Capítulo 63

1414 Words
Capítulo 21 Rebeca falou: — Você não vai desistir, né? Estela a encarou nos olhos, se aproximou e disse: — E você desistiria? Não amava seu amigo de verdade, né? Não como um casal. Rebeca disse que era complicado. Quando estavam quase fechando, o Levi foi perguntar se o Ramon tinha falado algo, porque ele não queria levar elas embora. A Estela falou atrevida: — Quer dormir com nós duas? Uau, que direto! Safa.do, hein? Rebeca ficou vermelha de vergonha, deu risada. Ele falou mexendo no celular: — Ata, como se vocês duas fossem esse tipo. Termina o fechamento aí, deixa só as comandas do 3 e do 1, anota o valor certinho, depois eu vejo. Vou arrumar alguém pra levar vocês! Depois uma moça que trabalhava lá foi levar elas embora. Rebeca tomou banho primeiro e deitou pra dormir. Ela não disse nada pra ninguém, mas parou com os remédios mais fortes. Quando a Estela foi deitar, a Rebeca estava chorando, dormindo agitada. Ela se aproximou e acordou a Rebeca com jeitinho. Ela se sentou na cama, falou ofegante, assustada: — Desculpa, eu te acordei? Estela falou bem próxima, fazendo carinho: — Não, teve um pesadelo? Ela disse que sim, levantou pra ir na cozinha tomar água. Estava chorando ainda, o sonho era com o Neto e era muito r**m. Ela estava distraída em pé, encostada no balcão, quando o Ramon chegou. Os dois se assustaram. Ela foi lavar o copo e já secou pra guardar, evitando olhar pra ele. Ele falou apreensivo, preocupado: — Aconteceu alguma coisa? Ela apenas balançou a cabeça que não. Ele perguntou se aproximando porque do choro então. Ela respondeu cabisbaixa, enxugando as lágrimas: — Nada. Só um sonho r**m, uma crise, eu não sei, tanto faz. Não importa! Ele perguntou que tipo de sonhos ela costumava ter. Ela falou que estranhos, coisas ruins acontecendo com as pessoas que ela gostava. Ele respondeu: — Eu raramente lembro dos meus sonhos, às vezes eu sonho com o mesmo lugar, não importa o tempo, eu sempre volto. Você já acordou com medo de estar caindo? Já acordou e voltou a dormir sonhando com a mesma coisa? Ela só balançou a cabeça que sim, foi saindo da cozinha. Ele falou sem jeito: — Você está bem? Ela respondeu desanimada: — Aham, não tanto quanto você acredito eu, julgando a hora que chegou, o encontro deve ter sido bom. Ele sorriu e falou indo atrás dela: — Quer saber como foi? Tenho certeza que seu sono vai voltar, porque foi assim que me senti, com sono. Agora eu tô sem sono! Ela balançou a cabeça que sim. Sentaram na sala, ele começou a falar: — Quando fui buscar ela eu já comecei a me irritar, odeio ficar esperando, não tenho paciência. Pra que marcar o horário se não vai seguir? — Ela fez eu ir a dois lugares diferentes, dois, só pra comer em um, tomar alguma coisa no outro. Como se não bastasse, fiquei horas ouvindo ela falar de como o Brasil é r**m, de como as coisas de marca são baratas fora do país. Ela listou as mulheres do restaurante pelas bolsas e sapatos, qual o grau de influência e poder aquisitivo de cada uma. — Ela ficou em segundo lugar na lista! Disse que não tinha problemas de eu ter ido vestido assim, porque eu não tive tempo de me preparar. O que tem de errado com a minha roupa? Eu devia ter levado o esparadrapo! Provavelmente você não sabe disso, mas eu não nasci em berço de ouro, então não sou como o Noah e a Kim. — Ralei muito pra ter tudo o que tenho hoje, dinheiro é bom lógico, não sou hipócrita, eu compro o que quero, tenho meu lazer. Ela falou sem esboçar nenhuma reação: — Aé? Ele continuou falando: — É! O bom de conversar com você é que não preciso trazer o esparadrapo! Ela falou com sarcasmo: — Nem as algemas! E aí, como acabou o seu encontro? Não teve nada de bom? Ele falou exultante: — Teve, mas acho que você não quer saber dessa parte. Ela deitou no sofá, perguntou se ele queria contar. Ele falou que parecia inadequado. Ela repetiu sarcástica: — Inadequado... Ele perguntou: — O que foi? Está curiosa? Ela respondeu séria: — Não, eu só tô pensando em umas coisas. No quanto é difícil confiar nas pessoas e como dói ser traída, ser exposta, ridicularizada. Será que os homens param e pensam: “Poxa, como ela se sente com isso? Será que tô magoando ela?” Ele disse que não estava fazendo aquelas coisas com a moça, que ela era muito ingênua pra entender. Ela falou que não estava mesmo se referindo à moça, perguntou se ele também era amigo da Aisha. Ele disse que sim, perguntou porque. Ela falou chateada: — E você sabe, né? Dela e do meu amigo? Ele disse que sim. Ela ficou quieta um tempo. Ele perguntou se ela não ia deitar. Ela falou levantando: — Eu posso ir embora? Dessa casa, dessa nova vida? Ele falou que provavelmente sim, perguntou se tinha acontecido alguma coisa, disse que ela podia confiar nele. Ela respondeu saindo da sala: — Eu não confio em ninguém, se for homem, menos ainda. Ela foi deitar, deixou ele pra trás. Na manhã seguinte a Kim, já cedo, chamou a Rebeca pra sair. Foram só as duas. A Kim deixou ela ir dirigindo, disse que tinha uma surpresa. Levou ela pra dar entrada na habilitação. Ao ver do que se tratava, já desconfiada, a Rebeca disse que não podia aceitar, perguntou porque estavam sendo tão bons, ajudando tanto. Disse que não queria dívidas nem se prender a eles. Aproveitou a oportunidade e pediu as coisas dela, o dinheiro que ela levava consigo antes de ser internada. A Kim não gostou muito, se chateou, perguntou se tinha feito algo errado, disse que não sabia que ela queria as coisas já que não disse nada em semanas. Falou que não estava tentando comprar ela ou a prender, que as coisas dadas eram dela sem precisar fazer nada em troca, e que a habilitação ia ajudar no dia a dia, pra em uma emergência ela poder ir e vir sozinha ou com o Toni mesmo. Ela chegou a chorar e a Rebeca ficou se sentindo péssima. Ao sair da autoescola a Kim falou chateada: — Você quer dirigir? Vamos pra casa! Rebeca balançou a cabeça que sim. O trajeto todo a Kim foi quieta, mexendo no celular, trocando mensagens. Ela ficou muito diferente. Assim que chegaram, ela desceu do carro, pegou as chaves falando que ia trabalhar e que era pra Rebeca ir dar uma volta na fazenda, aproveitar o dia. Ela ficou confusa, também chateada, sem entender o que aconteceu. Foi para perto do lago, sentou embaixo de uma árvore e ficou por horas sentada lá. O horário de almoço já tinha passado mesmo, ela ficou sem comer. Quando o sol estava se pondo ela entrou, foi para a cozinha. A Iolanda falou que a Eleonora estava procurando por ela a tarde toda. Ela falou apreensiva: — Você sabe o que ela quer? Ela falou com desprezo: — E como vou saber? Tenho cara de menino de recados? Rebeca foi procurar a Eleonora. Estavam na sala mexendo com a decoração do aniversário, Estela, Toni, Eleonora e Noah. Ela entrou, começou a conversar com o Toni, falou pra Eleonora: — A senhora estava me procurando? Eu fiquei no lago, perdi a noção do tempo, desculpa! Ela pareceu normal, disse que não era nada demais. A Estela falou que ia se arrumar, disse para o Toni ficar com a Rebeca. O Noah falou: — Mãe, fica com o Toni, por favor? Preciso falar com a Rebeca! Vamos para o escritório. Ela foi indo atrás dele apreensiva. Ao entrar, ele falou mexendo na gaveta da mesa: — Vou te dar os celulares, achei que você não queria. Quero te pedir pra ter um pouco de paciência com a Kim, ela não está muito bem esses dias e daqui pra frente vai ser difícil mesmo por causa do tratamento, os hormônios. — Eu não sei o que aconteceu hoje com vocês, ela só me pediu pra te devolver as suas coisas. O dinheiro eu guardei, minha intenção é abrir uma conta pra você, porque não dá pra ficar andando com tanto dinheiro, é loucura. Quer me dizer alguma coisa? Tá pensando em ir embora?
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