Ele respondeu pensativo:
— Vai adiantar te falar que não?
Rebeca falou que não era nada demais. Ele mandou que fosse em frente. Ela falou apreensiva:
— Por que não me deixa chegar perto? Te incomoda eu ser assim? Você odeia isso em mim?
Ele respirou fundo, olhou para ela e falou, segurando sua mão:
— Eu só tenho medo por você, filha. Odeio te ver m*l, não odeio seu dom, isso é um presente de Deus, você é muito especial. Eu sei que não te criei como deveria, entendo que você sinta falta de ter uma mãe, uma família grande amorosa, eu sinto muito por tudo e vou passar o resto da minha vida tentando consertar isso. Ser melhor pra você!
Enquanto estavam de mãos dadas, Rebeca tentou sentir qualquer coisa. Disfarçando, concentrou-se nele, nos momentos bons que tiveram. Foi muito rápido, ele logo a soltou.
Ela perdeu o apetite na hora. Ele não percebeu nada e ela não sabia exatamente o que tinha feito, porque ele nunca reclamava de nada, sobre estar doente ou com dores.
Depois do almoço, ela ficou com o corpo r**m, muita dor de cabeça e deitou para dormir. Acordou com Antônio chamando e reclamando dela, perguntando por que tinha feito aquilo.
Ela falou que não tinha feito nada. Ele respondeu, sentado na beirada da cama, quase chorando:
— Fala a verdade, fez de propósito, não fez? Você não entende que isso te prejudica, não sabemos o quanto, é seu aniversário e agora está assim. Por isso eu te mantenho longe!
Ela falou chateada, querendo chorar:
— Desculpa, eu tô bem, só estava cansada, não vou fazer de novo. Não precisa me afastar! Tio? Eu só quero ser normal.
Começou a chorar. Ele se aproximou, abraçou-a e falou que não sabia o que fazer com ela, porque era teimosa demais. Deu-lhe um chá e remédio para dor. Rebeca voltou a dormir e nem era de noite.
Acordou com o celular tocando. Quase caiu da cama para pegar. Atendeu e ficou quieta. Ouviu:
— Você não sabe como que se atende uma ligação? É tão pré-histórica assim?
Ela respondeu rindo:
— Eu só atendo bem pessoas que eu quero conversar. Como você tem meu número?
Era Neto. Ele disse que era para ela salvar o único contato importante da vida dela. Rebeca falou que eram tantos dias longe que havia se esquecido da tal importância dele. Ele respondeu:
— Estou bem perto agora, se arruma e vamos sair curtir a noite. Vem aqui em casa, tô te esperando!
Ela falou que estava de castigo. Ele disse que já tinha ido lá pedir permissão, e que ela estava liberada do castigo, mas só porque ele era de muita confiança.
Ela ficou ansiosa, desligou e foi para a sala. Antônio perguntou se ela estava melhor. Rebeca falou com deboche, rindo:
— Acho que sim, e o senhor tá ótimo, né? Depois das minhas mãos de fada!
— Deveria me abraçar, mais vezes.
Ele deu risada e falou que ela não tinha jeito mesmo. Ele disse que era para ela ir lá ver o que Neto queria. Ela perguntou se ele tinha ido lá. Antônio respondeu, levantando:
— Mas é lógico que sim, vocês dois não se desgrudam. Espero que você tenha mais juízo que ele, quando se é jovem tudo parece ser momentâneo, mas as consequências não são. Pode ir, ele quer te levar pra sair, por causa do seu aniversário.
Rebeca falou que estava com preguiça. Ele lhe deu dinheiro e disse que então não precisava lhe dar nada. Ela respondeu, abraçando-o de surpresa:
— Deu está dado, obrigada. Eu prometo que vou me comportar!
Ele correspondeu ao abraço e disse que não era para ela se meter em problemas.
Ela foi se arrumar, tomou banho cheia de expectativas, colocou calça jeans, coturno, blusa de moletom.
Estava um pouco frio. Não passou maquiagem nem mexeu no cabelo, tinha lavado e deixou de qualquer jeito.
Foi para a casa de Neto. Ele estava na frente, encostado no carro, mexendo no celular. Ela falou oi. Ele a puxou pela cintura e deu um beijo na boca. Rebeca foi pega um pouco de surpresa. Ele a encostou no carro e perguntou se estava animada, disse que estava com saudades. Ela m*l pôde responder, ele foi beijando, cheio de fogo.
