Capítulo 56

2310 Words
Capítulo 14 A Nora se aproximou da porta, deitou encostada ao lado de fora e dormiu lá a noite toda. Rebeca encostou na porta, as duas ficaram perto. Ela passou a noite toda lá no chão da sala, sentindo um vazio imenso dentro de si. Ao amanhecer, o Ramon levantou, viu a porta do quarto dela aberta, a cama arrumada. Ele saiu procurar por ela, se aproximou devagar, abaixou perto e falou: — Rebeca, vem, vamos para o quarto! Ela nem se mexeu, continuou olhando para um ponto fixo, com o olhar cético. Ele perguntou por que ela não tinha dormido, e se não estava tomando os remédios. Ela respondeu com indiferença, levantando: — O que você quer? Ele falou surpreso com a hostilidade: — Nada, só acho que não é bom que você passe as noites sentada aí. Sem falar nada, ela foi para o quarto, colocou o uniforme, foi para a cozinha. Ramon estava tomando café da manhã. Ela pegou suco na geladeira, tomou os remédios que deixou lá em cima da mesa de noite, ficou em pé, encostada na pia, olhando para a televisão com um olhar vazio, perturbado, cansado. Noah entrou na cozinha, falou bom dia. Os dois responderam. Rebeca continuou como estava, com o copo na mão. Ele falou reparando no quanto ela parecia abatida, triste: — Quer ir lá fora com a gente? Uma hora ou outra você vai precisar ir lá. Ela balançou a cabeça que não. Os dois foram saindo. Ramon falou para o Noah: — Ela não dormiu a noite toda, ficou sentada lá na sala de novo. Ela não está bem! Ele respondeu se sentindo culpado: — É, eu sei. Deixa ela, logo ela se acostuma! Irônico, o Ramon falou: — Acostuma? Acho difícil, não tô entendendo por que você tá fazendo isso, cara! Por que esse interesse todo nela? — Ela nem era tão amiga da sua irmã. Noah estava sério, falou hesitante: — Interesse? Ela me pediu ajuda, é só pela minha irmã. Se não, pelo o que seria? Eles estavam no quintal se alongando. O Ramon falou, encarando o Noah nos olhos: — Faz quanto tempo que somos amigos? Vinte anos? — Eu vi você sozinho com ela, na boate. Na arena. Noah concordou. Ramon continuou falando: — Eu te conheço, bem até demais. Tá interessado nela? Tipo? Faz um tempo que você não está tão bem com a Kim, mas... Noah interrompeu com deboche: — Hummm, mais o quê? Você já olhou pra Rebeca? Hein? Ramon sorriu, disse que não tinha reparado em nada. Noah respondeu: — Mentiroso, você é muito pior que eu, de longe. Não tenho esse tipo de interesse nela e acho bom você também não ter! Ela é diferente, um moleque de dezoito anos já fez o bastante e ele nem se esforçou, ferrou com a cabeça dela. Imagina o estrago que alguém como nós pode causar. Ramon falou exultante: — É, ela é especial. Não que eu tenha reparado muito, mas ela é linda, tem um jeitinho único, uma beleza diferente que se destaca sem precisar de esforço. Faz tempo que eu não vejo uma mulher assim. Noah falou irônico, rindo: — Claro, você vive no meio de p.uta. Ela não parece acessível, mesmo sendo frágil, e não é do tipo que se vende ou que se deixa levar. Fora as possibilidades, ela não tem experiência nenhuma com nada. Se bobear, ainda é vir.gem ou quase. Ramon falou que ela ia continuar sendo então, porque aquilo era uma coisa que ele não faria, nem se ela pedisse. Em um tom de brincadeira, o Noah falou que até faria o esforço, se fosse solteiro, chegou a confessar que já tinha até imaginado algumas coisas, um pouco sórdidas pra uma novinha como ela. Ramon falou que não era tão sacana, que só tinha imaginado o básico, que ela não ia nem precisar se esforçar, era só deixar ele se divertir um pouco, chupar a bucet.a ruiva, pra ela se derreter na boca dele. Noah falou rindo: — Ahhh, você é mole. Eu só queria pegar ela com força, virar até de cabeça pra baixo! Fazer ela implorar pra levar tapa. Começaram a dar risada, continuaram falando besteira, mas ambos concordaram que seria covardia mexer com alguém como ela. Noah ainda aproveitou pra falar sobre o relacionamento dele, disse que estava ansioso para a viagem e o novo tratamento que a Kim ia começar a fazer. Já adiantou que ela poderia ficar estressada, com mudanças repentinas de humor. Ramon disse que ia valer a pena, pelo menos dali um ano, quando ela