Capítulo 28
A Estela pediu por favor, disse que faria qualquer coisa que ela pedisse. Com sarcasmo a Rebeca sorriu, não disse nada. Elas já estavam no carro de saída. A Estela continuou falando:
— Vai, eu sei que não tenho nada a te oferecer, mas nós somos parecidas e também você vai poder ir sozinha resolver isso ou, se quiser, eu vou com você. Eu m*l consigo conversar com ele e as pessoas sempre ficam falando de como sou idio.ta porque eu amo ele demais e falam que ele me abandonou, que não é sério, recíproco.
Rebeca falou exultante:
— Talvez tenham razão, eu já fui iludida, traída, abandonada. Às vezes tá tudo bem na nossa frente, só a gente não vê!
Estela falou chateada:
— É, eu sei e por isso preciso ver ele pessoalmente. Estou grávida!
Rebeca olhou pra ela com espanto, falou desacreditada:
— Grávida? Tem certeza? Estela?
Ela disse que estava suspeitando por muito tempo desde que a Rebeca chegou, mas que naquela semana tinha passado m*l na boate e fez um exame escondido. As duas ficaram quietas. A Estela falou:
— Logo eu não vou poder esconder e minha mãe não vai deixar isso acontecer, ela acha que seria um fardo, um problema. Vai me fazer tirar e quando ela quer algo ninguém impede, nem a Kim ou o Noah.
— Mesmo se eu não precisar tirar, você imagina a vida de merda que essa criança vai ter? Nascendo pré-destinada a servir aquela família? Isso não é justo, eu não quero mais viver assim, com ou sem o Ayres eu juro que vou embora!
— Quero dar o melhor pra essa criança, mesmo que não financeiramente.
Comovida com aquilo, a Rebeca topou ajudar. Juntas começaram a arquitetar um plano. Pelo celular antigo da Rebeca, a Estela marcou tudo com o Ayres. Lá tinham mensagens da Tassiane, da Suzan, até do Felipe, todos falavam o mesmo, que queriam notícias. A Rebeca apagou tudo, salvou o número de todos no celular novo, disse que era pra Estela ficar com aquele celular e guardar muito bem, que se algo acontecesse iriam se comunicar por lá.
Estela falou que não ia fugir na viagem pra não prejudicar a Rebeca. Ela respondeu:
— Tá bom, mas fica com o celular, se isso tudo vier acontecer mesmo, não vamos poder conversar fora daqui, muito menos naquela casa.
— Eu tenho outro número que era do meu tio, ninguém tem ele. Se algo r**m acontecer a gente se comunica por esses números, se tudo estiver bem a gente não vai conversar.
— Se você vai fugir eles não podem ter a chance de te encontrar e depois, quando seu bebê tiver nascido, sua mãe pode mudar de ideia e aceitar.
Estela nem estava acreditando naquilo tudo, ficou muito feliz, ansiosa. Tiveram tempo pra pensar em cada detalhe. A viagem toda foram conversando, a Estela contou tudo sobre a vida dela nos mínimos detalhes, falou muito dos patrões também.
Quando chegaram perto da cidade onde o Neto morava. A Estela ficou em um hotel e a Rebeca decidiu ir sozinha até lá. Ela só entrou, se arrumou, tomou banho, fez até maquiagem, arrumou o cabelo, tudo para encontrar o Neto e mostrar pra ele que estava bem.
Depois de pensar muito ela achou melhor ir procurar a Tassiane, foi até a casa dela, ficou do outro lado da rua e ligou. Ela atendeu, quando a Rebeca falou oi, ela respondeu:
— Rebeca? Oi, como você tá? Eu tô muito preocupada com você.
Ela perguntou apreensiva:
— Eu tô bem e você? Onde você está? Tá em casa? Pode conversar?
Ela falou saindo no quintal, chorando, nitidamente nervosa:
— Oi, tô sim, claro, pode falar, eu tô te ouvindo, você não sabe como é bom ouvir sua voz.
Do outro lado da rua a Rebeca desceu do carro, ficou de longe olhando, falou para a Tassiane:
— Você tá bem mesmo? Não me parece bem.
Ela disse que estava, que não tinha mudado muita coisa desde que ela foi embora. A Rebeca falou passando a rua:
— E por que você tá sentada chorando aí nas escadas então?
Tassiane respondeu:
— Eu não parei de pensar em você nenhum dia sequer. Espera, como você sabe que eu tô sentada nas escadas?
Ela levantou, foi chegando perto do portão olhando pra fora, procurando. A Rebeca já estava perto, sorriu e falou:
— Será que virei sua crush? Tá pensando em mim todos os dias?
Sem acreditar, a Tassiane saiu, correu abraçar ela, perguntou sem entender o que tinha acontecido, onde ela estava, morando com quem. A Rebeca falou triste, mas sem chorar:
— Não vamos falar disso, quero saber de você, de como estão as coisas por aqui.
Tassiane respondeu:
— Já falou com ele?
Rebeca disse que não. Ela respondeu:
— Você não veio pra ficar, não é? Eu sei que ele te magoou, mas ele não tá bem, ficou semanas sem sair da cama. Vocês precisam conversar!
Rebeca falou chateada:
— Isso não tem volta, as coisas que ele fez, você não sabe de tudo.
Ela respondeu:
— Então me fala, eu sei que você levou o dinheiro dele e ele não quis denunciar nem falar nada pra ninguém. O que aconteceu de verdade? Me conta!
Rebeca perguntou se elas podiam sair um pouco. A Tassiane entrou se trocar, a Rebeca entrou junto. A mãe da Tassiane encarou ela com um olhar de julgamento, falou irônica:
— Então você voltou? Pelo jeito está bem, por onde andou, mocinha? Todos ficamos muito preocupados!
Rebeca falou sem jeito:
— É, eu fui embora e não vou voltar. Só vim rever meus amigos!
Tassiane foi tomar banho e a Rebeca ficou no quarto dela. Ela estava olhando uns desenhos do Felipe que estavam lá expostos, quando ouviu:
— Será que eu tô delirando? Ou é você mesma? Em carne e osso?
Era o Felipe. Ela sorriu, falou com um desenho nas mãos:
— Mais osso do que carne, oi, tudo bem? Quanto custa uma obra dessas?
Ele se aproximou, beijou o rosto e a abraçou forte. Começaram a conversar, ele fez perguntas, as mesmas que todos estavam fazendo. Ela disse que não queria falar sobre nada daquilo. Ele respondeu:
— Tudo bem, eu tô feliz por ver que você tá bem, parece diferente, eu não sei, não só o estilo. Parece outra pessoa!
Ela falou irônica:
— Ainda bem né, não posso ser a mesma boba de sempre.
Ele falou sério:
— Você não era boba, pelo menos não pra mim, por que foi embora daquele jeito? Sem se despedir? A gente não ia te deixar sozinha.