Collin
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3 semanas antes.
Eu tinha que mandar concertar a tela do meu celular, eu tentava apertar em uma alguma coisa e abria outra janela completamente diferente e as vezes ficava piscando como se fosse queimar.
Tinha vezes que nem ligava.
Eu já deveria ter feito isso, uns três meses atrás quando fui com o Jonas para comprar um terno para a cerimônia de caridade da mamãe. Nós fomos no shopping, compramos um monte de bugigangas e uma ótima cera para cabelos, aproveitei para comprar um relógio novo e um o par de brincos para dar presente a mamãe, só me esqueci de ajeitar o bendito celular.
O coitado estava nas últimas, suportando todo o meu m*l humor e um pouco mais. Eu teria que ceder a sua aposentadoria, mas sempre me esquecia disso.
Levando em conta que o aparelho era extremamente útil, ele era o meu passatempo favorito, poderia se comparar com o restante que fazia as pessoas felizes. Tipo... ir ao cinema, viajar, se apaixonar...
Escutei a voz da minha mãe na minha cabeça "Filho, o dinheiro não compra a felicidade, ele só compra o que mata os nossos desejos."
Desejo é?
Eu não desejava nenhum pouco sentar em uma cadeira e tomar conta de tudo. Eu não desejava usar um terno, nem desejava está nessa festa beneficente conversando com pessoas que eu m*l conhecia.
Ser rico era bom, mas eu só queria viajar para os lugares e viver da minha culinária. Eu tinha demorado um tempão para decidir o que fazer da vida, e escolhi algo que não envolvesse a carreira do meu pai.
Que na verdade é o meu tio.
Mas o dinheiro era importante, por quê ele encheria a barriga de muitas crianças e isso me deixaria feliz, esse era o único motivo pelo o qual eu ainda continuava ali.
Eu vesti um maldito terno, achado de "última hora" por conta do meu tamanho. Na realidade ele era o único que eu tinha e vestia em todas as ocasiões, eu não me importava, e não tinha por que ninguém se importar também.
De certa forma, era confortável, e eu só precisava ficar sentado assistindo os leilões acontecer.
—Dá um jeito nessa sua cara de merda, vai assustar todo mundo assim.
Bufei, me encostando na cadeira e cruzando as pernas por baixo da mesa. Olhei para a Nona, por quê sabia que além de mim ela era a única que odiava eventos cheios na nossa família.
Disfarçadamente ela arrancou um grampo da cabeça e pegou a taça com água para molhar a molhar a boca. Essa água continuava ainda na mesma margem desde que a festa tinha começado.
—A maquiagem não tá ajudando também.__ comentei.
Óbvio que era mentira, ela era linda de qualquer forma, e usando sombra e rímel ficava ainda mais bonita.
Ela aumentou a carrancada, também se encostando na cadeira.
—Eu sei qual o problema do meu m*l humor, mas você não costuma ficar assim.
—Eu não lembrava que tinha que vir aqui. Sabe quantas mensagens o papai mandou?
—Acredito que pelo menos metade do tanto que vieram até mim.
—Eu sei que foi ele quem te pariu, mas eu não entendo como aquela coisinha melosa deu a luz a uma pessoa como você.
—Eu sou carinhosa.__ retrucou.
—Só me ver quando é para tirar algum pedaço de mim.___ eu revirei os olhos. —Passei mais de quatro anos fora e você só veio me ver agora.
—Oras... O que quer que eu diga? Eu já te abracei e disse que senti a sua falta.
—Depois me pediu para passar lá no seu escritório para tirar sangue.
—Ah... Collin...
—Vai dizer que não é verdade?
—O que posso fazer sou uma pessoa ocupada. E ainda tem aquele... Urgh... Aquele pestinha que vive me tirando do sério.
—Quem?
—Um amigo meu. Você não o conhece. A propósito, o que houve com o concurso no México?
—Ah... Eu só achei que seria bom passar um tempo em casa.
—Collin...
—Não me julgue, eu prometi para a mamãe que passaria todos os aniversários dela com ela.
—Você sabe que essa promessa está comprometendo a sua vida.
—É uma promessa.
—Então, por que você só não fica por aqui? Pode ajudar o papai...
—Não quero trabalhar na empresa. Acredito que se eu me sentar naquela cadeira o papai nunca mais vai deixar eu sair de lá.
