Quando ela chegou até a entrada do restaurante, foi até à recepcionista e lhe perguntou pela reserva feita por Glauber, a mulher muito educada, disse que ele já estava esperando por mim. Gostei disso, pois ele não me deixou esperando, um sinal de responsabilidade, ele não se atrasou, além disso, mostou que ele tem algum interesse por ela.
Eu a acompanhei enquanto ela passava por todas as mesas e me direcionava para uma parte mais reservada do restaurante, na verdade, era uma sala reservada, ele estariam sozinhos, aquilo deixou Martina mais calma. Embora, achei um pouco excêntrico, para um primeiro encontro. Mas, eu não deixei de segui-la.
Glauber estava já na sala, me esperando com um sorriso, ele pareceia não ter nenhuma dúvida sobre mim, minha identidade. Quando me viu, se levantou e veio até mim, trazendo no rosto um sorriso gentil.
— Boa noite Martinha.
Aquilo doeu nos meus ouvidos, ele falou meu nome errado, isso sempre me deixou irritada, mas eu decidi relevar.
— Boa noite, mas meu nome é Martina, não Martinha.
Ele deu uma risada leve e se desculpou, mas claramente, para ele, aquilo não queria dizer muita coisa. Era cedo, mas no momento em que viu aquele homem, Martina se arrependeu por ter vindo, sua personalidade em tão pouco tempo, já se mostrou ser diferente do que ele demonstrava nas conversas online.
Embora ele parecesse muito simpático, ela sentiu como se um lobo a estivesse olhando e ela fosse a cesta de doces da chapeuzinho, ela era a presa. Claro, que ela nem podia imaginar como esse pensamento fazia sentido naquele momento.
Mas, ela não se deixou intimidar, já está calejada das situações difíceis da vida. Desde que veio morar na cidade grande, ela havia aprendido a não ser indefesa, inclusive essa situação fugia completamente de todas as suas regras de segurança.
Ela trouxe dentro da bolsa um spray de pimenta, embora nunca tivesse chegado a usar em alguém, ela era completamente apta a usá-lo e não teria nenhum receio de usar.
Emile estava medindo o perigo da situação, ela tentou até mesmo fazer uma saída tranquila, mas como era de se esperar, o homem foi mais rápido.
— Isso é embaraçoso, mas acredita, que me deu v*****e de ir ao banheiro.
Se ela conseguisse sair daquela sala, claramente, ela só correria para o mais longe possível dali.
— Mas, você acabou de chegar querida.
— É que eu moro um pouco longe, acontece, sabe.
O homem não pareceu comprar a desculpa dela, assim como não pareceu disposto a deixá-la ir. Glauber parece saber muito bem o que está fazendo, pois conseguiu bloquear Emile na cadeira antes que ela tivesse qualquer reação de fuga.
Ela então decidiu que seria hora de ser mais clara, quando ela colocou a mão dentro da bolsa e segurou o spray, um homem que Emile julgou ser um garçon entrou na sala, ela não conseguiu vê-lo, pois estava encarando Glauber.
Emile respirou um pouco aliviada, porém Glauber sem nem ao menos deviar o olhos dela disse ao homem:
— Sai, sua presença não foi solicitada aqui.
Mas, o homem permaneceu ali parado, com a bandeja na mão. Quando Glauber se levantou para tirar satisfações com o homem, de certo, que ele iria reclamar por que o homem o estava atrapalhando. Antes que ele pudesse alcançar o homem, caiu feito pedra no chão.
Martina até então estava concentrada em sua própria situação com Glauber e em como iria se defender dos ataques dele. Olhou para o garçon, nesse momento ela tomou um grande susto.
O homem nã era um garçon e estava com uma a**a equipada com um silenciador apontada para ela. Sem nem mesmo dedicar um olhar para Glauber que estava estirado no chão, ela soube que ele estava morto e que ela seria morta também, como queima de arquivo, pois ela conhecia o assassino.
Ela fechou os olhos se preparando para o pior, que não veio, mesmo ela esperando por todo um minuto.
Pela primeira vez em toda a sua longa carreira de assassino profissional, Bernardo Gonzales vacilou em seu trabalho. O pior, é que não foi por ele mesmo e sim por outra pessoa, isso foi o que o deixou mais indignado. Ele não conseguiu eliminar uma testemunha de sua ação, ele ficou completamente incapaz quando viu o rosto apavorado dela, ainda por cima, ela não era qualquer testemunha, ela o conhecia e podia o delatar na primeira oportunidade.
Martina é a nova diretora do Recursos Humanos, da Lunes Entertaiment, empresa que pertence a ele. No trabalho, ela se destaca por ser a mais jovem diretora entre todos os outros diretores. Ela estava no cargo, única e exclusimente por merecimento, só que Bernardo percebeu desde o começo que ela era um perigo para ele, pois além de competente, ela é extremamente linda. Ele percebeu desde o primeiro minuto que a viu e sempre tentou manter uma distância profissional dela, pois ele não presta e não a merece.
Aqueles olhos castanhos claros, lhe rendeu muito trabalho para manter suas fantasias controladas, enquanto estavam no trabalho e agora, o impediram de matá-la, ele nem sequer cogitou essa possibilidade, no momento em que a reconheceu.
Na verdade, ele ficou furioso, havia recebido informações de que seu alvo Glauber, estaria se encontrando com uma pessoa para falar sobre o tráfico de armas, mas, quem ele encontrou ali, foi Martina, sua funcionária, a mulher que ele desejava, mas não podia ter.
Ele mataria o informante, pois é impossível que Martina esteja envolvida nos negócios sujos de Glauber. Ele fazia a verificação regularmente de todas as pessoas que trabalhavam para ele, Martina era a mais limpa de todas, garota do interior, que foi tentar uma vida melhor na cidade.
Quando ele tentou se aproximar dela, seu instinto foi acalmá-la, certamente, era a primeira vez que ela passava por isso na vida. Martina no entanto, o surpreendeu, tentando atacá-lo com um spray de primenta, porém, ele foi mais rápido e imbilizou-a com seu corpo contra a parede, aquele contato o deixou louco.