realizasse o grande sonho e tivessem o bebê. Começaram a falar sobre isso. O Noah disse que ficava imaginando como seria o filho deles, um menino como ele ou uma menina como a Kim, talvez gêmeos por causa do tratamento. Ramon perguntou se ele tinha certeza que seria boa ideia levar a Rebeca na viagem. Ele respondeu: — E eu tenho muita opção? A Estela fez o favor de dar problema logo agora. A Kim não pode nem ouvir falar o nome dela, está muito magoada! Ela ficou decepcionada, sabe? Nem ficou tão brava! Espero que se entendam. — O Ayres vai fazer falta. Os dois estavam na academia, depois foram para o quintal, começaram a jogar capoeira. Lá dentro, a Iolanda levantou, começou a fazer as coisas dela, arrumar a casa. Pediu ajuda para a Rebeca. Elas começaram pelos quartos lá em cima. Não tinha muito o que fazer, a casa sempre estava organizada. Rebeca estava no quarto do Toni terminando. Iolanda saiu do quarto principal, falou pra ela ir lá pegar as roupas sujas, tirar os lençóis. Rebeca entrou pela primeira vez lá. O Toni estava deitado em uma poltrona, mexendo no celular. Ela falou com ele: — Oi, Toni. Ele respondeu em inglês: — Olá, bom dia, Rebeca. Kim falou da porta do banheiro: — Toni, na língua dela, por favor. Bom dia, Rebeca! Ela falou bom dia, disse que tinha ido tirar os lençóis e pegar as roupas sujas. Kim falou, tirando o roupão, ficando só de lingerie, um body muito sexy, todo em renda: — Pode vir aqui, eu já ia mesmo te chamar. Rebeca olhou surpresa, ficou sem jeito por ver a Kim semi nua. Ela continuou falando, andando pelo banheiro, mexendo no celular: — O cesto fica aqui, embutido, escondido. Temos que sair hoje de novo. Na verdade, eu tenho que ir e a Iolanda tem médico, então não posso deixar o Toni sozinho com você. Ela percebeu que a Rebeca estava morrendo de vergonha e falou com deboche: — Você está bem? Ela respondeu cabisbaixa, com o cesto na mão: — Aham, posso ir? Kim se aproximou bem na frente dela, falou tirando a lingerie: — Espera aí, você já leva tudo de uma vez. Então vai sair comigo hoje? Ou ficar sozinha? Rebeca já estava vermelha, tentou desviar o olhar para o espelho, mas lá viu o reflexo da Kim nua, ela era lindíssima. Falou que ia, se ela quisesse. Kim sorriu e falou, indo para o chuveiro: — Eu que deveria estar envergonhada e não você. Não está acostumada com isso, né? Rebeca falou séria: — Não, acho que a primeira mulher que vi mesmo sem roupas foi a Aisha. E eu nunca nem me troco na frente de ninguém! Kim falou embaixo do chuveiro: — É, eu imaginei. E aí, está afim de sair? Se quiser pode ficar. Rebeca balançou a cabeça que não, pediu desculpas. Kim estava tomando banho, colocou a cabeça pra fora do box e falou: — Se quiser conversar, pode se abrir comigo. Sei que você está chateada por tudo o que vem acontecendo. Eu também não estou legal, mas isso vai passar. — Logo vamos viajar, você vai ver muitos lugares bonitos, vai se distrair e logo essa fase difícil ficará pra trás. Rebeca começou a chorar triste. Kim continuou falando: — Não chora, quer que eu te abrace sem roupa? Acho que não, né? Ela sorriu, enxugando as lágrimas, disse que era melhor não. Iolanda entrou conversando com a Kim. Rebeca saiu do banheiro, foi trocar o lençol que a Iolanda levou para o quarto. O Toni falou curioso: — Por que você está chorando? Ela disse que não estava. Logo saiu do quarto tentando não chorar. Foi para a lavanderia se sentindo m*l, com taquicardia, falta de ar, dor de cabeça, as mãos trêmulas formigando. Começou a chorar debruçada, apoiada na máquina de lavar, com muita falta de ar. Era uma crise de pânico, boca seca, o formigamento se espalhou no corpo todo. O Toni tinha ido atrás dela. Quando a viu, ficou parado olhando assustado. Ele estava um pouco longe. Ramon viu ele primeiro, foi ver o que ele estava olhando. Quando viu ela, pediu para o Toni ir no quarto ligar o videogame. Ele falou assustado, quase chorando: — O que ela tem? Ramon falou que era só um m*l-estar, que já ia passar. Pediu novamente para o Toni ir para o quarto. Ele se afastou, ainda olhando, sem entender. Ramon se aproximou da Rebeca, falou com ela acariciando suas costas: — Fica calma, o que você está