Uma bela amizade!

2011 Words
Era uma terça-feira que havia começado m*l, Tony estava exausto, a sua noite havia sido agitada, e a sua manhã prometia a mesma agitação. Ele não deveria ter dispensado aquela morena de olhos verdes apenas para aperfeiçoar a sua I.A. e experimentar o novo motor, mas ao menos assim não haveria mais problemas com o sistema de reconhecimento e agora ele sabia onde a polícia não o perseguiria. Ao menos era o que ele esperava. Entrando na instituição, Tony notou algo que ele já deveria estar habituado a ver. Os alunos estavam todos se acumulando pelas vitrines dos corredores, o que só poderia significar uma coisa naquela altura, os resultados das provas do semestre haviam saído no dia anterior, portanto, as tabelas dos melhores alunos da instituição estavam fixas naquelas vitrines, e todo mundo queria conhecer “Os mais dedicados”, “Os génios”, “Os prodígios”, entre outros nomes que eles recebiam apenas por terem os seus nomes e as suas fotografias em uma lista. Tal como sempre fazia, Tony ignorou as vitrines e as multidões para chegar na sua sala. Era sempre a mesma coisa, ele já sabia que estava em primeiro, mesmo sem ter se esforçado, por uma vez, queria que alguém fosse melhor que ele apenas para reacender a chama da vontade que ele tinha de ser o melhor da instituição. — É, dessa vez não consegui... — O Stark ouviu uma garota lamentando, mas como não a conhecia ignorou. — Deixa, para a próxima você reconquista o terceiro lugar e o Tony Stark também! — Tony parou de caminhar, mas não se virou para encarar as duas mulheres que já nem tentavam esconder suas fofocas falando alto daquele jeito, quem as ouvisse pensaria que ele havia dado esperanças para a loira, mas embora quisesse colocá-las nos seus devidos lugares, ele simplesmente as evitou, estava de mau-humor e não tencionava mudar o seu estado por nada! O mais triste era saber que mais uma pessoa naquela Universidade se esforçava apenas para chamar a sua atenção. Passando por mais um corredor, o garoto passou por mais um aglomerado em frente a mais uma vitrine, era incrível como aquela instituição se preocupava em classificar tudo e todos o tempo todo, até competições entre Universidades eles criaram para provar que são os melhores. Desperdício de tempo... — Como ela consegue? — Uma voz aguda fez-se ouvir. — Ela fica em segundo todos os semestres, e dessa vez quase empatou com o primeiro! — Novamente Tony parou por um comentário de um desconhecido, mas diferente da primeira vez naquela manhã, ele não ignorou e foi a passos firmes até a multidão que abriu caminho ao perceber a aproximação dele até a vitrine. Sem demora o Stark leu o nome completo da garota antes de verificar todas as notas e constar que apenas por dois míseros pontos em uma prova ela não havia empatado com ele. Após um olhar surpreso, um sorriso vitorioso brincou nos lábios do moreno que deu meia volta e voltou a caminhar, mas dessa vez ele não iria diretamente para a sua sala de aulas. "-"-"-"-" A garota de longos cabelos ruivos arrumava as suas coisas no seu armário. Apesar de ter acabado de averiguar as suas notas ela não estava assim tão feliz, e pensar que o seu humor mudou em apenas um instante... Se a sua mãe a visse, decerto que diria que ela era pessimista demais, mas ela não era pessimista, a garota era apenas realista. Suspirando mais uma vez e fechando o cacifo, a ruiva conseguiu ver o moreno se aproximando. Ela queria sair dali para não falar com ele no momento, mas passou tempo demais pensando em como sair dali sem ser vista, e como resultado acabou agindo tarde demais e quando deu o primeiro passo bateu de frente com o Stark. — Oi Moranguinho! — Cumprimentou com o objetivo de irritá-la. — Oi... — Embora não quisesse, acabou forçando um sorriso. — Não sabia que sair