Capítulo 16

1457 Words
Rebeca encontrou Pâmela descendo com um bolo de aniversário nas mãos. Ela falou, animada: — Vamos logo, ele já vai voltar! Rebeca ficou confusa, voltou para baixo e começou a tentar mexer no celular de Neto, queria ver o quanto ele e Pâmela eram amigos. Enquanto todos se movimentavam para fazer uma surpresa, Aisha se aproximou e falou sobre aquilo, dizendo que era ridículo. Rebeca não deu atenção. Aisha perguntou, desconcertada: — Tá procurando o quê aí? Esse celular é de quem eu tô pensando? Rebeca ficou quieta. Abriu o w******p. Tinham várias conversas com meninas, elas respondendo as fotos dele, mandando fotos de lingerie, outras que ela não conseguiu ver por serem visualizações únicas. Ele dizendo que eram lindas, gostosas, conversando sobre várias coisas. Ela não achou que podia cobrar nada dele. Mas, quando entrou nas conversas dele com Pâmela, viu coisas de que não gostou, de dias atrás: fotos íntimas dela, conversas falando de sexo explícito, vídeos, figurinhas pornográficas e ela entendeu, que já tinha acontecido entre eles. Neto estava até desabafando, cheio de i********e, falando sobre a mudança de cidade e a perda da mãe. Rebeca ficou impressionada, sem nem piscar, lendo tudo bem rápido. Aquilo doeu muito nela. Nunca tinha se sentido daquele jeito antes. Aisha falou, dando um sacode nela: — Rebeca, não faz isso. Eu não concordo com essa invasão de privacidade. Se rolou algo, foi antes de acontecer com você! Não procura porque você vai achar, se magoar e não vale a pena. Rebeca? Neto estava descendo. Gritaram surpresa e começaram a cantar parabéns. Ele ficou super feliz, comemorando com eles. Naquela hora, Rebeca ficou cega de raiva. Derramou uma única lágrima e já enxugou. Respirou fundo olhando a menina quase beijando a boca dele. Aisha segurou no braço dela e falou que era para respirar e ir ao banheiro com ela, não estragar a festa. Rebeca perguntou se ela sabia quantos anos ela tinha. Aisha respondeu, confusa: — Uns vinte. Eu sei que parece r**m, mas é normal que as pessoas fiquem. Vocês são muito amigos e eu entendo que dá ciúmes! Rebeca estava olhando de longe, vendo Neto muito próximo de Pâmela. Falou cética: — Vou embora, devolve o celular dele, por favor! Saiu pelos fundos. Aisha correu até Júlio, entregou o celular de Neto sem falar nada e saiu correndo atrás de Rebeca, gritando: — Espera, vou com você. Meu carro tá ali, anda logo! Vamos pra um lugar melhor. Correram até o carro. Quando Aisha saiu andando, deu para ver Neto e Júlio saindo na rua, correndo atrás delas. Ela falou, rindo e dirigindo rápido na estrada de terra: — Ele não vai me alcançar, se tentar. E agora, onde vamos? — Quer comer? Beber? Dançar? Rebeca perguntou que carro era aquele. Ela respondeu: — O meu preferido, estava na funilaria. Ganhei quando fiz dezoito, uso pra correr. — Menina, você precisa de redes sociais. Sair da zona de conforto, o Neto quer te manter em uma gaiola. — Não vamos falar dele. Me conta, se você ganha comissão no desmanche? — Meu irmão disse que o pai do Neto é o rei das peças por aqui. Rebeca não entendeu por estar dispersa, falou que não. Aisha respondeu, acelerando e aumentando a velocidade: — Eu bati por bobeira, não precisa ter medo. Sabia que, dependendo de com quem você está tirando racha, se um dos dois bater, ninguém ganha. Rebeca falou que não sabia. Aisha perguntou se podia andar mais rápido. Ela respondeu que sim. Aisha começou a contar a história da paixão dela por carros, contou que corria profissionalmente, mas havia parado no último ano. Disse que já sabia para onde iam: Sorocaba, mas que era um pouco longe. Rebeca respondeu: — E se a gente correr? Um pouco? Fica mais perto? Nunca fui nessa cidade. Aisha falou animada: — Aí fica bem mais perto gata! Regra número um: sempre coloque o cinto de segurança, não importa quem seja o motorista ou o carro. Regra número dois: não seja insegura, um passageiro medroso não é bom, mas também nunca seja confiante demais, sua vida que está em jogo. — A gente precisa saber dos nossos limites e estar ligada com o carro. Quando é seu e você conhece ele, os macetes, é diferente. Com o carro dos outros é muito mais