Capítulo 58

1653 Words
Capítulo 16 Prevendo o que ia acontecer, ele saiu correndo e foi pra sala. Antes de chegar lá, o alarme da casa disparou. Ela estava lá fora, passando a mão na Nora. Tomou um susto com o alarme. Ele se aproximou, tocando a Nora, e foi muito grosso com a Rebeca. Puxou ela pra dentro pelo braço, gritando. — Você ficou lou.ca? O que está fazendo aí fora? Quer se machucar de propósito? Todos foram pra lá correndo ver o que estava acontecendo. Desativaram o alarme. A Kim falou, assustada. — Você está bem? O que aconteceu? Ramon falou, fechando a porta. — Ela saiu pra fora. O Noah perguntou por quê. Ela falou séria. — Eu não sabia do alarme, desculpa! Ele perguntou, um pouco grosso, por que ela havia saído pra fora aquela hora. Rebeca estava quase chorando de raiva desde que o Ramon gritou com ela. Mesmo constrangida pela situação, falou, encarando o Noah. — Tá achando que eu vou fugir? Ou que fui lá pra ser mordida? Antes dele responder, a Kim entrou no meio e disse que não tinha nada demais, no que aconteceu. Rebeca falou. — Posso ir? Kim respondeu. — Sim, vai descansar que amanhã o dia vai ser muito agitado. Boa noite! Ela nem respondeu nada. Foi para o quarto, ficou mexendo no celular e, com um pouco de dificuldade, conseguiu encontrar filmes para assistir no YouTube. Passou quase a noite toda com os fones de ouvido assistindo. Mesmo dormindo pouco, ela foi a primeira a levantar. Colocou o uniforme, como de costume, e foi fazer o café. Ramon levantou e foi pra cozinha. Deu bom dia. Ela respondeu com indiferença, nem olhou pra ele. Todos os dias ele comia as mesmas coisas, seguia uma dieta regrada. De manhã bem cedo, tomava um suplemento alimentar. Ela já sabia da rotina e deixou as coisas dele em cima da mesa, organizadas. Ele começou a preparar e falou obrigado. Ela continuou quieta, olhando para a janela, encostada na pia evitando o contato visual. Ele se aproximou e falou muito sério. — Desculpa por ter falado com você daquele jeito ontem, eu só fiquei assustado, preocupado na verdade. Você podia se machucar e muito! Ela o encarou alguns segundos e falou, se afastando cabisbaixa. — Aham. Ele respondeu. — Você está estranha. Tem se sentindo bem? Está tomando os remédios? Ela falou séria. — Eu sou estranha! Quer contar quantos comprimidos tem na cartela? Ele ficou encarando ela e falou bem calmo. — Não, eu quero que você me diga a verdade. Ela não disse mais nada. Ele falou. — Vamos lá fora comigo, agora é hora, não de madrugada. Ela estava com muita raiva dele. Continuou quieta, mas foi indo atrás. Ele entrou no quarto dele e ela parou na porta. A mala dele estava em cima da cama, aberta. Ele falou que já ia, que só precisava guardar uma coisa. Ela entrou no quarto querendo puxar assunto pra investigar as suspeitas e falou, se aproximando da cama. — Se quiser eu te ajudo com as roupas. Ele falou, se aproximando rápido da mala. — Não mexe aí. Ela não tinha visto nada até então, mas olhou por causa da reação dele. Tinha um rev.ólver na mala. Ela chegou mais perto dele e falou, surpresa, curiosa. — Posso ver? Ele disse que não. Ela respondeu, irônica. — Não? Ele pegou na mão e mostrou. Ela pegou da mão dele, admirando, e falou entusiasmada. — É linda, uma Glock, né? 9 milímetros. Ele falou com espanto, admirado. — É sim, como você sabe? Ela respondeu, tirando o cartucho. — Não tinham muitas coisas pra fazer no sítio e eu cresci como um menino, então. — O pai do meu melhor amigo tinha várias armas. Nós pegavamos para atirar em latas, placas. Ela devolveu pra ele e continuou falando. — Quanto custa uma dessa? Só a arma, tipo ir no mercado e comprar uma. Ele falou, irônico, debochando dela. — No mercado não vendem coisas assim. Ela ficou séria e falou, saindo do quarto. — É, eu sei. E eu não teria dinheiro pra comprar, mesmo se vendessem! — Só queria saber do valor. Ele perguntou se ela tinha vontade de ter uma. Ela disse que sim e voltou para a cozinha. Ele logo foi atrás e falou. — Não vai mais lá fora comigo? Ela balançou a cabeça que não. Ele foi indo sozinho, saiu resmungando, dizendo que ela era bipolar. Irritada, ela falou. — E quem te perguntou? Como se você fosse um amor de pessoa, ahhh, me poupe, Ramon! Ele falou com sarcasmo. — Pra conversar normal não abre a boca direito, mas pra ser chata aí fala, né? Cara.mba, fica quietinha pra eu gostar de você! Ela falou, afrontosa. — É um favor que faz, se não gostar de mim e não ficar puxando assunto. Grosso! Ele pensou em responder besteira, algo de duplo sentido, mas ficou quieto. Logo todos levantaram. As