como uma das melhores alunas da Universidade inteira era assim tão desagradável! — Brincou. — Ah! Então é sobre isso que você queria falar comigo... — Perguntou sem vontade. Tony franziu o cenho. — Ei! Pep. — Chamou erguendo o rosto dela delicadamente com um toque simples no queixo. — O que você tem? Parece que tiveste uma noite pior que a minha... — Não, a minha noite foi maravilhosa... — Pensou, realmente não tinha do que reclamar da noite passada, após saber do estágio, os seus pais quase pularam em cima dela de tanto orgulho. — O que aconteceu para sua noite ser considerada péssima? — Apesar de parecer distante, a sua pergunta era de alguém realmente preocupada. — Fui perseguido pela polícia! — A garota arregalou os olhos surpresa. — Porquê? — Excesso de velocidade! — Respondeu com um sorriso, naquele momento, a situação que ele havia achado ridícula parecia engraçada. Talvez pelas reações da Potts. — Nossa, pela sua cara parece algo grave! — O olhar de surpresa da ruiva transformou-se em um olhar preocupado. — Não brinques Anthony, isso é grave! — Repreendeu o moreno. — E o que aconteceu? Você não se machucou, pois não? — Tony gostava de ver a garota se preocupar com ele, talvez pelo facto dela ser a única garota que se preocupava com ele de verdade, ou por ela ser sua amiga sem segundas, ou terceiras intenções, mas a verdade é que a ruiva chamou a sua atenção desde a primeira vez que se viram e conversaram, quer dizer, para estar na tabela dos melhores alunos da instituição com notas tão boas durante dois anos seguidos tinha que ser bem dedicada. — Não, eu não me machuquei, mas recebi uma multa e um aviso. — Falou tranquilo. — Quem me dera estar tão descontraída quanto você! — Desejou. — E vamos voltar ao assunto que você mesma desviou... — Analisou. — Vais contar-me o que te deixou assim, ou preferes mudar de assunto novamente? — Prefiro mudar de assunto... — Foi honesta. — Ok, mas você está triste demais para que eu faça isso. — A garota respirou fundo. — Conta! — Pediu, como sempre estava disposto a ouvi-la, e mesmo parecendo ser intrometido decidiu insistir porque sabia que falar sobre as suas angústias, os seus medos e basicamente tudo um com o outro os fazia bem. — O relógio que a minha mãe ofereceu-me quebrou... — Confessou ficando novamente triste. — Como? — Tony sabia o quanto aquele relógio era importante para ela. — Você reparou na quantidade de estudantes presos nas vitrines? — Abanou a cabeça para afirmar, era impossível não reparar naquilo. — Pois é, eu estava perto de uma quando anunciaram que a tabela estava afixada eles correram que nem loucos e literalmente me esmagaram. — Eu sinto muito... — Não precisa, você não tem culpa de nada mesmo. — Tony queria alegrá-la de alguma forma, e daria um jeito para o fazer, mas antes... — Você não se machucou, né? — Realmente ele teria que perguntar, mesmo sabendo que ela poderia mentir para ele. — Não... Eu estou ótima... — Foi curta com a resposta, ao menos fisicamente estava bem... — Certo… — Rapidamente o seu cérebro formulou uma solução para alegrá-la e uma forma de tirar vantagem. — Estás com o relógio guardado? — Perguntou. — Sim... — Respondeu tentando entender o que ele queria ao certo. — Posso ver? — Após olhar para ele de forma interrogativa, Pepper abriu o seu armário novamente e de lá tirou o seu relógio, ou melhor, os pedaços dele. Tony não conseguiu evitar e passou os olhos rapidamente pelo armário totalmente personalizado. Um sorriso simples surgiu involuntariamente nos seus lábios quando observou a fotografia deles colada na parede do mesmo. A fotografia foi tirada no parque durante um piquenique noturno no Dia dos Namorados. Eles não eram nada além de amigos, mas era chato passar aquele dia observando os casais todos coladinhos, por isso o Stark quase