Capítulo 40

1422 Words
Rebeca falou surpresa: — Ok, vai prejudicar somente a você mesmo fazendo isso. Ele respondeu, encarando-a: — Talvez eu mereça. Vamos pra casa um pouco, você precisa dormir e comer. Ela balançou a cabeça que não e foi sentar sozinha. Logo Célio chegou brigando com Neto. O médico se aproximou dele e o chamou para conversar a sós. Célio logo voltou e disse que o tio dela tinha tido uma melhora. Insistiram para Rebeca ir embora um pouco descansar. Ela aceitou, mas com segundas intenções. Sabia que o pior podia acontecer e quis se preparar. Falou para Neto: — Vamos comigo? Ele se aproximou. Rebeca se despediu de Tassiane e Felipe. Preocupado, Felipe falou que os dois podiam ir ficar com ela. Tassiane falou: — Ela tá com o Neto, se precisar chama a gente. Vamos pra casa descansar um pouco também. Depois a gente volta! Rebeca agradeceu aos dois. Foi para casa sem conversar com Neto. Quando chegaram, ele deixou o carro no portão dela e perguntou se podia entrar. Ela falou que ia tomar banho e depois ir dormir com ele. Muito surpreso, ele falou que ia esperar, queria entrar com ela na casa. Rebeca falou que queria ficar sozinha um pouco. Abraçou-o. Fez tudo de caso pensado. Ele foi para a casa dele e ela para a sua. Começou a revirar tudo procurando documentos, qualquer coisa que fosse ajudá-la a encontrar a mãe. Não estava achando nada demais. Começou a andar pela casa pensando. Deitou na cama do tio depois de arrumá-la e ficou olhando para o teto. Viu a pontinha de uma pasta azul saindo do forro que estava quebrado. Entrou no forro pelo telhado e pegou a pasta. Lá tinha sua certidão de nascimento com o nome do tio como pai e só, algumas fotos dela bebê com uma moça jovem linda. Rebeca deduziu que era sua mãe. Pegou tudo e colocou em uma mochila. Também colocou algumas trocas de roupas junto e todo o dinheiro que tinha guardado. Foi esconder na oficina. Ninguém estava trabalhando por lá e nem na reciclagem. Voltou para casa correndo e tomou banho. Quando saiu do quarto já vestida, Neto estava na sala. Ela falou: — O que foi? Alguém ligou? Ele respondeu: — Você demorou, eu vim te buscar. Onde tá seu celular? Você precisa carregar ele. O celular dela estava descarregado, jogado no quarto. Foi procurar o carregador do tio e achou o celular dele. Como Neto estava por perto, desligou e guardou o celular na bolsa. Falou para ele que era melhor ficar por lá mesmo. Ele perguntou se ela queria conversar. Rebeca balançou a cabeça que não. Foi até ele, pegou-o pela mão e o levou para o quarto. Deitaram e ficaram se olhando em silêncio, de mãos dadas, até que ela cochilou. Teve um pesadelo horrível em que via o tio enforcado. Acordou chorando, assustada. Neto a abraçou e tentou acalmá-la. Ela não conseguiu dormir mais. Esperou um tempo e o chamou para voltar ao hospital. Continuou quieta o tempo todo, com medo do futuro. Estavam lá o pessoal da reciclagem. Todos falaram que ela podia ficar na casa deles, tentavam ajudá-la como dava. Rebeca dizia que preferia ficar com Neto. Ele estava realmente acreditando que ela de alguma forma ia perdoar tudo o que aconteceu. Logo que chegaram, Célio saiu de perto. Quando voltou, ela já sabia o que tinha acontecido. Ele m*l conseguia olhá-la. Deu a notícia de que o tio dela não tinha aguentado. Rebeca desabou. Chorou tudo o que estava segurando. Célio disse que ia dar um jeito, que o tio dela sempre pensou em tudo e que ela não ia ficar desamparada. Ele deu a entender que ia conversar com ela depois. Rebeca ficou pensando que talvez ele soubesse de toda a verdade, ou pelo menos parte dela. Foram para a casa dela. Ajudaram-na a pegar as coisas para o velório. Quem cuidou de tudo foi Célio. Rebeca só ficou por horas sentada, quieta. O corpo só ia para o velório de manhã. Vendo que estava rodeada de gente, no final do dia falou que queria ficar com Neto apenas, porque não estava bem e ninguém ia poder lhe dar mais conforto do que ele. Todo o tempo tentou parecer calma