uma das funcionárias aparece na porta da sala. — O jantar está pronto. Meu pai se levanta imediatamente. — Perfeito! Todos ficamos de pé. Meu coração começa a bater mais rápido enquanto caminhamos na direção da sala de jantar. O tempo parece se arrastar. Eu sinto cada passo. Cada respiração. Cada batida do meu coração. A mesa está posta de forma impecável com pratos finos, talheres brilhando e velas acesas. Meu pai se aproxima de mim discretamente e vem à minha orelha. — Sente-se ao lado dele. Eu quase faço uma careta, mas me controlo. Apenas aceno levemente e obedeço. Eu puxo a cadeira ao lado de Dominik e me sento. Ele se senta logo depois e eu sinto a presença dele imediatamente. Muito perto. Ele me deixa nervosa e… um pouco assustada. Mas há outras coisas também. Ele é cheiroso. Ele usa um perfume masculino forte e sofisticado, a postura dele é impecável. De perto, a voz dele parece ainda mais grave. Eu olho discretamente para as mãos dele e... são grandes. Fortes. As veias aparecem levemente no dorso. Claramente ele treina. Eu tento não olhar muito, mas é difícil. — É uma pena estarmos juntos aqui sem a Dayse. — Minha mãe diz do nada. O choque atravessa o meu corpo inteiro e o meu pai vira a cabeça rapidamente para ela, o olhar dele está incrédulo. — Não é hora disso! O silêncio fica pesado. Dominik fala então pigarreia alto. — Se não for incômodo… eu prefiro não falar do passado. Eu fico em choque com isso tudo. Minha mãe é maluca! — Concordo plenamente! — Meu pai responde imediatamente. Ele olha para minha mãe. — Não falaremos mais nada do passado... nada! Ele aperta a mão dela sobre a mesa e ela sorri. Um sorriso pequeno, sem graça e eu percebo uma coisa nesse momento. Essa noite… vai ser longa.
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