sentindo? Respira fundo, Rebeca. — Puxa o ar pelo nariz e solta pela boca. Ele chegou mais perto, amparando ela, chamou pra ir deitar. Ela o afastou hostil, tirou as mãos dele, foi até o tanque, lavou o rosto, os pulsos e a nuca. Foi se acalmando sozinha. Ele ficou perto olhando com pena. Ela falou séria: — Eu tô bem. Pode ir, vai. Ele falou irônico: — Está bem? Não mesmo. Ela o encarou como se ele tivesse culpa de alguma coisa, foi para a cozinha, começou a guardar a louça cabisbaixa, com o rosto e os olhos vermelhos. Toni voltou do quarto ainda assustado, quase chorando, ficou olhando ela de canto. Ramon falou com ele: — Viu? Ela já está melhor. Vamos jogar lá na sala? Ela ficou quieta, de costas pra eles. O Toni falou baixinho: — Ela vai morrer? Kim chegou na cozinha. O Ramon disse que não, se abaixou perto dele, o abraçou. Sem entender, a Kim se aproximou do Toni, perguntou por que ele estava chorando. Ele falou que a Rebeca estava doente. Kim abraçou ele, perguntou por que ele achava aquilo. Rebeca falou, indo sentar muito desconfortável: — Eu fico m*l quando estou com fome, Toni. Tá tudo bem! Olha, já passou. Sinto muito por ter assustado você, me desculpa! Ele falou em inglês: — Não quero mais ficar com ela. — Estou com medo. Kim falou em inglês: — Não precisa ter medo, ela estava passando m*l e precisa de ajuda. O que você acha de nós prepararmos um lanchinho pra ela? — Se ela não comer, fica m*l. Vamos lá? Ele balançou a cabeça que sim, se aproximou da Rebeca, perguntou o que ela gostava de comer. Ela falou tentando se manter calma: — Água, suco. Você pode me ajudar? Pra eu ficar bem, rápido? Ele falou irônico: — Água e suco são de beber. Eu gosto de comer frutas com mel e granola ou torrada com patê. Ela disse que parecia tudo ótimo. Ele saiu correndo, foi para a outra cozinha, falando: — Espera, eu já volto! Ela falou para a Kim: — Desculpa, eu não sabia que ele estava perto. Não vai acontecer de novo! Kim falou surpresa: — E você acha que pode controlar isso? Infelizmente não funciona assim. Está tudo bem. — Vou terminar de me arrumar e já volto pegar o Toni. Está tomando os remédios? Pra ansiedade? Pra dormir? Ela disse que ia tomar, que não gostava de como se sentia com eles. Kim falou: — É, eu sei que no começo é difícil, mas depois de algumas semanas fica melhor. Tenta tomar tudo certinho e, se daqui um mês não melhorar, a gente troca e vê o que podemos fazer. Rebeca estava querendo chorar, constrangida. Kim continuou falando: — Vou olhar o que o master chef está fazendo, porque você vai ter que comer e eu não quero ninguém com intoxicação alimentar aqui. Ramon estava na cozinha ouvindo tudo. Pegou um copo de água e colocou na mesa perto dela. O Toni estava falando da outra cozinha: — Eu já vou, espera um pouquinho, tô indo. Ela disse que estava esperando ansiosa. Ele voltou correndo com um prato que tinha uma fatia de queijo, uma de peito de peru, um cacho de uvas, dois pedaços de chocolate e uma torrada. Kim falou, rindo da porta: — Eu já volto, boa sorte aí. Ramon, fica de olho neles, por favor? O Toni sentou na mesa, falou que ela não precisava comer o que não gostasse. Ela falou sorrindo sutilmente: — Eu nunca comi isso e nem essas uvas. Você gosta? Ele disse que sim, mais que não podia comer do prato dela. Ela falou: — E se eu oferecer? É muita coisa só pra mim. Ele comeu quase tudo. Ela agradeceu, disse que já estava muito melhor. Quando a Kim foi chamar ele pra sair, ele falou em inglês: — Por que ela sempre está triste? Kim falou que era porque ela perdeu as pessoas que amava. Ele falou pensativo: — Igual a nós? Kim disse que sim. O Toni se soltou da mão dela, voltou correndo para a cozinha e abraçou a Rebeca de surpresa. Ela não estava esperando, sorriu pra ele, ficou toda boba. Ele disse que ia trazer uma surpresa da rua pra ela. Saíram os quatro, Noah e Ramon foram juntos. Só ficaram ela e a Iolanda em casa. Rebeca ajudou a arrumar tudo, seguindo as instruções da Iolanda. Depois que a Estela foi embora, a Iolanda ficou diferente, mais calada, sempre com um semblante sério, carregado. Pelo menos parou de criticar tanto a Rebeca.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD