Capítulo 25
A Estela fez carinho na Kim, falou baixinho:
— Você é mais sexy e com certeza mais divertida.
A Kim ficou chateada, falou pra Iolanda:
— Me dá alguma coisa pra beber, se não eu vou surtar, ela m*l chegou e já está tirando o meu juízo.
A Iolanda falou:
— Tem certeza, doutora? Você disse que não é bom ingerir bebida alcoólica.
Kim falou rindo:
— E dar na cara de mulher grávida? Pode?
O Toni falou chateado:
— Não quero que vocês briguem, por favor, mamãe.
A Estela falou irônica, brincando com ele:
— Quem aqui tá brigando? Não é porque sua irmã é chata, uma bruxa, que vamos brigar com ela. Ela não tem culpa de parecer um maracujá azedo! Seu bobo!
A Kim começou a beber, ofereceu para as duas, disse que todo mundo ia precisar pra aguentar a pentelha. A Estela não quis, a Rebeca também não. A Iolanda falou, tomando uma dose de tequila:
— Eu vou é me fazer de louca, que grávida tem meu respeito.
Elas continuaram preparando as coisas. O Noah ligou pedindo para o Toni ir lá fora, ele foi todo animado pra ver a surpresa. Logo a Estela e a Rebeca foram também. Ao sair lá fora, viram o Toni brincando. Tinha cama elástica, tobogã inflável, todos estavam reunidos, a família do Noah e da Kim. A Rebeca foi andando um pouco distante e viu um carro diferente que lhe chamou muito atenção, um Porsche esportivo. Ela se aproximou curiosa, admirando. Não tinha ninguém perto até então. Logo ela ouviu perto dela:
— Você gosta?
Era o Armando, marido da Kiara. Ela ficou quieta, só o olhou séria. Ele disse, chegando mais perto:
— Se quiser eu te levo dar uma volta.
Ela continuou andando, se afastou. De longe o Noah estava olhando.
Rebeca voltou pra cozinha pelos fundos. O Ramon entrou falando no telefone muito exaltado. A Iolanda saiu, foi levar uma bandeja de petiscos lá fora. A Rebeca ficou quieta olhando pra ele séria. Ao desligar, ele encostou no balcão de cabeça baixa. Ela se aproximou sutilmente, falou oi, viu que ele estava chorando.
Ele levantou a cabeça, enxugando as lágrimas. Ela chegou mais perto, foi colocando um brigadeiro na mão dele. Os dois estavam bem perto, um ao lado do outro, encostados no balcão. Sutilmente ele encostou na mão dela, encostando seus dedos, falou que estava cansado de ver a mesma coisa se repetindo.
O Noah entrou, falou surpreso com a proximidade dos dois:
— E aí, como ele tá?
Ela se afastou, voltou a fazer as coisas. Os dois se abraçaram. O Ramon falou que era grave. O Noah respondeu:
— Eu sei que você está com raiva, mas vamos pensar muito bem no que fazer. Tá me ouvindo cara?
A Kim entrou chamando pelo Noah. Ele respondeu m*l, dizendo que era importante a conversa deles e que já ia. Ela falou irritada:
— Importante? É só um final de semana, custa muito você se dedicar à nossa família? Caramba, Noah! Você não muda.
Ele falou irônico:
— Eu não mudo? Eu tô cheio dessas me.rdas, você quis que eles viessem e nem você aguenta. Eu te falei que não era um bom momento, não vem descontar em mim só porque seus planos não estão saindo como o planejado.
Ela gritou com ele:
— Se não é um bom momento, a culpa é toda sua, que se acha melhor que todo mundo, está começando uma guerra que não vale a pena. Vai lá resolver suas merdas, pode voltar quando tudo já tiver acabado.
Ele foi atrás, discutindo ainda. O Ramon e a Rebeca ouviram tudo, ele saiu logo atrás.