malas já estavam sendo colocadas nos carros. Kim falou. — Noah vai com a Nora e o Átila, Rebeca comigo e o Toni, Ioiô com o Ramon. Me dei bem, vou revezar o volante com a minha nova motorista e ir adiantando meu trabalho. Apreensiva, Rebeca falou. — Acho que não estou bem pra dirigir. Desculpa! Kim disse que tudo bem. Perguntou se ela não ia se trocar. Ela disse que não, sem entender. Kim falou, puxando ela pela mão. — Compramos roupas novas, tem um monte de coisas da sua amiga aí. Até parece que vai viajar de uniforme. — Nem pensar, pode ir lá colocar algo bonito, solta esse cabelo, passa uma maquiagem. Vai ser divertido! Super desanimada, Rebeca falou que o uniforme nem parecia uniforme. Kim respondeu. — Eu tô com medo de ver sua mala. Eu só tenho esses uniformes para o conforto de vocês mesmas. E meu tique gosta de coisas padronizadas, sabe? — Fui na loja e comprei tudo de marca, cor neutra, porque eu achei legal. Eu mesma experimentei, a Estela tirou até foto minha! Pense assim: você é uma pessoa que veio pra me ajudar e eu vou te pagar pra te ajudar, porque tenho condições e você não tem. Eu preciso de você. Aqui ninguém é empregado, é uma troca! Rebeca ouviu tudo quieta. Kim continuou falando em um tom descontraído. — Queremos que todos fiquem à vontade, não tanto quanto a Estela, por favor! Chega de fortes emoções! Rebeca sorriu e balançou a cabeça que sim. Kim falou. — Sabia que o Ramon é solteiro? Há muito tempo? Ele diz que não tem muito interesse em mulheres comuns, que a maioria são fúteis, superficiais. Como se ele não fosse, né? — Aquele corpo malhado e os olhos cheios de enigmas. Vocês podiam se conhecer melhor, talvez. Envergonhada, a Rebeca disse que não, jamais, que ele era muito grosso e lembrava o Neto. Kim falou curiosa, deitando na cama da Rebeca. — No jeito? Ou na aparência? Vai, pode se trocar, eu não vou ficar te olhando. Super sem jeito, Rebeca começou a tirar a roupa, falando. — Ahhh, os dois. Ele era esquentadinho, alto, forte, corpo definido, olhos claros também. Ela estava de calcinha e sutiã. Pegou uma calça jeans. Quando foi vestir, a Kim falou, olhando pra ela. — Hummmm, calcinha vermelha. Você sente saudades dele? Ela disse que não. Colocou uma blusa elegante justa azul-marinho, gola alta. Sentou pra calçar o coturno. Kim falou a admirando. — Você é linda, sabia? Devia se arrumar mais vezes. É muito nova ainda, tem uma vida toda pela frente, um mundo novo pra conhecer. Não se deixe abater. Tenho certeza que você é muito forte, uma lutadora! Quando a Rebeca terminou de se vestir, a Kim falou que faltava a maquiagem. Ela respondeu. — Acho que já está bom assim, quer ver a minha mala? As roupas? Kim falou que era pra Rebeca pegar outra, que ela mesma ia pegar tudo e bem rápido. Já estavam quase de saída. Às pressas, a Kim pegou várias coisas, tudo o que achou bonito, acessórios. Logo saíram. A Kim foi contando histórias, conversando, cantando a viagem toda, super animada. O Toni foi jogando no celular e dormiu. Quando estavam chegando, a Kim falou que estava nervosa. Rebeca perguntou por quê. Ela respondeu. — Vamos ver a Estela, eu não sei se já superei o que aconteceu. É uma surpresa para o Toni. Ao chegar na fazenda, a Kim falou. — Acho que você vai gostar daqui, é tão bonito. Vai ser legal, vamos fazer várias coisas! — É a casa dos meus sogros. Na varanda da casa estavam os pais do Noah e a Estela. A Kim parou na frente e desceu com a Rebeca. Foram bem recebidas pelos dois. A Eleonora, mãe do Noah, abraçou a Rebeca e foi muito afetuosa e gentil. Estela estava mais apreensiva. Kim se aproximou dela e falou séria. — Oi. Ele está dormindo, vai lá acordar ele! Ela respondeu oi, falou obrigada e foi chamar o Toni. Ele acordou chorando de felicidade. Disse que estava com saudades todos os dias. Ficou agarrado com ela, que também chorou. A Iolanda só falou com a Eleonora e foi entrando. m*l olhou para a própria filha. Kim falou que ia guardar as coisas. Foram para o carro pegar as malas. Os cachorros estavam soltos, rodeando. O Ramon falou em inglês: "Nora, se você assustar a sua nova amiga, te dou um saco de petiscos." O Noah falou, irônico: "Parece que tem alguém irritado aqui. Ela te tirou do sério?" Eleonora chamou a Rebeca para acompanhar ela. Ao ficarem sozinhos lá fora, o Ramon falou. — Hoje ela foi no meu quarto comigo e viu a minha arma, segurou com firmeza, tirou o cartucho. Ela sabia o nome, os milímetros, e eu achando que era uma coitada! Essa menina é uma caixinha de surpresas!
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