Rebeca ficou quieta e desceu do carro. Preferiu parar com aquele assunto porque não estava gostando. Neto não sabia se expressar direito e sempre acabava a colocando para baixo, deixando-a triste. Ficou diferente com ele nos primeiros dias, mas depois voltou a conversar normalmente, ainda que chateada.
Quando Júlio estava para vir, Neto foi buscá-lo com Célio. Era uma quinta-feira e só chegaram na sexta-feira à noite. Rebeca estava deitada, mas não era tarde. Ouviu Neto entrando na casa e falando com o tio dela. Fingiu que estava dormindo.
Ele entrou no quarto e deitou ao lado dela. Rebeca estava toda coberta da cabeça aos pés. Neto começou a falar “sozinho”, que os dois iam sair. Ela resmungou que não queria. Ele puxou o cobertor para vê-la, descobriu só a cabeça dela e falou, afirmando, que ela gostava era de sair sozinha. Rebeca falou, olhando séria para ele:
— Hoje não tô afim, das suas gracinhas Neto. Vai você se divertir com seu primo babaca!
Ele respondeu, olhando de perto, ainda deitado ao lado dela:
— Hoje sim, Rebeca! Vamos, por favor. Para de ser dramática.
Ela falou que estava com cólica e sem paciência para aguentar Júlio. Ele respondeu, irônico:
— Cólica? Ataaa.
Ela perguntou indiferente:
— Ata o quê?
Ele falou, desanimado:
— Eu sei que é mentira porque eu te conheço e fico com você todos os dias, já ficou menstruada esse mês. Tá brava comigo porque falei aquelas coisas, né? Da última vez que a gente saiu.
— Se você quiser ficar com alguém, eu não ligo, desde que seja alguém legal, da nossa idade, essas coisas.
— Você é livre.
Ela se virou de frente para ele e perguntou se ele tinha algum amigo bonito para arrumar para ela, e tinha que ser mais divertido que ele, além de precisar ter um carro legal também. Ele falou, exultante:
— Eu nem sou divertido, vai ser fácil. Não sabia que você era do tipo Maria gasolina, interesseira!
Ela respondeu, rindo:
— E por que você acha que sou sua amiga? Interesse, é lógico!
Ele respondeu sério, olhando nos olhos dela:
— Não tenho carro ainda, mas vou ter logo, logo.
Ela falou sustentando o olhar:
— Aé?
Os dois estavam se olhando de perto. Ele perguntou se ela ia ou não. Ela balançou a cabeça que não. Neto falou, aproximando-se devagar e olhando para a boca dela:
— Hoje não, Rebeca?
Ela ficou paralisada quando percebeu o que ia acontecer. Fechou os olhos e sentiu a mão dele no meio do cabelo, na nuca. Neto a beijou na boca, encostou os lábios nos dela com precisão. Não foi só um selinho.
Rebeca pôde realmente sentir a boca dele. Ele sutilmente chupou o lábio inferior dela, depois deu outro selinho em seguida.
Ela se afastou, empurrou-o da cama e o jogou no chão, constrangida. Ele falou, rindo:
— Então fica aí sozinha e, quando eu tiver carro, não vou te levar a lugar nenhum.
Rebeca continuou deitada. Deu risada também, escondido. Cobriu a cabeça de novo, morrendo de vergonha. Ele mexeu no cabelo dela um pouco, acariciando, ficou ajoelhado na beirada da cama, levantou e falou por áudio com Júlio, dizendo que já estava indo e que a chata não ia.
Rebeca se descobriu e falou que até queria, mas que, depois da gracinha dele, ia ficar bem longe. Ele respondeu, debochado:
— Se você gostou, é melhor ficar longe mesmo, que eu hoje vou beber muito e não respondo por mim, ainda mais perto de você.
— Quero repetir. — Disse dando uma piscada maliciosa.
Ela falou para ele parar antes que a irritasse. Ele perguntou se realmente não queria ir e se ia ficar brava por ele ir sozinho. Ela falou que não ia. Ele falou que ia sair porque precisava pegar o dinheiro do pessoal para a festa que seria no dia seguinte.
Antes de sair do quarto, perguntou se podia fazer de novo. Rebeca falou vermelha de vergonha, rindo, que era lógico que não.
Ele foi embora e a deixou pensativa. Mesmo sendo pouco, para ela foi muito e, para sua surpresa, delicioso. Tocou os lábios pensando nele, repassando na mente aquilo como um filme.
No dia seguinte, Rebeca foi de manhã para a cidade, andando mesmo, sozinha. Precisava comprar umas coisas para si, queria lingeries mais bonitas, calcinhas menores, maquiagens novas. Voltou quase na hora do almoço. O tio dela disse que Neto tinha ido lá duas vezes procurá-la.
Ela tomou banho, lavou o cabelo com um shampoo novo, estava toda animada, achando que ia dar um resultado maravilhoso, como a vendedora havia falado. Colocou um vestido florido soltinho, que era até da mãe de Neto.
Foi até a casa dele e entrou pelos fundos, como de costume. Eles estavam jogando vídeo game na sala. Júlio falou que ia sair para encontrar Aisha, matar as saudades e ir ao mercado. Perguntou se queriam ir junto. Os dois falaram que não.
Quando ficaram sozinhos, Rebeca sentou no sofá perto de Neto, como se nada tivesse acontecido. Começaram a jogar. Ele falou rindo que ela estava diferente, estava animado com a festa. Quando Júlio saiu, Neto levantou, foi à porta olhar, voltou para perto e tentou beijá-la de repente. Rebeca recuou, sem jeito, e falou:
— Não faz isso!
Ele respondeu, bem de boa, levantando do sofá, como se fosse normal ficarem:
— Hoje não, Rebeca?
Ela balançou a cabeça que não, super constrangida, apreensiva. Ele a chamou para ir nadar. Ela falou que não queria.
Célio chegou da rua, falou com ela sobre a festa, ficou olhando bastante reparando e elogiou a roupa desconcertado. Neto disse que era estranho e pediu para o pai não fazer aquilo. Célio começou a falar que ela o fez lembrar da falecida esposa e que, com certeza, ela iria gostar de Rebeca, porque era uma menina especial e que, se Neto não ficasse esperto, ia perdê-la, porque ela estava amadurecendo muito mais que ele e ia voar alto.
Rebeca achou estranha aquela conversa, já que nunca haviam insinuado nada dos dois como casal. Célio ia sair, para pescar. Os dois foram para fora. Ela sentou com os pés na água. Neto pulou na piscina e a molhou um pouco. O vestido ficou muito transparente, mas ela não percebeu e estava sem sutiã.
Ele se aproximou, falou rindo malicioso que ela estava toda molhada, ficou olhando um pouco e desviou o olhar. Rebeca percebeu, olhou para si mesma e virou um pimentão de vergonha. Cobriu-se com os braços, levantou e falou que ia embora, porque ele já estava passando dos limites.
Neto saiu da água pedindo para ela ficar. Disse que não teve como não ver, mas que não ia ficar olhando. Ela ficou muito nervosa e incomodada, quase chorou. Ele ficou na frente dela, não a deixando passar, segurou-a pelos braços acariciando e falou sério:
— Eu já disse que não vou ficar olhando. As coisas não precisam ficar estranhas, foi só um beijinho à toa e eu sei que você tem p****s faz tempo. Por favor, fica!
— Para de ser chata comigo.
Ela limpou uma lágrima que escorreu pelo rosto. Ele falou que ia abraçá-la, aproximou-se devagar, acariciando o cabelo dela, passando a mão nas costas tirando uma casquinha. Disse que ela estava cheirando diferente.
Ela ficou quieta, com a cabeça encostada no ombro dele, correspondendo ao abraço. Ele perguntou se ela estava de TPM, porque estava muito nervosa e irritada. Ela falou que não, mas que não ia dar certo a amizade dos dois se ele continuasse com graça.
Neto beijou o pescoço dela várias vezes e a deixou toda arrepiada. Respondeu:
— Eu não vou te magoar, como já fizeram. Você sempre confiou em mim e agora não precisa deixar de confiar. Eu vejo você, mais do que qualquer um. Eu te conheço, sei das suas qualidades, seus defeitos, sei tudo. Juntos somos os melhores, não é?
Ela balançou a cabeça que sim, adorando as carícias. Ele a olhou nos olhos, de pertinho. As pupilas dela dilataram, o coração disparou. Neto a segurava com mais força, puxando o corpo dela contra o seu. Rebeca estava com a roupa toda molhada por causa dele.
Ele falou, colocando uma mão no cabelo dela e conduzindo-a para bem perto:
— Eu quero muito te beijar!