e foi concordando com o que eles falavam, que ia ficar na casa de um ou de outro. À noite, tomou banho. Estava sozinha em casa. Pensou em tudo, mas os planos mudaram quando foi novamente fuçar no quarto e encontrou dois endereços. Outro dia, ela tinha visto que a passagem de ônibus do tio foi para aquela cidade, quando ele sumiu por dias. Teve certeza de que ia encontrar a madrinha, ou a mãe, algum familiar. Outra coisa que sabia era que mentiam para ela. Disso não tinha dúvidas. Pegou algumas coisas para dormir fora, escondeu os papéis junto com o celular do tio, que deixou desligado. Foi para a casa de Célio. Ele estava discutindo com Neto, falando que Rebeca era um problema. Disse que as coisas não funcionavam daquela forma, que ele era só um moleque bobo, sem responsabilidade alguma. Falou claramente que ela não podia ficar lá. Disse que ia esperar a poeira baixar apenas. Também falou da prova que Neto perdeu, como se a culpa de tudo fosse dela. Rebeca ficou surpresa, muito decepcionada. Sempre teve muito carinho por Célio. Voltou para casa, deu um tempo e foi lá de novo. Neto estava na sala e Célio na cozinha. Ela falou que estava com fome. O jantar estava pronto. Comeu bem pouco. Depois perguntou a Neto se podiam ver umas fotos. Ele falou triste: — Vou pegar a caixa. Eu revelei suas fotos do seu aniversário pra te dar. Ela falou que queria ver também. Foram para o quarto dele. Rebeca pegou algumas para si: fotos deles dois desde criança, fotos do tio. Deixou tudo separado. Neto falou, com um tom nostálgico, que sentia falta de como eles eram antes. Ela estava chorando, respondeu: — Eu não sei nada da vida, mas até hoje você foi a minha maior certeza. Obrigada por ter sido meu amigo quando ninguém mais quis ser. Nunca vou esquecer da gente, de tudo o que vivemos! Ele a abraçou e pediu desculpas por tudo o que falou na briga. Disse que não podia suportar imaginar uma vida sem ela, que aqueles dias brigados foram os piores da vida dele desde que perdeu a mãe e que faria de tudo por ela. Rebeca ficou quieta, chorando. Ele falou sério: — É sério, eu vou cuidar de você, podemos trabalhar e ir morar sozinhos. Nada vai separar a gente, não posso te perder! — Já somos maiores de idade. Eu vou arrumar uma casa, pra gente. Longe daqui, se preciso for. Ela ficou abraçada e não disse nada. Já estava tarde. Ele a chamou para deitar, fechou a porta e apagou a luz. Rebeca foi ao banheiro se trocar para deitar. Pegou uma camiseta dele e ficou se olhando no espelho, pensando que se ficasse grávida, Célio não poderia separar os dois, e Neto ia amadurecer, parar de duvidar do amor dela. Quando saiu, ele já estava deitado. Ela foi para a cama, subiu em cima dele, deu um beijo e falou, levando as mãos dele para debaixo da camiseta, para tocá-la, pois já estava sem nada por baixo: — Não quero nunca esquecer da gente. Me perdoa por tudo! Ele ficou surpreso e respondeu, tirando as mãos: — Eu sempre vou te perdoar, porque eu te amo. Sei que você tá confusa agora, é melhor a gente não fazer nada. Vamos com calma dessa vez, tenho todo o tempo do mundo pra você. Ela tirou a camiseta, ficando nua. Envergonhada, deitou e o beijou. Ele foi tentando resistir, mas era difícil estando tão perto. Rebeca percebeu que ele estava com medo, se segurando, a evitando. Não fez nada além de beijar. Ele perguntou se ela queria mesmo continuar. Ela olhou para ele, ofegante, sem fôlego de tanto beijar. Estava querendo chorar, confusa. Ele a colocou deitada de costas, abraçou-a muito forte e falou, chateado, enquanto ela chorava de soluçar: — Eu estou aqui, tudo bem. Vou sempre cuidar de você! Rebeca chorou muito. Não estava conseguindo administrar os sentimentos, lidar com a perda. Quando se acalmou um pouco, ele a vestiu, colocou meias em seus pés e voltou a deitar abraçado, fazendo carinho. Ela cochilou um pouco. Teve um pesadelo com o tio, acordou assustada e decidiu seguir com o plano.
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