Capítulo 17
Kim falou surpresa:
— Sério? Tá brincando?
Ramon continuou falando:
— Ela não é tão boba quanto parece, acho que vocês estão subestimando muito ela. Comigo mesmo, ela sabe que me irrita ficar resmungando e raramente abre a boca pra conversar, parece muda, mas se for pra me responder m*l, aí a belezinha fala até demais. Eu não tenho paciência!
Kim falou rindo:
— Aí, Ramon, olha a sua idade e a idade da menina, ela é quietinha mesmo, é o jeito dela. Até comigo ela quase não conversa e olha que eu sou uma matraca.
O Noah entrou na conversa, falando:
— Ela é observadora, eu não a subestimo, mas ela é muito ingênua ainda, vai quebrar muito a cara até amadurecer.
A Kim disse que ela era uma boa pessoa, que tinha um bom coração e que era sincera, muito transparente. O Noah falou irônico:
— Ahhh, é muito transparente sim. Ela me olhou nos olhos e mentiu, nem eu minto tão bem. Se eu não soubesse da verdade, ia acreditar no que ela falou!
Kim disse que era porque ela era mulher, e que ela mesma ia conquistar a confiança da Rebeca, porque não era bom que ela fosse tão sozinha.
Logo eles foram entrando.
A Eleonora estava mostrando a casa para a Rebeca. Tinham mais de dez quartos, sauna, piscina, quadra, lago para pescar. Achando aquela simpatia toda estranha, a Rebeca ficou quieta.
O Toni e a Estela estavam juntos, brincando, correndo. Se afastaram um pouco. A Eleonora falou baixinho como se fosse um segredo, que depois queria conversar a sós com a Rebeca. Com estranheza, ela só concordou.
A Estela logo voltou pra perto e falou pra Rebeca, sem jeito:
— Vamos dividir o quarto, de novo.
Rebeca falou séria:
— Sinto muito por isso. Mas agora eu tô tomando calmantes, acho que não vou te atrapalhar, falando a noite.
Estela encarou a Rebeca e falou surpresa:
— Não precisa se desculpar por ser uma sonâmbula estranha.
Rebeca ficou quieta, sem jeito. A Estela sorriu pra ela, querendo dizer que estava brincando.
O Toni estava com a Eleonora, voltou correndo falando pra elas:
— Vamos lá fora logo, eu quero brincar.
Estela estava dando as opções de brincadeiras pra ele, estavam saindo pela sala de jantar. A Kim entrou e disse:
— Estela, vem. Quero conversar com você!
O Toni falou revoltado:
— Ahhh não, mãe, nós vamos brincar. Por favor?
Estela ficou séria. A Kim falou, se aproximando da Rebeca:
— Tá bom então, vão lá, vou com vocês. Tá vendo, Rebeca, o amor desses dois, quem que aguenta?
O Toni subiu nas costas da Estela, de cavalinho, todo eufórico com as possibilidades das brincadeiras. A Rebeca respondeu:
— É, dá pra ver o quanto eles se gostam mesmo.
A Kim começou a falar do quanto gostava da Estela e de como era r**m ver o modo que a Iolanda a tratava. Disse que sempre foi assim e que a Estela só não ia embora por causa do Toni. Lamentou por não poder ajudar muito, disse que gostava muito da Estela, que eram muito amigas.
Os quatro foram para o quintal, andar.
Kim falou:
— E você, está animada pra tudo o que vamos fazer?
Rebeca balançou a cabeça que sim. Kim respondeu brincando:
— Sim? Mas eu nem disse nada ainda.
Rebeca falou sem jeito, irônica:
— Ahh, esconde-esconde? Pega-pega? Compras? Não faço ideia, na verdade, desculpa!
Kim falou que ia levar ela a lugares novos, e não ia falar nada, mas que tinha certeza de que ela ia gostar e muito.
Elas foram brincar com o Toni de bola. Logo a Kim começou a conversar de canto com a Estela. As duas chegaram a chorar, se abraçaram.
A Eleonora foi chamar eles pra almoçarem.
Sentaram todos juntos em uma mesa muito grande. A Rebeca ficou no meio do Ramon e da Estela. Tinham muitas comidas diferentes, carne assada recheada com molho, camarão na moringa, três tipos de saladas, arroz temperado, integral, tudo muito diferente do comum, bem enfeitado.
Todos começaram a se servir. A Kim estava falando m*l da família dela, rindo. Fez o prato do Manoel, seu sogro, fez o do Noah também. A Estela fez o do Toni, falou pra Rebeca:
— Me dá o seu, eu faço. Quer o quê?
Ela estava perdida com as opções, falou que não precisava, agradeceu. A Estela fez o prato do Ramon, por último o dela mesma e sentou.
Rebeca pegou só arroz e salada, bem pouco. O Ramon falou pra Rebeca reparando:
— Não vai pegar mais nada?
Ela balançou a cabeça que não. Ele perguntou se ela não gostava de camarão. Ela falou que não. A Estela perguntou se ela já tinha provado. Ela disse que não. Ele falou com deboche:
— Imagina ela comer e ter uma reação alérgica. Quer experimentar?
Empurrou o prato um pouco pra perto dela. Ela falou séria, indiferente:
— Não quero, obrigado.
A Estela falou que ela estava com nojinho dele. Ele respondeu:
— Ela não gosta de provar nada novo, deixa ela.
Estela ofereceu carne do prato dela. Rebeca pegou um pedaço, experimentou, mas disse que não queria comer.