A Estela e a Rebeca ajudaram a Iolanda o dia todo, almoçaram dentro da cozinha bem rápido, tinham muitas coisas pra fazer. No final do dia a Estela falou pra Rebeca que estava na hora de irem se arrumar. Escolheu a roupa dela e, enquanto digitava no celular conversando com alguém, falou que era melhor irem de preto. As duas vestiram calça, blusas agarradas, tudo preto. A Rebeca ia pôr salto, a Estela falou de um modo estranho:
— Não põe esse. Depois eu te explico. Vamos logo!
Ela estava impaciente, estranha, mexendo no celular toda hora. Nem se despediram de ninguém. Ao saírem no quintal estava o Ramon esperando. A Estela falou apreensiva:
— Vai rolar mesmo?
Ele disse que sim. Ela perguntou se a Rebeca ia junto. Ele já estava saindo da fazenda dirigindo, falou olhando a Rebeca pelo retrovisor:
— Se ela quiser. Prefere ficar ou sair com a gente?
Ela disse que sair.
Depois de andar cerca de meia hora, um pouco mais, ele parou em um galpão, que parecia uma empresa, falou pra Estela:
— Você contou pra ela?
Ela falou que não, perguntou se deveria ter falado. Ele respondeu:
— Não, até agora.
Desceu do carro, foi até o galpão, entrou. A Estela falou que eles iam fazer umas coisas pelo amigo deles. A Rebeca falou séria:
— Que tipo de coisas?
A Estela falou, descendo do carro:
— Vem, vamos encontrar o pessoal.
Assim que desceram chegaram a Lara e o Levi em um Volvo lindíssimo, um carro de luxo. Eles se aproximaram, o Levi beijou o rosto das duas. A Lara falou oi, ficou meio de canto séria. O Ramon abriu o galpão, foi tirando outro carro mais popular, com vidros escuros de Insulfilm. O Levi entrou pra pegar outro carro também semelhante e a Estela foi até o galpão. A Rebeca falou para a Lara:
— Não vai trabalhar hoje? Dançar?
Ela falou que não e ficou séria olhando a Rebeca fixamente. Sem jeito, Rebeca falou:
— O que foi?
A Lara parou bem na frente dela e respondeu séria:
— Me diz você, que a cada dia parece ser uma pessoa diferente. Tem problema de memória? Eu não gostei da forma que você falou comigo ontem, eu só tô tentando ser legal com você. Aliás, estava!
Confusa, a Rebeca ficou quieta, séria. A Lara falou irônica:
— O que é? Vai chorar? Não fica me olhando com essa cara de boba! Eu tô de péssimo humor hoje.
Rebeca olhou pra ela e falou séria:
— Eu tomo remédios controlados, desculpa se eu te fiz alguma coisa. Quase sempre eu fico distraída, em outra dimensão. E não precisa ficar sendo legal comigo, porque eu não vou ser com você!
A Lara perdeu até a fala, foi pega de surpresa. Rebeca sorriu e falou irônica:
— O que foi? Vai chorar? Não fica me olhando com essa cara de boba!
A Lara falou aliviada:
— Me desculpa? Eu não fazia ideia!
Os outros se aproximaram, elas ficaram quietas. O Ramon falou:
— Rebeca vai comigo, Estela com a Lara e Levi sozinho. Temos uma hora!
Foram entrando nos carros. Ele falou sério:
— Está afim de dirigir? Está bem hoje?
Ela perguntou o que iriam fazer. Ele disse que esquentar um pouco as coisas. No caminho ele foi falando sobre o carro, perguntou se ela tinha alguma dúvida, porque era um carro simples, com o motor mexido. Ela falou confusa:
— Eu já dirigi coisa bem pior, mas.
— Eu não sei, é melhor não. Eu faço o que vai fazer, dirige você.
Eles estavam na rodovia correndo muito. Ele falou irônico rindo:
— Está com medo? Achei que fosse destemida.
Ela disse que medo não. Ele respondeu:
— Aí no banco de trás tem umas embalagens, são toucas. Pega pra mim e põe também! Com esse seu cabelo qualquer câmera te acha de longe!
Ela fez o que ele falou, viu várias coisas no banco de trás, falou surpresa:
— Balaclava? Vai pôr fogo em algo? É sério? Coquetel molotov?
