Ela saiu rindo das graças dele. Neto falou que não ia deixá-la dirigir porque já estava tarde. Ela perguntou tarde pra quê, ele respondeu:
— Pra aproveitar seu dia. Você comeu? Tá com fome? Deixa pra lá, não vai dar tempo mesmo. Eu comi, isso que importa!
Ela se viu feliz, animada, sendo praticamente normal e adorou. Naquele momento, começou a imaginar um futuro com ele. Namorando de verdade, ele realizando sonhos, com ela ao lado.
Foram para a rodovia, saíram da cidade. Ele já tinha pego a habilitação. Levou-a para outra cidade, em uma exposição de carros antigos. Rebeca ficou muito animada. Ela amava aquilo tudo, viu o carro dos seus sonhos lá.
Neto comprou coisas diferentes, para ela comer, e disse que iam almoçar em um restaurante no shopping. Ela falou, surpresa:
— Eu nunca fui a um shopping!
Ele respondeu rindo, feliz por ver os olhos dela brilhando:
— É, eu sei. Por isso vou te levar hoje! Quero que seja um dia muito especial, 18 anos é importante, né?
Ela falou que estar com ele era importante. Ele disse, brincando:
— É mesmo, não é qualquer uma que tem a sorte de ficar com alguém como eu.
Ela concordou rindo, durante o passeio todo ficaram próximos, de mãos dadas. Beijaram-se. Ele tirou muitas fotos dela em todos os carros de que ela gostou, tiraram fotos juntos.
Ele gostava mais de carros modernos, e ela de carros antigos. Ficou chamando-a de pré-histórica. O passeio foi incrível.
Depois, no shopping, ele mostrou as opções de onde podiam comer. Ela falou que estava perdida. Ele perguntou se ela confiava nele. Rebeca deu um beijinho e respondeu:
— É lógico que sim. Eu confio a minha vida a você! Vai aprontar comigo, né?
— Não quero comida japonesa, nada estranho assim.
Ele disse que não ia. Sugeriu que fossem comer onde ele mais gostava. Depois foram ao cinema ver um filme de comédia romântica. Rebeca nunca tinha ido, e ele já tinha ido várias vezes com o primo.
Riram muito o filme todo, se identificando com os personagens, como um casal. Ele não a deixou pagar nada.
Ela achou que iam embora, mas ele disse que faltava uma coisa: o presente dela, e que era para escolher nas lojas uma roupa ou um sapato. Ela falou, curiosa:
— De onde você tá tirando tanto dinheiro? Não é do carro não, né?
Ele respondeu com deboche:
— E de onde mais seria? Vai, vamos escolher seu presente!
Rebeca falou que não queria mais nada, porque o dia deles já tinha valido muito para ela. Ficou se sentindo m*l porque, havia muito tempo que ele estava economizando para comprar seu carro. Ele insistiu muito, ficou fazendo brincadeira. Vendo que ela não ia querer gastar mais nada, falou o valor que tinha guardado e disse que não era para ela se preocupar, porque ele ia voltar a trabalhar certinho e dinheiro era feito para gastar de qualquer forma.
Ele acabou ficando chateado porque ela não queria escolher nada. Entrou em uma loja caríssima de jóias e disse que ia escolher sozinho então, sugeriu que comprassem uma aliança de compromisso, mais ela não quis.
Acabaram comprando uma pulseira com um trevo. Quando ele pagou e ela colocou, Rebeca falou para a atendente que queria um colar que viu lá, também com um trevo. Comprou e deu para ele de presente, dizendo que o símbolo do que sentiam, como as alianças.
Ele colocou na mesma hora. Mesmo reclamando porque ela gastou, ele gostou do presente.
Foram embora, ele a deixou dirigir da cidade até o sítio, disse que era para ela aproveitar porque logo só iriam andar no carro dele e não no do Célio. Enquanto Rebeca dirigia, ele ficou disperso, mexendo no celular, trocando muitas mensagens.
Ela ficou desconfiada, sentiu um pressentimento r**m. Perguntou com quem ele estava falando. Ele respondeu, guardando o celular rápido:
— Meu pai, ele quer saber se a gente vai sair ou ficar em casa, acho que vamos sair né? Por favor! Ontem você já me deu um bolo!
— Quero correr.
Ela aceitou sair. Quando chegaram em frente à casa dele, ele falou que já ia para a casa dela ajudá-la a escolher uma roupa, porque ela não podia sair, ir a uma festa adulta de pessoas maiores de 18 anos, m*l vestida. Ele estava cheio de graça, muito animado.
Rebeca deixou o carro na frente da garagem para ele guardar. Enquanto ele desceu para abrir o portão, ela pegou o celular dele e pensou em mexer. Sempre foi muito curiosa mesmo. Por alguns instantes, a insegurança tomou conta e ela pensou que ele estava conversando com a Pâmela ou outra menina.
Eles não tinham muitos segredos um para o outro, mas ela só conseguia pensar que, a qualquer momento, algo ia estragar a felicidade dela. Tudo estava bom demais para ser duradouro. Deixou o celular lá e nem mexeu.