Todos estavam conversando lá, menos a Rebeca.
Na hora da sobremesa, novamente vieram coisas diferentes. A Rebeca ficou de olho. A Estela pegou um pedaço de torta e o Ramon uma taça de doce com três camadas, ganache branco, chocolate, morangos. Ele falou brincando:
— Não quer experimentar não, né?
Já irritada, ela falou, pegando a colher da mão dele:
— Vai me deixar em paz se eu experimentar?
Ele já estava comendo com aquela colher. A Estela falou rindo:
— Hummm, perdeu o nojinho!
Rebeca provou um pouco, puxou a taça pra mais perto dela, começou a comer tudo. Ele falou:
— Não vai devolver não?
Ela falou séria:
— Não. Pega outro pra você!
Ele viu que tinha acabado, falou pra elas duas. A Rebeca falou com deboche:
— Você que insistiu, eu nem queria!
Ela comeu tudo sozinha.
Depois as mulheres foram limpar a cozinha todas juntas. Apesar de parecer madame, a Kim fazia de tudo. Todo o tempo, a Iolanda não conversou com a Estela.
O Noah entrou na cozinha, se aproximou da Kim, abraçou ela por trás, sendo carinhoso, falou algo baixinho que só ela pôde ouvir. Ela falou sem ser carinhosa:
— Ah não, amor, pode parar.
Ele perguntou se ela tinha certeza. Ela começou a rir e se afastou dele. Ele falou para Eleonora:
— Mãe, vamos sair um pouco, vocês vão ficar sozinhas! O Toni vai junto, amor.
Ele beijou as duas e se despediu. A Eleonora falou:
— Como vocês estão? Alguma novidade? Se você quiser, posso chamar uma benzedeira, tudo que ajuda m*l não faz.
Kim falou um pouco frustrada:
— Ahhh, estamos tentando, eu sigo a tabelinha, faço tudo o que pode ajudar, até as posições que o médico indica. Por isso também viemos pra cá.
— Em casa, o Toni não dorme muito sozinho. Sem a dona Estela, perdi os dias férteis desse mês. Mas eu tô ansiosa, com o novo tratamento!
Eleonora falou:
— E ele? Está animado? Vai ser bom ter vocês aqui. Essa casa é muito grande, eu vivo sozinha com os empregados, eu não deixo ninguém trabalhar direito!
Kim falou rindo:
— Ele está animado demais, quer tentar todo diaaa, eu fico estressada, a gente anda brigando muito. Mas essa fase vai passar, vamos ficar bem!
Ela concordou, disse que era por causa do que aconteceu com a Aisha que o Noah estava tão estressado.
Rebeca estava secando a louça, ouvindo tudo quieta, de cabeça baixa.
Estela estava olhando pra ela, guardando a louça.
Eleonora falou:
— E você, Rebeca? Estão cuidando bem de você?
Ela balançou a cabeça que sim.
Kim falou, se aproximando da Rebeca para abraçar:
— Ela vai gostar daqui. Lá não tinha muita coisa pra fazer. Na verdade, essa mocinha aqui não gosta de se aventurar muito. Ela gosta de assistir, assim como você, sogra, e ela é muito prestativa, aprende rápido também. Só que ela é muito reservada, é difícil tirar qualquer coisa dela!
Estela falou irônica, brincando:
— Não sei se o Ramon concorda! Com ele, ela fala.
Rebeca ficou com vergonha.
A Iolanda tinha saído da cozinha. A Kim falou brincando:
— Vai ver ela se inspirou em você, né, mocinha? Um romance secreto embaixo do nariz de todo mundo!
Estela ficou super desconcertada, séria. A Kim se aproximou dela, foi abraçar. Mudaram de assunto.
Depois elas foram assistir filme todas juntas.
No final do dia, foram desfazer as malas. A Estela estava com a Rebeca no quarto delas duas, falou puxando assunto:
— E aí, você tá melhor?
Rebeca falou que sim, disse que sentia muito por tudo o que aconteceu, que nem puderam se despedir. A Estela falou:
— É, eu também sinto. Queria ser como você, sozinha, poder fazer minhas escolhas e ir viver.
Rebeca sorriu irônica, balançou a cabeça que não. A Estela falou:
— O quê? Vai dizer que queria ser saco de pancadas de uma mãe como a minha? Nossa, que bolsa linda, é uma Schutz?
Rebeca estava desfazendo a mala, falou, entregando a bolsa para a Estela:
— Sei lá, era da Aisha. Pega pra você, já que gostou! Eu não queria uma mãe como a sua, eu só queria ser normal, ter uma família comum. Não é fácil ser sozinha, não ter a quem recorrer quando algo dá errado.
— Nunca tive mãe, meu tio que era como um pai morreu, passei a vida toda com migalhas, só tinha coisas usadas. Eu cresci em um lugar muito humilde, muito mesmo. Não tinha amigos, sempre fui motivo de piada na escola.
Estela perguntou se ela ainda gostava do Neto. Rebeca falou, deitando na cama chateada:
— Gosto, mas não da forma que você tá pensando. Ele era meu melhor amigo, foi meu primeiro e único namorado, crescemos juntos. Mas não era pra ser, acho que eu nunca acreditei que ia durar muito tempo mesmo. E você sente saudades do Ayres?
Estela estava mexendo nas coisas da Rebeca, falou nostálgica:
— Todos os dias, se eu pudesse, ia embora com ele e largava tudo.
Alguém bateu na porta. A Estela falou:
— Pode entrar!