Capítulo 53

1817 Words
Capítulo 11 O Ramon abraçou ela, ficou ajudando. Logo recebeu uma ligação do Noah, dizendo que era pra Estela arrumar as coisas dela, pra ir ficar um tempo com os pais dele. Ramon deu o recado, saiu procurar pelo Ayres. Ele já estava de mala pronta, disse que ia embora quando o Noah chegasse. Enquanto a Rebeca dormia, tudo aconteceu. O Noah chegou com o Levy, chamou pela Estela e perguntou se ela estava pronta. Ela perguntou pelo Toni, se não ia nem se despedir. Ele foi muito grosso com ela, gritou e disse que, pra sorte dela, nada grave aconteceu. Rebeca acordou com a voz dele perto do quarto. A Estela respondeu alterada: — Ela não vai falar comigo, né? Não tem coragem de me olhar nos olhos e dizer tudo o que tem vontade. Ele não tem culpa de nada, eu sei que errei, só quero me despedir, ele vai achar que eu o abandonei porque ele não me obedeceu, Noah? Ele falou sério: — Estela, anda logo que eu não tenho o dia todo. Pensasse nele antes de o deixar sozinho, ele podia estar morto se não fosse a Rebeca! Ela falou ainda alterada: — Quero falar com a Kim! Por favor! Eu não aguento mais tudo isso, nem a minha mãe tá aqui, outra covarde hipócrita. Vocês todos veem o que ela faz comigo e ninguém faz nada. Que droga de família é essa, que fala de boca cheia que cuidam uns dos outros? Hipócritas! — Quero ver ela falar comigo, me xingar. É muito fácil se esconder atrás dos outros, né? Eu só tô pedindo o mínimo, o Toni não tem culpa! Enquanto ela gritava no corredor, a Kim ouvia tudo do escritório e foi se aproximando. Entrou na área de serviço e falou com firmeza, enlutada: — Estou aqui, Estela, pode falar. Ela pediu pra se despedir do Toni. Kim falou com um olhar profundo, bravo: — Não, você vai embora hoje e vai pensar no que aconteceu. Não é castigo porque você estava namorando, de modo algum. São as consequências de você não poder ter ficado com ele uma única noite, pra ir namorar. — Eu não estava aqui, te confiei a vida dele. Estela, aonde você está com a cabeça? Sei que a sua vida não é perfeita aqui, a de ninguém é. Entende a gravidade do que aconteceu? — Depois da família, você é a pessoa mais próxima dele e ganha pra isso ainda, muito bem! Estou muito decepcionada com você. Eu te amo e você sabe disso, é por isso que não quero te ver por perto. Eu preciso de um tempo. Vou falar pra ele que você ficou doente! Vai embora. As duas estavam chorando. Deu pra ouvir tudo do quarto. A Estela foi embora, Levy a levou. O Ayres já tinha ido antes sem se despedir dela. O Ramon foi pra fora. Todos estavam tristes. Ainda na cozinha, o Noah abraçou a Kim, que estava chorando muito. Falou que ela tinha feito a coisa certa. Ela respondeu: — Pra quem? Ela nem está errada, nós deixamos a Iolanda fazer o que bem entende. Por isso a Estela está ficando assim. Eu tenho medo de que ela faça uma burrada. Ele disse que ela era a mãe, que a Kim já fazia tudo o que podia pra ajudar e que não dava pra salvar o mundo. Os dois foram para o escritório ficar a sós. Rebeca estava deitada na cama, olhando para o teto, pensando. Se sentou, reparando no quarto. Tinham coisas pessoais do Ramon, fotos, videogame, notebook, um livro ao lado da cama. Ela pegou o livro e começou a olhar. Ele entrou e falou com ela: — Oi, está acordada faz tempo? Ela assustou, balançou a cabeça que não, guardou o livro, foi levantando e começou a arrumar a cama, esticar o lençol. Ele falou sério: — Não precisa arrumar, se quiser pode continuar deitada também. Só vou pegar umas coisas aqui. Ela terminou de arrumar a cama, perguntou como a Estela estava. Ele respondeu: — Ahhh, chateada. Ela vai ficar fora por um tempo, vai ser bom pra ela. E você? Está bem? Ela balançou a cabeça que sim. Ele respondeu: — Eu vi o que você fez, foi muito corajosa. Se tivesse ficado esperando alguém chegar, ele teria se afogado. Ela "sorriu", balançou a cabeça que sim. Perto dele, ela parecia muda às vezes. Aquilo o irritava muito, mais ele ficava tolerando, achando que ela era muito tímida. Continuou falando: — Também vi o que você fez no outro dia pra ajudar a Estela com o teste. Foi muito legal da sua parte! Ela falou, passando por ele, se aproximando da porta: — Era meu mesmo. Ele respondeu: — Não era, eu fui na farmácia com você e vi tudo o que comprou. Você não sabia nem ver se era positivo ou negativo o resultado! Ela falou com deboche: — É porque sou muito burra, não notou ainda? Semi analfabeta, pobrezinha da Rebeca, um bicho do mato. Ela saiu do quarto dele, foi para o dela, colocou o "uniforme". Logo foi para a cozinha, começou a fazer café, comeu bolacha só pra poder tomar os remédios. Ramon entrou na cozinha, começou a descascar um kiwi, falou pra ela: — Já comeu? Vamos sair daqui a pouco, hoje o dia vai ser bem agitado! Ela balançou a cabeça que sim. Ele falou com deboche: — Sim o quê? Fala com a boca. Na hora de me responder m*l, você fala, né? Ela virou de costas, sorriu escondida e falou: — Pra onde vamos? Ele respondeu, se aproximando: — Fazer seus documentos, quer? Ele ofereceu a fruta: — Eu gosto mais azedo! Ela olhou no prato, curiosa, perguntou se era doce, como o quê. Ele disse que era diferente, azedo com doce junto, perguntou se ela nunca tinha comido. Ela falou exultante: — Não, nem quero, obrigada. Acho que não vou gostar! Ele falou debochado: — Bicho do mato! Kim entrou na cozinha séria e falou a olhando fixamente: — Olá, Rebeca, você está bem? Depois do susto? Ela balançou a cabeça que sim. Kim falou: — Quero te agradecer pelo o que fez, serei eternamente grata. Aquele menino é tudo pra mim, desde que meus pais faleceram eu cuido dele como um filho, mas éramos irmãos, pelo menos legalmente. — Você é nova aqui e eu sinto muito que sua primeira semana esteja sendo tão conturbada. Te peço desculpas pelos últimos episódios, acho que todos estamos um pouco abalados. A Estela foi embora, o Ayres também, estamos enfrentando uns problemas nos nossos negócios. Você chegou no meio de um furacão! Rebeca falou que estava tudo certo, que ela não podia nem pensar em reclamar de nada, porque eles estavam ajudando muito ela. Perguntou pelo Toni, Kim respondeu, mexendo no celular: — Ele está bem, chateado, muito bravo comigo, mais está bem. Vamos fazer seus documentos hoje, se você estiver de acordo. — Precisamos fazer uma viagem e queremos que você vá junto. Eu não quero te pressionar ou te comprar, de modo algum, mas eu preciso de pessoas de confiança por perto. — Enquanto minhas condições permitirem, não me importo de pagar por isso. Em poucos dias sua documentação ficará pronta. Tudo o que você tinha está guardado, o dinheiro. — Pensa bem se realmente quer continuar com a gente e depois sentamos pra conversar melhor sobre valores, suas condições e os termos. Tudo bem? Ela só concordou. O Ramon saiu de perto delas. Kim disse que ia levar ela no médico também, sugeriu que ela tomasse banho antes porque ia ser examinada. Rebeca sorriu pensativa, desconfortável pelo comentário do banho. Kim falou desconcertada: — Desculpa, eu ainda não te conheço bem, não tô te chamando de suja ou relaxada. É que algumas coisas comuns podem ser novidades pra você, entende? Rebeca respondeu: — É, eu entendo. Lembrei da Aisha, ela me ensinou umas coisas. Ela era tão invasiva e natural, eu adorava o jeito maluco dela de ser! Kim falou: — É, ela era muito enérgica. Ainda não consigo acreditar. Vocês eram bem próximas, né? Rebeca disse que sim, pelo menos da parte dela, que nunca teve uma amiga tão boa. Kim falou que ia acompanhar ela, pediu pra se apressar. Rebeca foi tomar banho, lavou o cabelo, colocou uma roupa bonita que era da Aisha: calça legging preta de courino, uma camiseta escura com estampa de uma onça pintada brilhante e coturno. Ao ficar pronta, ela foi na sala. Kim já estava esperando. O Toni estava lá, emburrado. Agradeceu à Rebeca por ter ajudado ele, disse que foi brincar com as coisas que fizeram juntos, mais que estragou tudo na piscina. Rebeca falou: — Não tem problema, fazemos de novo assim que possível. Enquanto eu saio, por que você não vai pensando em coisas novas? Ele falou desanimado: — Não quero mais brincar disso. O Noah estava com o Toni na sala. As duas foram saindo às pressas. Ao entrar na garagem, a Rebeca ficou notavelmente admirada com o carro. No caminho, Kim foi conversando sobre a Aisha, contou que se conheciam há muitos anos, desde que Aisha era criança. Comentou que ela e o Noah estavam juntos há dez anos, entre idas e vindas, mostrou a mão direita, uma aliança dourada com uma pedra delicada, brilhante, falou: — Estamos oficialmente noivos! Não era o que meus pais queriam. Rebeca ficou quieta, deu uma olhadinha para a Kim, ficou surpresa com o fato de quase ter ficado com ele. Kim continuou falando: — Gosto do Noah, muito! E ele também gosta de mim. Ou finge muitooo bem! Ela deu risada, falou brincando, marcando território. Rebeca disse que os dois ficavam lindos juntos, especialmente por causa da diferença das peles. Kim perguntou do Neto, se ela mantinha contato com ele. Rebeca falou: — Não, eu fiz uma coisa que não me orgulho e ele não quer mais falar comigo. Disse que, se eu não voltar, morri pra ele. Kim perguntou se ela queria morrer pra ele. Ela respondeu chateada: — Tarde demais pra decidir. Roubei ele antes de ir embora, todo o dinheiro que ele estava guardando pra comprar um carro. Não foi pelo dinheiro, eu tinha um pouco também! Elas estavam chegando no prédio do consultório. Kim falou: — Foi pra magoar ele, né? Porque ele te machucou? Rebeca balançou a cabeça que sim. As duas foram entrando. No elevador, a Kim falou: — Você precisa ser sincera com a médica, tá bom? Tudo o que você falar só fica entre vocês. Seu exame está aqui, eu acabei esquecendo de te entregar. Quer abrir com ela ou agora? Rebeca disse que já queria ver. Abriu e não entendeu nada. Deu para a Kim, pediu ajuda. Ela falou séria: — Eu já esperava por isso. Você já pensou o que vai fazer?
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