Ele falou animado:
— Olha só, temos uma aspirante a marginal aqui, está sabendo legal, hein. Pronta?
Eles colocaram as toucas. Ele parou o carro, falou que era pra ela ir para o banco do motorista. Ele desceu, entrou no banco de trás, foi instruindo ela sobre a velocidade e por onde devia ir. Tranquilamente ele incendiou uma sequência de lojas em um centro comercial, mais de cinco, jogando os coquetéis pela janela.
Ele voltou a sentar no banco do passageiro por dentro, com o carro em movimento, foi instruindo ela sobre o bairro. Logo pegaram a rodovia.
Ele estava mexendo no celular, tirou a touca, falou que ela podia tirar. Ela falou séria:
— Todo esse suspense só pra isso? Eu esperava mais!
Ele perguntou se ela queria mais. Ela respondeu, acelerando fundo, colando o ponteiro do velocímetro:
— Tanto faz, eu não sinto muita coisa com esse tanto de remédios que tomo. Não tenho medo de morrer e nem nada a perder, entende? É só um dia após o outro e todos parecem iguais!
Ele falou surpreso:
— E você quer morrer? Pensa nisso?
Ela disse que não.
O celular começou a tocar, era a Estela dizendo que a Lara tinha se machucado. Ele ficou super preocupado, perguntou se ia precisar ir no hospital. Ela falou que não, que estava indo guardar o carro no galpão e que tinha deixado a Lara em casa. Fora isso correu tudo bem.
Eles foram trocar de carro. O Levi tinha ido mais longe e ainda estava voltando. A Estela falou que queria ir ficar com a Lara. Ele disse que precisava dela na boate. A Rebeca falou:
— Eu ajudo ela, me deixa com a Lara, não vou fazer falta na boate mesmo.
Às pressas foram os três. A Estela falou que era pra ela limpar e passar pomada, dar um analgésico pra ela.
Rebeca desceu sozinha, foi entrando na casa, falou na porta:
— Lara, eu vim te ajudar!
Ela estava deitada no tapete da sala, bebendo na boca da garrafa de um litro de vodca, respondeu:
— Tô aqui.
Rebeca se aproximou, ajoelhou perto, olhando o braço da Lara que estava queimado, chamou ela pra ir lavar. Ela falou rindo:
— Com água ou vodca? Dizem que mata qualquer bactéria!
Rebeca falou que com água, perguntou se ela tinha alguma caixa de remédios e curativos. Lara levantou, foi pra cozinha, pegou a caixa de primeiros socorros, continuou bebendo.
Rebeca estava mexendo nos remédios, olhando tudo. A Lara falou:
— Você tá sendo legal comigo?
Rebeca respondeu, se aproximando sem encostar, com medo de tirar a dor da Lara:
— Eu disse que não seria, não é porque não quero, é porque eu não sei ser legal. Vamos lavar.
A Lara estava encostada na pia, falou encarando a Rebeca nos olhos:
— Na verdade, eu te acho bem legal.
Estavam muito próximas. Ela levou a mão no rosto da Rebeca, acariciou, mexeu no cabelo, se aproximou e a beijou, sutilmente um selinho. Rebeca foi pega de surpresa, sentiu um frio na barriga, tomou um susto, se afastou devagar. Ainda próxima, a Lara não perdeu tempo, deu outra investida, foi colocando a mão na nuca da Rebeca e a conduziu, chegando cada vez mais perto. Trocaram olhares em direção à boca uma da outra. Com sutileza a beijou, chupou seus lábios, se movimentando com suavidade. Rebeca fechou os olhos e ficou imóvel, só sentindo, sem saber muito bem o que estava acontecendo, achou desconfortável. Quando a Lara foi começar a beijar de língua, a Rebeca se afastou constrangida, ficou séria.
Lara falou rindo:
— Achei que você estava afim.
Cabisbaixa, a Rebeca disse:
— Eu nunca fiz isso.
Lara respondeu irônica:
— Nunca beijou?
Elas estavam na pia, começaram a lavar a queimadura. A Rebeca falou constrangida:
— Uma mulher não. Eu não curto isso!