Foi para casa se arrumar. Tomou banho. Colocou um vestido que nunca tinha usado antes, vermelho bordô, sem detalhes. Era de alcinha com bojo, justo no corpo todo. Vestiu meia-arrastão preta, jaqueta de couro preta. Colocou um coturno novo com salto tratorado.
Foi se maquiar e começou a achar estranha a demora de Neto. Aproveitou para deixar o cabelo mais liso alinhado, gostou do que viu, quando se olhou pronta.
Quando foi sair de casa, Neto estava no portão parado, mexendo no celular. Guardou rápido e começou a falar da roupa dela. Disse que estava bonita, mas que não precisava de tanta maquiagem. Ela encostou no carro esperando o Júlio, disse que não ia parar de se maquiar, por causa dele. Neto falou, olhando-a fixamente:
— Nossa, você tá tão diferente. O tempo passou rápido demais pra gente. Sei lá, ontem era tão magrinha e se vestia quase igual a mim. Tá linda! Deixa eu tirar uma foto sua, vou colocar de papel de parede no meu celular!
Ela falou rindo desconcertada:
— Ué, tô linda ou feia, diferente demais? Se decide aí, estava criticando meu estilo até agora.
Ele tirou a foto, aproximou-se para beijá-la e respondeu reflexivo:
— Tá diferente e linda, não só pra mim. Desse jeito vai chamar atenção de todo mundo. E eu não gosto disso!
— Eles ficam olhando e falando coisas.
Rebeca o abraçou e falou que ele sempre chamou atenção de todo mundo e ela nunca ligou, principalmente tirando a camiseta sempre que possível. Ele respondeu:
— Eu paro com isso, mas você estando comigo precisa parar um pouco de querer chamar tanta atenção. Eu já te vi de todas as maneiras possíveis, até sem roupa, ninguém tem que ver mais nada. Esse batom, eu nem gosto, atrapalha pra beijar.
Ela achou graça e ficou dando beijinhos para irritá-lo. Júlio saiu e falou para ela, jogando as chaves do carro:
— E aí, aniversariante, parabéns. Fiquei sabendo que hoje você vai perder a linha, tomar umas bebidinhas, virar a noite na curtição.
Rebeca respondeu, séria:
— Obrigada, não sei se estou disposta. Bebendo é mais fácil aturar você? Porque se for, vou começar a aderir o hábito.
Eles deram risada. Ela foi dirigindo até a Arena. Quando chegaram, já tinha bastante gente. Neto falou, descendo do carro:
— Fica aí, espera um pouco, calma aí.
Ele desceu correndo, deu a volta, foi abrir a porta para ela e a pegou pela mão. Júlio estava tirando uns sacos de gelo do porta-malas e jogando no chão. Alguns colegas se aproximaram com coolers, fardinhos de cerveja, litros de bebidas nas mãos. Neto falou:
— Você não achou que a gente ia deixar passar em branco, né?
Rebeca ficou sem entender. Uma das meninas falou, puxando-a pela mão:
— Oii, tá linda aniversariante, parabéns, feliz aniversário! Você precisa ver o que fizemos!
As duas foram andando, no meio das pessoas, Rebeca estava surpresa, ansiosa. Várias pessoas do grupo começaram a parabenizá-la. Chegando onde estava a rodinha do pessoal, tinha, na traseira de uma Saveiro, uma mesinha pequena, uma bandeja com brigadeiros, um bolo pequeno decorado preto e pink, copos e pratos descartáveis rosa. Balões pretos nos carros deles.
Taças de acrílico com doces de goma, mergulhados na vodca. Rebeca ficou muito surpresa.
Os meninos estavam arrumando as bebidas. Tinha um tambor grande com muito gelo e todo tipo de bebida destilada. Neto estava organizando tudo. Rebeca ficou olhando para ele. Quando ele a olhou, sorriu e mandou beijo de longe.
Ela estava radiante, conversando, as meninas estavam contando como fizeram tudo. Rebeca perguntou se alguém tinha notícias da Aisha. Falaram que não tinham visto nada há semanas. Uma delas a puxou de canto e disse que Noah tinha perguntado dela por mensagem, duas vezes.
Rebeca pediu o número dele e salvou no celular. A menina a alertou sobre ele nem ser tão próximo da Aisha, que, se queria chegar até ela, com certeza não ia dar certo por intermédio dele. Rebeca falou que não ia ficar dando muita atenção, que só ia pedir o contato dela.
Não tinha água nem refrigerante. Neto foi oferecer os doces com vodca. Disse que ela ia gostar. Deu na boca dela e a beijou. Rebeca falou, abraçada com ele, encostada no carro:
— Quero mais!
Ele perguntou se era o beijo ou o doce. Ela falou rindo:
— Os dois. Obrigada por isso tudo, nunca vou esquecer do dia de hoje. Desde cedo o que fizemos, até agora, não vou esquecer de nada. Amo você! Eu teria te namorado antes se soubesse que ia ser tãooo gostoso.
Ele ficou surpreso, beijou-a e respondeu, muito carinhoso:
— Te amo desde sempre, só não sabia que dava pra amar mais ainda. Nós somos os melhores juntos, nunca duvidei disso. Tá feliz?