Capítulo 57

1561 Words
Capítulo 15 Já era de noite e o jantar estava pronto, eles não tinham chegado ainda. As duas jantaram em silêncio. Rebeca foi para o quarto, tomou os remédios da noite e depois foi tomar banho. Ramon havia deixado o livro que ela viu no quarto dele em cima da cama dela. Como ela estava há duas noites sem dormir, resolveu tomar um remédio a mais. Em menos de vinte minutos, pegou no sono profundo. Só acordou no outro dia com o Toni ao lado da cama, chamando pra almoçar. Sonolenta, ela falou oi. Estava difícil despertar. Kim estava na porta e falou desconfiada: — Bom dia, Rebeca, você está bem? Eles já tinham ido ao quarto ver ela três vezes. Ela respondeu, sentando na cama sonolenta: — Bom dia, sim. Que horas são? Por favor. Ela entrou no quarto e falou: — Quase meio-dia, você sempre acorda cedo, achei estranho estar dormindo até agora. Mas pode ficar, se não estiver se sentindo bem, só fiquei preocupada mesmo! O Toni falou: — Vamos almoçar, eu quero comer com você. E não quero que você fique doente de novo! Ela estava claramente indisposta. A Kim disse que ia ficar com ele, que depois a Rebeca ia. Rebeca falou pra ele: — O que vamos comer? Eu preciso tomar banho e me trocar, pode ir indo na frente. Ele falou, se jogando na cama dela: — Eu vou te esperar! Kim estava tentando convencer ele a deixar a Rebeca, mas ele não quis sair do quarto. Quando a Kim saiu, a Rebeca deitou de novo e falou pra ele: — Posso te pedir um favor? Ele estava bem perto dela, falou que sim. Ela respondeu: — Me ensina a ligar a televisão? Às vezes eu quero assistir, mas eu não sei mexer. Ele levantou, pegou os dois controles, mostrou pra ela como fazia, colocou desenho, voltou a deitar mais perto ainda e falou, mexendo no cabelo dela afetuoso: — A Estela sempre deixava eu dormir com ela. Rebeca respondeu: — Eu não sei se a Kim vai deixar, mas quando quiser pode vir dormir aqui. Mas tem um problema. Eu falo dormindo e me mexo muito, a Estela não gostava de dormir perto de mim, não. Ele falou rindo: — Mas eu vou estar dormindo, não vou ver nada mesmo. Kim estava ouvindo atrás da porta porque tinha ido chamar ele pra ajudar com a sobremesa só pra ele sair de lá. Ouviu tudo e resolveu deixar ele lá. Foi atrás do Noah no escritório. Ele estava com o Ramon. Ela começou a falar da Rebeca, disse que provavelmente ela estava meio dopada por causa do efeito dos remédios, que tomou tudo porque foi cobrada no dia anterior depois de ter passado m*l. Disse que estava se sentindo culpada e perguntou se eles não podiam fazer nada, qualquer coisa diferente pra ajudar ela. O Noah falou: — Você se importando tanto com alguém, que mudança, né? Eu já fiz tudo o que deu. O médico disse que no começo é difícil, mas ela precisa se medicar, controlar os sentimentos, o humor, pra não ficar depressiva. — Ela já estava m*l antes de perder o tio, por causa do namorado, depois perdeu ele e a Aisha. Ela se culpa muito, estava dando trabalho em casa. Tenho medo dela não aguentar. Acho que se tratar só vai ajudar. O Ramon ficou quieto. A Kim falou: — Vocês vão hoje mesmo? Está tudo certo? O Noah disse que sim, eles iriam viajar a trabalho. Logo a Rebeca se trocou e foi para a cozinha com o Toni. Almoçaram todos na mesa. Eles estavam rindo, conversando, falando da família do Noah, relembrando coisas engraçadas, das brigas em festas. Tocaram no nome da Aisha e o Ramon falou várias coisas dela, até recentes. Rebeca estava distraída, abatida, com um olhar indiferente, apático. Não falou nada, nem uma palavra. Quase não comeu, só ficou enrolando por causa do menino. Logo ela começou a tirar a mesa e foi lavar a louça só pra evitar eles. Todos foram para o quintal, menos ela. Kim entrou para pegar água, disse que ia sair um pouco, mas que a Iolanda ia ficar com os dois. Rebeca estava assistindo televisão na cozinha, só concordou. Quando eles saíram, Rebeca foi ficar com o Toni no quintal. A Iolanda ficou sentada de longe, vigiando. Eles estavam recortando EVA de glitter para fazer um varal. Ficaram a tarde toda no quintal. Quando a Kim chegou, foi ver o que fizeram, perguntou se correu tudo bem à tarde. A Iolanda falou a sós que a Rebeca estava parecendo um zumbi. Em um tom de brincadeira, a Kim falou: — E você acha que eu vou ligar pra