Capítulo 12
Rebeca falou assustada:
— O que? Qual o resultado? Não tem como! Não é possível.
Kim falou saindo do elevador, surpresa:
— Deu negativo, pra não ser possível, é só sendo virgem mesmo e olhe laaaaa. Às vezes, quando o casal está junto, beijando, se tocando, muito próximos, sabe, meio sem roupa, mesmo sem ter se.xo verdadeiro, é possível engravidar, entende?
— Por isso é bom tomar anticoncepcional, sempre usar preservativo. Um filho é algo muito sério, uma escolha que muda a vida pra sempre, especialmente para a mulher. Meu maior sonho é ser mãe, sabia?
Rebeca perguntou por que ela ainda não tinha filhos então. Chateada, a Kim respondeu:
— Já tentei por anos, tudo tem seu tempo, né? Vou continuar dando todo o meu amor ao Toni. Não sou tão nova, já tenho quase trinta e cinco, vou começar um tratamento novo esse mês, quero gerar uma vida, sentir o bebê mexendo, ver ele evoluindo dia após dia.
— Nascer com os meus traços.
Continuaram conversando. Kim contou que o Toni era adotado, falou que um ex dela tinha filhos e que dizia que o problema era ela, comentou por alto que esse ex era interesseiro, que ficou com ela por causa dos negócios, usando as boas condições dela. Rebeca falou:
— Tomara que você consiga logo ter seu bebê. Tenho certeza que vai ser uma mãe muito boa! Eu nem sei lidar com crianças, nunca carreguei ou troquei um bebê pequeno.
— Baseado na minha experiência com a maternidade, eu não devo ter filhos é nunca. Seria horrível para ambos os lados!
A médica chamou pela Rebeca. Ela entrou nervosa, correu tudo bem na consulta. Ela foi sincera, disse que só teve relação duas vezes. Muito atenciosa, a médica notou que ela era muito inexperiente, até consigo mesma. A médica deu dicas de saúde íntima, explicou tudo sobre métodos anticoncepcionais.
Quando a Rebeca saiu da sala, a médica chamou pela Kim. Enquanto ela estava lá dentro, a doutora saiu duas vezes para falar com a secretária. Ficaram mais de uma hora lá.
Kim saiu com cara de choro, pareceu desolada. Ao chegarem no estacionamento, ela encostou no carro, mexendo no celular, começou a falar em uma ligação:
— Oi amor, já saí. Não. Em casa a gente conversa!
Após desligar, ela encostou no carro de cabeça baixa. Rebeca perguntou se estava tudo bem. Kim falou, entregando as chaves:
— Não, pode dirigir? Sei que sabe.
Rebeca balançou a cabeça que sim, apreensiva. Ao entrar no carro, a Kim colocou o endereço no GPS, falou que elas precisavam resolver as coisas sobre a documentação logo. Ela ficou diferente depois da consulta, um olhar vazio, apático, só falou o necessário, sobre o trajeto.
Rebeca dirigiu o resto do dia. Foram tirar fotos 3x4, até o passaporte dela, Kim falou que iam fazer.
Antes de irem embora, passaram no mercado. Kim estava trocando mensagens, ligações, falando muito em inglês, discutindo. Ela deu a lista de compras para a Rebeca e ficou dispersa. Estava difícil achar tantas coisas diferenciadas e saber das marcas. Do nada, a Kim falou:
— Pronto. Vamos embora, o que faltar a gente pega outro dia. Pegou alguma coisa pra você? Pode pegar. O Toni me pediu alguma coisa que eu não lembro, fini, damasco, eu não sei. Vamos embora!
Rebeca falou:
— Chantilly, ele pediu isso. Eu posso pegar umas coisas pra gente brincar de construção?
Kim falou surpresa:
— É, isso. Claro, pega lá. Vou indo para o caixa, tá? Você me encontra lá.
Em pouco tempo passaram as compras e saíram.
No estacionamento, Kim falou que precisava resolver umas coisas no celular, deu as chaves pra Rebeca. Ao entrar no carro, Kim falou:
— E você nem está gostando, né, mocinha? Pra quem é tão humilde, despreparada pra vida, você dirige muito bem, sabia?
Ela sorriu e respondeu entusiasmada:
— É, culpada! Eu amo carros e dirigir também.
O celular estava tocando, a Kim atendeu em inglês, pareceu muito brava, dando ordens, comentou que estava sobrecarregada, vendendo o autódromo da família. Quando chegaram em casa, ela falou para Rebeca ficar com o Toni, dar janta, banho, atenção, porque ela tinha que resolver umas coisas.