Rebeca falou incomodada:
— Nossa, vai com calma, você nem olhou na minha cara direito, não perguntou se eu tô bem, faz semanas que a gente não se fala. E imagino que você se divertiu muito sem mim esses dias!
Ele não gostou. Disse que não tinha culpa de ter ido ficar longe, alegou estar louco de saudades. Conversaram um pouco. Ele disse que estava esperando Júlio para irem. Começou a contar que tinha planos para o fim de semana dos dois.
Ela deu um selinho, trocaram um pouco de carinho. Ela também estava com saudades e muito carente. Foram interrompidos por Júlio. Ele falou brincando que era para irem para o quarto t*****r direito.
Rebeca olhou séria para ele. Neto falou que tinha deixado a chave do carro na sala. Enquanto Júlio foi pegar, ela falou brava:
— Você contou pra ele? Neto? Olha pra mim!
Ele disse que não. Ficou se fazendo de ofendido, mas ela sabia que era mentira. Ele era péssimo em mentir. Já ficou um pouco chateada pela indiscrição dele.
Rebeca falou que não queria mais sair. Ele retrucou, dizendo incomodado:
— Já vai começar, eu só tô aqui por você, foi bem difícil convencer meu pai, Rebeca, vamos por favor! Vai ser legal.
Ela respondeu, encarando-o chateada:
— Se está aqui por mim, deveria fazer o que eu quero. Não acha? Em momento algum você me perguntou se eu queria sair.
Ele estava todo arrumado para sair e animado. Ficou quieto, fechou a cara. Quando Júlio saiu apressando os dois, Neto falou, afastando-se dela:
— A Rebeca não tá afim, vai você, cara. Nós vamos ficar!
Júlio falou alto e em bom som, com deboche, que sabia do que ela estava afim. Rebeca ficou muito brava, ignorou-o, foi entrando na frente, na casa de Neto e sentou na sala.
Neto disse que podiam ir assistir no quarto. Começou a fazer drama, dizendo que queria muito ter ido para a balada. Rebeca falou que não estava se sentindo muito bem.
Foram para o quarto. Ela tirou os sapatos e sentou na cama. Começou a escolher um filme. Ele foi tirando a roupa, trocou-se na frente dela e colocou um shorts de jogar bola. Quando apagou a luz, trancou a porta.
Rebeca ficou olhando de canto, só prestando atenção em cada movimento. Colocou o filme e foi deitar, olhando para a televisão.
Ele começou com uma mão boba, subindo da barriga até seus s***s por cima da roupa. Ela olhou séria para ele e perguntou se não queria assistir. Na cabeça dele, não estava tendo sinal nenhum de que ela não queria fazer nada.
Ele a beijou e foi passando a mão por baixo da blusa. Rebeca parou de beijar e falou que queria assistir. Ele perguntou se ela estava naqueles dias. Ela balançou a cabeça que não e deitou de costas.
Ele continuou tentando, beijando seu pescoço. Insistiu com a mão boba, louco para pôr dentro da calcinha dela. Ela se irritou com a insistência e falou novamente que não estava bem.
Ele respondeu irritado:
— Fala que não quer de uma vez. Depois de tudo o que aconteceu, agora não quer, ficou em cima de mim até dar no que deu, agora não quer nem me beijar, eu sei que foi r**m pra você, não sou i****a. Eu vim pra cá louco pra poder ficar com você, te levar pra sair, aproveitar seu aniversário. Eu sou um o****o mesmo!
Ele foi deitar no tapete. Ela falou que não era aquilo, mas que ele estava sendo chato com ela. Ele respondeu, quase chorando:
— Eu fico nervoso perto de você, minha garganta fica seca, minhas mãos geladas, meu coração dispara, às vezes eu nem acredito que ficamos, parece que não foi real, acho que não mesmo, é bom demais pra ser verdade.
— Aquele dia no carro, você me abraçou como se nunca mais quisesse soltar, tudo que aconteceu foi incrível, pelo menos pra mim.
— Estar com você é a melhor coisa que tem me acontecido em muito tempo, eu só sabia pensar em você todos os dias que fiquei longe, meu primo e minha avó se cansaram de ouvir seu nome.
— Acho que você nem sentiu minha falta de verdade, ganhou o celular cedo e nem quis me ligar, eu fico pensando nisso às vezes, só não consigo entender por que você tá brincando comigo desse jeito, eu nunca faria nada assim pra te magoar.
— Você parece não ter sentimentos, nunca.