esmagou a ruiva em um abraço apertado quando ela apareceu na porta da sua casa o convidando para um encontro de amigos com uma cesta de piquenique nas mãos. Ele nunca se esqueceria do sabor daquela torta feita especialmente por ela para ele, mas também não se esqueceria da reação alérgica que provocou nela após fazer uma surpresa com morangos. — Aqui está... — Tirou o amigo dos seus felizes devaneios sem perceber. O Stark pegou o objeto e o observou atentamente. — Eu posso consertá-lo. — A Potts arregalou os olhos surpresa. — Sério? — Perguntou. — Sim! — Respondeu. — Obrigada Anthony! — Saltou nos braços dele para o abraçar. Além de rir, Tony retribuiu o gesto. — De nada, Moranguinho! — Eles se separaram rapidamente. — Não me chames assim! — Apesar de querer parecer brava, o sorriso em seus lábios tingidos com um batom simples não contribuía. — Quanto vai custar? — Absolutamente nada! — Respondeu achando aquela pergunta um completo absurdo, porque ele cobraria algo se o sorriso dela já era o suficiente? — Não é justo, se você vai consertar eu devo pagar! — Rebateu. — Nada disso, Pepper não é mesmo necessário... — Anthony, não é assim que funciona! — O moreno deu-se por vencido, sabia que alguém teria que perder, e embora não quisesse, ele teria que perder a batalha para vencer a guerra. — Está bem, como pagamento podemos ir jantar juntos no sábado! — Ela estreitou os olhos. — O que foi? É sempre bom estar acompanhado de uma mulher bonita! — A ruiva sorriu e revirou os olhos. — Está bem, mas eu pago o jantar! — Claro. — Falou irónico. — Anthony! — Percebeu pelo tom de voz que ele não falava sério. — Ok!... — Guardou o relógio da garota no bolso. — Eu não vou permitir que você pague o jantar de sábado porque fui eu que convidei! — Deixou claro. — Mas se a senhorita quiser pagar-me um café... — Novamente ela revirou os olhos. — Está bem, para quando? — O moreno olhou para o seu relógio, faltavam dez minutos para que as aulas começassem. — Que tal agora? — Pepper arregalou os olhos. — Mas eu tenho aula agora... — Indagou. — Eu também tenho aula agora, mas tomar um café com você é sem dúvida mais interessante! — Sorriu galante. — Anthony, eu não... — Tentou negar, mas ele não deixou. — Vamos lá Pep, nós precisamos descontrair um pouco! — E para que serve o fim de semana então? — Perguntou como se fosse óbvio. Tony fez uma careta antes de responder. — Você não pensa que os melhores alunos dessa Universidade merecem celebrar como deve ser? — Não nesse horário! — Retrucou. — Humpf! — Resmungou. — Vou ter que implorar? — Perguntou torcendo os lábios em um bico fofo. — Não faça essa cara Anthony... — Pediu, mas os olhos de cachorro abandonado do amigo não ajudavam. — Aff, está bem! — O Stark sorriu vitorioso. — Vamos logo antes que eu me arrependa... — Pediu hesitante com a face levemente corada por se sentir culpada de algo. — Ok! — Ele segurou firmemente a mão dela. — Vamos! — Começou a correr com ela acompanhando-o cambaleante. — Ei!... Anthony!... Espera! — Ele apenas olhou rapidamente para ela e sorriu, Pepper retribuiu o sorriso como se tivesse entendido o recado e os dois saíram correndo pelos corredores como se fossem duas crianças. Era assim que as coisas aconteciam desde que se conheceram naquela manhã de primavera durante o segundo ano deles naquela instituição. Era fácil observar os dois quase sempre juntos desde então, suas conversas demoradas, seus sorrisos encantadores, suas brincadeiras repentinas. Um animava o outro com simples palavras e gestos, os dois se entendiam e se toleravam, o que fazia algumas pessoas sentirem ciúmes de tamanha amizade e outras suspeitarem da existência de algo maior, mas a verdade era que os dois se amavam, tal como dois amigos inseparáveis!
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