O Ramon e o Noah estavam perto da garagem esperando elas, com os cachorros soltos. Kim desceu primeiro, a Nora correu até ela. O Noah se aproximou, beijou ela, perguntou o que ela tinha pra falar. Os dois se abraçaram. Ela falou:
— Vamos entrar. Rebeca, vem, não vão te morder.
Ela desceu com medo. Kim falou:
— Agora só vou sair com a Rebeca, ela dirigiu o dia todo, não fica falando igual ao Levy. Ajudem as damas a pegar as sacolas no carro, por gentileza.
Ramon se aproximou e falou em inglês:
— Ela sorriu enquanto fazia isso? Porque a única vez que vi ela esboçar algo positivo foi quando falou de carros.
O Noah respondeu em inglês:
— Oferece seu carro pra ela dar uma voltinha, correr talvez. Já que quer vê-la sorrindo.
Kim falou em português:
— Que ideia ótima. Rebeca, o Ramon vai te levar pra correr qualquer dia, no autódromo, e o Noah vai deixar você usar um dos carros dele, qualquer um.
Rebeca estava pegando as sacolas, imaginando que estavam falando dela, respondeu séria:
— Acho melhor não.
Um dos cachorros se aproximou com graça para o Ramon e encostou nela. Ela ficou paralisada. Ele falou dando uma cotovelada nas costas dela:
— Esse aí não faz nada, nem se você merecer. Vem, vamos entrar!
Kim já tinha ido na frente com o Noah. O Toni correu até a Rebeca, falou eufórico:
— É verdade mesmo que você comprou umas coisas pra mim?
Ela falou que sim. Ele foi indo para a cozinha atrás deles. A Iolanda estava preparando o jantar. O Ramon foi tirando tudo das sacolas. Rebeca falou para o Toni:
— Ahhh, seu chantilly, suas maçãs, foi você que pediu isso?
Ele estava saltitante, ansioso, falou:
— Nãoooo. Cadê as minhas coisas? Eu quero brincar com você!
Ela falou sorrindo sutilmente:
— Ahh, não, esses aqui são do Ramon, kiwi.
Ramon ficou olhando, sorriu. Aquilo não estava na lista, percebeu que ela era muito observadora. Ela pegou as coisas que comprou para o Toni. Ele sentou no chão da cozinha, começou a abrir os pacotes de canetinhas, lápis. Ela sentou no chão com ele para ajudar. Iolanda falou que era para os dois irem brincar em outro lugar.
Ramon tinha saído da cozinha e voltou alguns minutos depois. Quando ouviu o que a Iolanda disse, falou para Rebeca, dando sinal:
— Não. Toni, vai no meu quarto ver se eu desliguei o notebook, por favor?
O Toni foi correndo ver. Ramon falou que estavam discutindo lá em cima e pediu pra Rebeca segurar o menino lá nos fundos. Iolanda fechou a porta da cozinha. Os dois foram no quarto do Ramon levando as coisas para o Toni. Rebeca falou tentando enrolar ele:
— Nossa, que quarto legal e grande, quem que joga videogame aqui?
Toni respondeu, indo sentar no chão com as coisas dele:
— O Ramon e eu, mais o videogame é dele. Você quer jogar?
Ela disse que adorava, mas que tinha planos de construir uma cidade. Ele arregalou os olhos, falou com espanto:
— Mais não é muito grande? Como vamos fazer isso?
Ela respondeu, tirando os sapatos:
— Eu vou pensar em algo, talvez se acharmos um engenheiro ou arquiteto pra ajudar a gente, ou alguém que seja forte e inteligente. Tem que ser forte, mais não muito inteligente.
O Toni falou em inglês, rindo:
— Acho que ela está falando de você. Te chamou de burro.
Ramon falou em inglês:
— Ela disse que tem que ser bonitão também? Pergunta pra ela se eu sou bonito.
Toni ficou rindo, balançou a cabeça que não. Rebeca falou:
— Vocês estão falando de mim? Assim eu não consigo entender!
Ramon piscou para o Toni e falou rindo:
— Nãooo. Imagina, estamos falando de videogame! Coisa de menino.
Ela respondeu querendo rir:
— E menina não pode jogar? Eu jogo muito bem, sabia!
O Toni disse que podia sim jogar. Logo falou envergonhado:
— Esse "artiteto" tem que ser bonitão também?
Ela falou se segurando pra não rir:
— Não, pode ser o Ramon mesmo, ele pode recortar nossos desenhos, enquanto você pinta e eu faço as colagens.
Eles começaram a fazer os desenhos. Logo o Ramon saiu do quarto. A Iolanda foi lá chamar eles dois pra jantarem. A Rebeca comeu com o Toni. Quando ele estava comendo a sobremesa, a Kim foi lá com cara de choro, toda vermelha, falou que era pra ela subir com ele depois de terminar, e que o Noah queria conversar com ela no escritório.