isso, Ioiô? Ela é uma boa menina, só precisa de uma oportunidade. Seja legal com ela, por favor! Precisamos de gente confiável por perto, sem ligação a esse mundo que vivemos. A Iolanda concordou, mas ressaltou que os problemas só estavam começando com aquele temperamento do Noah. Eles estavam enfrentando brigas nos negócios e o Noah não queria abaixar a cabeça pra ninguém e nem ceder em negociação nenhuma. Kim ficou com os dois um tempo na sala, depois liberou a Rebeca pra ficar à vontade e ir fazer as coisas dela. Eles jantaram juntos, os quatro. Depois a Kim subiu com o Toni e a Iolanda foi para o quarto. Antes de dormir, Rebeca ficou na sala sentada, com a Nora por perto. Tinham dois homens lá no quintal pra vigiar a casa e fazer segurança. Durante dias, o comportamento dela foi o mesmo, fazendo tudo no modo automático, muito quieta e dispersa. Ela pediu pra Iolanda passar uma lista das tarefas pra facilitar, já que só as duas cuidavam de tudo e a casa era grande. Kim ajudava, mas como o Toni tomava todo o tempo dela, já que a Rebeca não parecia muito à vontade ficando com ele, ela parou de ajudar. Os calmantes a deixavam com o corpo r**m de manhã, então ela parou de tomar. Às vezes virava a noite limpando a casa, fazendo as tarefas, e dormia a manhã toda depois. Quando tiveram retorno no ginecologista, Kim avisou cedo e teve que acordar a Rebeca. Foram as duas e o Toni. A consulta foi rápida. Depois a Kim quis ir comprar roupas. Foi escolhendo coisas para a Rebeca. Ela falava mais sozinha do que com eles, porque a Rebeca quase não respondia. A única coisa que ela realmente escolheu foi um sapato, um coturno. Kim estava tentando ser legal. Perguntou se podia fazer algo por ela, qualquer coisa, ir a algum lugar. Disse que iriam viajar e ficar algumas semanas fora. Rebeca falou: — Eu queria fones de ouvido. Surpresa, a Kim falou: — Fones? Ela disse que sim. Foram comprar e depois pegar os documentos da Rebeca. Ela parecia distante, calma e conformada com tudo. Não tinha boca pra nada, não demonstrava qualquer emoção ou sentimento. Elas estavam as três arrumando as malas. Rebeca tinha passado roupas de todos da casa e foi guardar nos quartos. Tinham algumas coisas do Ramon. Ela entrou no quarto dele e foi guardar nas gavetas. Ao abrir o guarda-roupa, viu um pedacinho de uma foto aparecendo embaixo das roupas. Por curiosidade e distração, ela puxou e olhou. Era uma foto dele e da Aisha abraçados, muito próximos. Rapidamente ela guardou. Ficou com aquilo na cabeça, pensando no que a Aisha disse uma vez. Por ligação, comentou que tinha algo com alguém que frequentava a casa dela, um gato dando mole pra ela. De alguma maneira estranha, aquilo não pareceu coincidência, e ela começou a suspeitar que talvez fosse ele o assassino, já que era alguém de confiança e que sempre esteve por perto. Era difícil pensar muito bem nas coisas com o efeito de tantos remédios fortes e controlados. O Noah e o Ramon chegaram no final do dia. Ela estava na cozinha, ocupada com o jantar. O Ramon passou por lá e falou com ela: — Oi, Rebeca, e aí? Como vão as coisas por aqui? Tudo bem? Ela balançou a cabeça que sim. Não disse nem oi. Ele saiu e foi para o quarto. Ela acabou queimando a mão porque se distraiu pensando nas suspeitas. Derrubou uma panela na pia e fez barulho. O primeiro a chegar perto foi o Ramon. Ele se aproximou e foi pegar na mão dela pra ver. Ela se afastou bruscamente, recuando, e falou, disfarçando: — Não foi nada, eu só derrubei aqui. Ele estava olhando que a queimadura foi séria. Tentou ajudar de novo. Ela ficou nitidamente alterada, querendo que ele não chegasse perto. A Iolanda chegou na cozinha, correu ajudar ela e disse que ela não precisava ajudar com mais nada. Ela foi para o quarto, ficou assistindo e não quis jantar. Já era tarde. A Kim estava com o Toni e o Noah lá em cima, no quarto principal. Iolanda tinha ido deitar. Sem sono, a Rebeca foi para a sala, sentou no cantinho de sempre, perto da porta. A Nora estava lá, fazendo companhia a ela. O Ramon estava olhando ela pela câmera porque levantou e viu a porta do quarto dela aberta. Ele voltou a deitar. Já ia parar de olhar quando ela se levantou, olhando pra fora, e foi chegando mais perto da porta...
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