—Você não acha que ele está ficando cansado?__ ela pegou um doce e mordeu, fazendo uma careta, depois insultou o amendoim e cuspiu na palma da mão, jogando a comida por baixo da mesa.
Ela tinha pegado todas as manias do marido.
—O Jonas tem o ajudado muito bem.
—O Jonas tem o próprio negócio.
—Mas já que você você não pretende ser esse tipo de CEO, ele como o segundo mais velho não deveria assumir?
—O que tem eu?__ ele que estava sentando na nossa frente, tirou os olhos do palco e me encarou.
—Nada.__ eu e a Nona dissemos em uníssono.
—Eu ouvi meu nome.
Ignorei ele e voltei a minha pergunta a Nona.
—Por quem tem que ser eu? Já não conversamos sobre isso?
—Por que será? Eu e o meu irmão temos a metade da metade daquilo tudo em testamento. Diferente de você.
—Eu dei a minha outra metade para o papai.
—Mas ele não quis, além do mais, seu nome também não está no testamento?
—Eu pedi para que...
—Você acha que ele escutaria uma baboseira dessas? Você odeia esse dinheiro como se fosse um m*l incarnado, e vive em casas e lugares perigosos por puro capricho. Você seria ter o bom senso que muitas pessoas se matam de trabalhar e nunca vão ver a cor daquilo em vida.
—Não é meu. Eu não quero.
—Ah.... Que diabos! Quanta mer...
—Amarilis, já deu.__ Jonas interveio.
—Deu? Você mima de mais ele, por isso que ele fica falando essas coisas idiotas.
—A escolha é dele, não sua.__ ele retrucou.
—Eu só estou preocupada. Você acha que isso é saudável? Você se muda mais do que cigano. Eu ligo para você e você está sempre em um um país diferente, sabe-se lá como faz isso.__ ela olhou para o nosso irmão e continuou.— Ele nem se quer movimenta o dinheiro na conta.
—Viajar nunca é de mais.
—Ele chegou na casa dos nossos pais tão magro que aprecia um espantalho. Eu até me assustei quando o vi por chamada de vídeo.
—Também não precisa exagerar.__ resmunguei.
—Exagero? Você parecia...
Nós fomos interrompidos no meio da nossa leve discussão familiar quando um casal passou por nós e nós cumprimentou.
Meus irmãos falaram brevemente com as cujas pessoas e depois voltaram a ficar em silêncio.
—O que foi?__ minha irmã perguntou.
—Não é nada.__ relaxei um pouco a mandíbula, meu rosto estava todo dolorido por causa da tensão. Eu ia acabar precisando tomar remédio para dor de cabeça antes de dormir, isso se eu chegasse em casa inteiro, essa festa estava sugando toda a minha energia interna sem dó.
Seria um problemão dirigir tão m*l assim, o jeito era pegar um uber ou pedir para motorista do papai. Eu sabia que ele iria ficar um pouco ocupado essa noite ajudando o pessoal bêbado, mas preocupado do que jeito que era o papai, era mais fácil ele me colocar na uti do que me deixar ir para casa. Eu teria que dá um jeito de sair de fininho então.
—Falta de sexo ou... Falta de sexo?
—Ah Nona... __ esfreguei as mãos no rosto, suspirando alto e sentindo minha cabeça martelar como o inferno.
—Falo sério. Isso pode ser excesso de feromonina.
Não, não era. Se ao menos ela imaginasse que minha dor de cabeça não era por causa disso... talvez ela fosse um pouco mais boazinha.
Há! Boazinha, que piada. Nona não tinha fachada de boa moça, ao invés de me dá um sorriso terno talvez só enfiasse uma agulha no meu pescoço e me transforme no seu ratinho de laboratório.
—Não quero te encontrar morto por causa de uma coisa tão banal assim.
Estreitei os olhos, me perguntado quando mesmo eu tinha pedido sua opinião. Além do mais, quem morria por excesso de falta de sexo?
E ela continuou resmungando.
—Você tem boa aparência, não deve ser difícil encontrar alguém para ter sexo casual.
—Não estou na seca.
—Eu não perguntei sobre a sua vida s****l.
—Mas você comentou sobre isso.
—São coisas completamente diferentes. Além do mais, acho que seria interessante apresentar você para uma pessoa que eu conheço.