perigoso correr. Mas fica tranquila que eu tenho certeza que logo você vai conquistar o seu! As duas estavam foram falando de carros e corridas. Aisha explicou algumas coisas importantes sobre correr, mostrou a hora certa de acelerar, reduzir, como fazer as curvas, ultrapassar. Foi distraindo Rebeca e depois perguntou se ela estava mais calma. Rebeca falou que sim. Ela respondeu: — Não precisa falar se não quiser, eu não vou contar nada pra ninguém. É muito chato essas coisas! — Homens, a maioria é assim. Rebeca falou, chateada: — Não é o que você tá pensando, não totalmente. Eu tenho até vergonha de te falar! Aisha perguntou, com receio: — Vocês fizeram as coisas? Tipo? — Ir pra cama ou ele te forçou a fazer alguma coisa? Não precisa ter vergonha, você não tem culpa de nada, me conta o que aconteceu! Rebeca respondeu, chateada: — Não, ele só me beijou e passamos a tarde juntos, tipo ficando. Nos beijamos algumas vezes, mas só isso. Quando éramos crianças muito pequenos, a mãe dele já era falecida. Eu não tinha ninguém também e nem condições financeiras boas, diferente dele. — Depois da perda, ele ficou diferente, uma criança que não queria viver como as outras. Logo que nos conhecemos, foi aniversário dele. A família toda se reuniu, fez uma grande festa, com decoração e tudo, brinquedos infláveis. — Eu nunca tinha visto aquilo tudo antes, não fui a creche e ainda não ia a pré escola, eu vivia em casa isolada. Fiquei com medo, envergonhada, e os sapatos eram bem maiores que meus pés. — Então eu estava sentada sozinha no cantinho, olhando todas aquelas crianças brincando, bem vestidas, com seus pais dando comida na boca, cuidando deles. Aquilo me incomodou de uma maneira única, mas não só a mim. — O Neto se aproximou, sentou ao meu lado e falou que não queria ficar lá, que odiava aquilo tudo. Falei que não tinha gostado também. Ele me chamou pra sair de lá. Fomos brincar no mato e só voltamos quando estava anoitecendo. — No começo, ficaram preocupados com ele, mas, quando meu tio sentiu minha falta, o Célio nem ligou tanto, porque sabia que estávamos juntos e ninguém ficava brigando com o Neto por causa de ele ter perdido a mãe. — Depois disso, ele nunca mais quis comemorar aniversário nenhum, até hoje. Eu não tinha festa mesmo, então foi fácil deixar de contar quantos anos eu tinha. — Toda vez que alguém perguntava, ele respondia por mim, dizendo que tínhamos a mesma idade. Eu não sei a minha idade, Aisha, simplesmente não sei, não consigo lembrar nem a data do meu aniversário. — Isso é tão bizarro. Aisha ficou espantada, começou a chorar com pena. Disse que sentia muito e que iam descobrir e fazer uma super festa, se Rebeca quisesse. Ela falou triste: — Não quero isso e eu nem teria quem convidar. Mas tá tudo bem. Eu sempre soube que não era como ele e que a vida ia nos afastar um dia, só que eu não confio mais. Agora é cada um por si. — Ele nunca, me contou que ficou com ninguém. E quando o Felipe se aproximou de mim. O Neto tipo surtou. Aisha falou que os dois precisavam conversar, porque, ainda assim, Rebeca e Neto eram amigos. Ela respondeu: — Acho que não mais. Ele vai ficar bem, não precisa de mim e tem aquela Pâmela pra ser amiguinha dele. As conversas deles me deixaram com nojo, já fizeram de tudo, sabe? — E eu pensando que seria importante pra ele me beijar, sou muito b***a mesmo. Iludida. Aisha ficou tentando consolá-la. Disse que aquele comportamento dele era influência do primo. Chegaram a uma balada enorme, com uma grande fila. Ela falou que Rebeca nem ia lembrar de Neto naquela noite. Rebeca perguntou se precisava de documentos e pagar para entrar. Ela disse que elas não. Foi furando a fila, conversando com os seguranças. Foram direto para o camarote vip. Rebeca estava encantada com as luzes, as pessoas e a música, estava tocando funk. Nunca tinha ido a uma festa daquela antes. Aisha chegou conversando com um pessoal, apresentou-a, e Rebeca ficou de canto. Diferente dela, não foi beijar ninguém no rosto, encostou na grade de proteção. Ouviu atrás de si, bem perto, praticamente falando no ouvido: — Será hoje que vou te levar pra casa?
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