O silêncio naquela casa nunca era completo. Sempre havia um ruído distante — passos contidos, portas fechadas com cuidado excessivo, o som quase imperceptível de alguém tentando não ser visto. Darian conhecia aquele tipo de silêncio melhor do que qualquer outro. Era o silêncio que antecedia decisões irreversíveis. Ele desceu ao porão sem pressa. Não porque não estivesse irritado. Mas porque a raiva, quando bem controlada, era uma ferramenta mais eficiente do que qualquer arma. A lâmpada no teto ainda oscilava levemente. O concreto frio, as paredes nuas, o cheiro constante de umidade e ferrugem. Luca estava onde sempre estivera — sentado, as costas apoiadas na parede, os pulsos presos à frente do corpo. Não havia desafio em sua postura. Tampouco submissão. Apenas uma aceitação silencios