—Nem vem.__ respondi, receoso.__ Já basta o papai.
—É um cara legal, você vai gostar dele. E acho que faz o seu tipo.
—Sem encontros. Não preciso da sua ajuda.
—Quando foi a última vez que transou?
—Nona... Tá, já chega, eu entendi, ok?
Não queria que ela entrasse nos métodos, daqui a pouco estaria me julgando por ser r**m de cama.
—Espero que tenha entendido mesmo.
—Podemos só continuarmos sentados... Em silêncio...
Ela cruzou os braços e jogou parte do cabelo para trás, deixando a mostra o brinco que tinha dado a ela no natal passado. Era azul, as pedrinhas bem posicionadas formando um ramo de folhas, ia da parte inferior do lóbulo da orelha para cima, até o encontro com a cartilagem. Eu não era bom em escolher presentes, por isso sempre escolhia brincos ou outros acessórios, por esse motivo também ninguém da família se preocupava em ficar comprando adornos.
Eu era como os avós que davam meias, só que no meu caso, brincos.
Pouco tempo depois, dos poucos segundos de mudez, ela me deu um sorriso pretensioso e apontou para uma mulher que parecia está passando m*l.
—Aposto vinte que a senhora Fernandes vai ficar bêbada e vomitar nos bonsais do papai.
—Isso de novo...__ murmurei.
—Qual a sua aposta?
Todo ano alguém vomitava nas plantas do papai. Jonas ganhou quinhentas pratas ano passado.
—Não vou apostar nada.
Eu não estava no clima, por algum motivo o "tédio" havia me deixado ainda mais irritado. Eu queria ir embora!
Embora!
—Acordou do lado errado da cama hoje, irmãozinho?
Jonas chegou por trás, colocando em minha mão uma taça com champanhe. Eu olhei para cima e o rosto bonito do meu irmão brilhou, radiante, como o sol. Um sorriso cheio de dentes e depois de um beijo na bochecha ele se sentou ao meu lado.
Ele sempre ficava pegajoso quando bebia.
—Sabe quê o papai vai te matar se causar uma cena.
—Ah!__ ele deslizou para a cadeira ao meu lado, se aproximou um pouco e pôs a cabeça sobre o meu ombro. Com um pouco de dificuldade encheu a taça com mais bebida, e fez um gesto para que eu bebesse.—Não me deixe fazer cena sozinho, vamos animar essa festa chata.
Neguei com a cabeça, eu não estava no clima para isso também.
—Eu aposto duzentos que será a senhora Fernandes.
—Essa aposta já é minha.__ Nona apontou para o próprio peito.
Eu olhei por cima do ombro, a procura de algum bêbado que seria mais alguma das vítimas, mas a senhora das apostas dos meus irmãos era a única dando show ali. Os outros convidados estavam meio misturados, todo mundo não estava mais radiante assim como chegaram, de alguma forma papai continuava na pose animada e conversando com os convidados como se pudesse manter o sorriso no rosto durante toda a noite. Eu me perguntava como é que ele não se cansava. Eu estava cansado só de olhar para ele.
—...Você?
—O quê?__ tornei a prestar atenção aos meus irmãos. Eu só tinha pegado o finalzinho da conversa, então não sabia exatamente do que se tratava.
—Estamos combinando de dá o fora aqui e beber lá no Fred!
—Por quê? Você já não está bebendo?
A garrafa de champanhe estava abaixo de meia, e talvez nem fosse a primeira dele.
—Mas você não.
—Estou com dor de cabeça.__ Não era uma desculpa mentirosa, se eu bebesse ela só iria ficar pior no dia seguinte.
—Eu topo.__ Nona se prontificou.
—Vamos.__ Jonas segurou em meu ombro e sacudiu meu corpo para que eu reagisse.
—Jonas, para com isso.
—Vamos! É sério!
—Não quero.
Eu não queria ir para um bar, mas também não queria ficar ali.
—Por favor, eu não bebo com o meu irmãozinho a tanto tempo.
Eu olhei para o bico que ele estava fazendo.
—Você se parece tanto um ômega.
—Ômega... Certo... Eu fico você me usar de desculpa para afugentar qualquer pessoa. Só vem com a gente.
Depois de pensar um pouco decidi ceder a insistência do meu irmão, se eu me arrependesse da decisão no meio do caminho era só ir para casa.
—Ok.