Há um peso no olhar do meu pai. É sutil, mas está ali. A rigidez na linha da boca. O cansaço mais acentuado. A forma como seus olhos escuros não encontram os meus de imediato. Meu sorriso vacila. — O que foi? — Pergunto, franzindo a testa. Ele não responde na mesma hora. Meu pai ergue o rosto e olha por cima do meu ombro, na direção da minha mãe, que já se aproxima de nós com a expressão preocupada. Ela conhece meu pai tão bem quanto eu. Talvez melhor. — Heitor? — Ela chama, parando ao meu lado. — O que aconteceu? Meu pai solta um suspiro lento. Um daqueles suspiros pesados, que parecem trazer junto o peso de uma notícia que ninguém quer carregar. Meu coração dá um salto desconfortável no peit0. — Pai? — Insisto, a voz saindo mais baixa agora. — Fala... Ele pousa uma das mãos no

