Capítulo 71

1075 Words
Capítulo 29 Ela ficou séria, quieta. Ele perguntou se ela ia ver o Neto, disse que não estava reconhecendo ela. Ela falou incomodada: — Para de me tratar assim, nem de longe você imagina os meus motivos, eu não sou como vocês, nunca fui, então para de agir como se eu fosse uma ma.luca que abandonou uma vida maravilhosa nessa droga de cidade. Ele falou surpreso, com decepção: — É isso aí, tá vendo, realmente não é mais a mesma. Eu sei que você teve seus motivos, que sua vida não era como a nossa, mas a gente não teve culpa de nada, somos seus amigos e estamos muito preocupados com você. Sabe que ele está doente né? Desde que você foi embora? Tassiane chegou no quarto, falou apreensiva: — Felipe não, agora não é hora. Ele falou: — E quando é? Contou pra ela o estado que ele ficou? O Neto pode ter os defeitos dele, mas nunca te abandonou. Tassiane começou a falar que ele estava depressivo, que não conversava com ninguém há mais de um mês, disse que estavam com medo dele tentar se matar, porque nas últimas semanas voltou a sair pra correr apenas e sem falar com ninguém ainda, nem com o Célio, o Júlio ou a avó. E estava ganhando várias corridas na Arena, arriscando a vida. Rebeca falou quase chorando: — Eu não devia ter vindo aqui, vocês não entendem. Ela foi saindo, os dois foram atrás discutindo entre si. A Tassiane estava dizendo que ele não devia ter ficado falando aquelas coisas, pediu muito pra Rebeca ficar, disse que não iriam ficar falando daquilo. Já na calçada Rebeca falou chorando: — Uma das poucas certezas que eu tive na vida foi sobre amar o Neto, eu daria a minha vida por ele. Mas tenho certeza que ele vai ficar melhor sem mim, eu ouvi o Célio falando de mim depois da morte do meu tio, de como eu não podia ficar lá, de como eu era um problema e iria atrapalhar a vida dele. — E ele me traiu, com a Aisha, com certeza disso vocês não sabiam, eu vi tudo! — Tudo isso são coisas que eu quero deixar pra trás e se vocês insistem em procurar um culpado, então me culpem, fiquem à vontade, mas não vou voltar a ver vocês. Não sou a mesma de antes e essa amizade, na verdade, nunca existiu. Tassiane estava chorando, respondeu: — Você está sendo injusta, eu sou sua amiga, eu só quero seu bem, que tipo de pessoa vai embora e larga tudo? Sem uma mensagem, um bilhete, você nem enterrou seu tio, Rebeca. Por favor deixa a gente te ajudar, você não tá bem. Isso não é normal. — Aquele cara é perigoso, ele está te manipulando. Ela se aproximou, as duas se abraçaram. Rebeca falou: — Eu nunca fui normal, vou embora. Eu tô bem, tô trabalhando, é só isso que você precisa saber por enquanto. Desculpa por tudo! O Felipe se aproximou, disse que não queriam brigar ou pressionar ela, ofereceu ajuda, chamou ela pra voltar. Ela o abraçou e falou: — Não dá, a minha vida não é mais aqui. Cuida deles tá, eu sei que você consegue e que com certeza vai fazer isso melhor que eu. Eu sempre vou me lembrar de vocês, desculpa por ter ido sem me despedir. Os três estavam chorando na calçada. Ela deu tchau, foi para o carro. A Tassiane correu até ela e falou: — Ele vai todo fim de semana na Arena, mesmo horário, nove, dez horas, corre umas duas três vezes e vai pra casa. Mesmo que você não queira mais, acho que vai ser bom que se despeça, pessoalmente. — Ele precisa seguir em frente, ele tá acabando com a vida dele! Esse fim de semana o Célio foi viajar, a mãe dele tá de mudança pra cá, o Neto tá sozinho. Ela falou tá bom e foi embora, ficou perto do trajeto da casa do Neto. Ele passou correndo no horário que a Tassiane disse, ela foi até a casa dele, entrou pelos fundos, tudo estava do mesmo jeito. Foi para o quarto dele, colocou o dinheiro lá, deitou na cama por alguns minutos, quinze, vinte, ficou se lembrando de tudo o que viveu naquele lugar, cheirou o travesseiro, a camiseta que encontrou jogada lá em cima. O celular dela começou a tocar, era a Estela, dizendo que a Kim tinha ligado pra saber delas. Tudo pareceu estar correndo bem, mas conversaram pelo celular normal e o Noah viu a ligação, se as duas deveriam estar juntas, não tinham por que estarem conversando por ligação. Ele monitorava o celular da Rebeca e assim que viu aquilo, falou para a Kim. Ela disse que já sabiam o que estava acontecendo. Ele respondeu: — Ela foi ver o Ayres, o que vamos fazer? Ela falou chateada: — Nada, deixa elas, vamos dar atenção ao Toni, aos convidados. A Estela não vai fazer nenhuma loucura e a Rebeca vai fazer o que tem que fazer, só podemos esperar. Estava acontecendo a festa de aniversário, tinham vários convidados lá, amigos, sócios, familiares. Depois de desligar a ligação, Rebeca continuou deitada pensando, tomou um susto quando o Neto entrou no quarto e falou sério: — Tá fazendo o que aqui? Ela se sentou, o olhou assustada. Ele falou encarando ela: — O que você está fazendo aqui? Veio roubar mais alguma coisa? Ela estava reparando nele, estava mais magro, abatido. Ela falou com a voz trêmula: — Oi, vim devolver o que levei. Ele sentou na cama sem nem olhar pra ela, falou com as mãos no rosto, que era pra ela ir embora. Ela respondeu sentida: — Eu tô aqui, fala comigo! Pode me xingar, fala o que você tá pensando. Ele estava de cabeça baixa, respondeu chateado: — Por que isso agora? Você já deixou bem claro que não se importa comigo. Ela só tinha visto ele daquele jeito uma vez, quando se conheceram e a mãe dele tinha morrido, não teve como ser indiferente. Ela se aproximou e segurou na mão dele. Ele estava quase chorando, falou levantando: — O Felipe me contou que você estava na cidade, por isso eu voltei, pra evitar de te ver. Eu te disse o que aconteceria se você não voltasse, então vai embora! Ela levantou, se aproximou falando com os olhos cheios de lágrimas: — Neto?
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