1 DULCE

935 Words
Minha vida é um verdadeiro inferno, aos meus 10 anos meu pai me obrigou a ter relação s****l com um traficante do morro vizinho, tudo isso para pagar as dívidas dele. Até hoje foi difícil apagar tudo da mente, parece que ainda sinto as mãos asquerosas daquele homem em mim. Me apertando, apalpando minhas nádegas. É horrível sentir essa sensação. Você toma banho todos os dias, e pensa que a água aliviará tudo, mas não. Não alivia aquela sensação r**m, de ser tocada por um estranho, por ser beijada a força por um bêbado sem escrúpulos. Na época, tentei fugir, negar, fiz de tudo, mas, mesmo assim, fui estuprada aos 10 anos. Minha relação com meu pai não é boa. Quando ele chega em casa bêbado, me bate, diz que se minha mãe morreu, a culpa é minha e que eu deveria estar morta no lugar dela. Sim, cada palavra que escuto sair da boca dele me machuca, eu me culpo mais e mais pela morte de minha mãe, mesmo minha melhor amiga falando que eu não tive culpa, que se ela foi é porque estava na hora dela ir. Mas não adianta, mesmo assim me sinto culpada. Há três anos, mudamos para o morro da Babilônia. Achei que ia melhorar, mas só piorou. Agora, meu pai me estupra e eu sou espancada até desmaiar. Em um desses estrupo engravidei, quando eu descobri eu já estava dentro dos dois meses, foi o fim para mim, eu grávida do meu próprio pai, o mesmo que deveria me proteger de todo m*l, mas ele é quem me faz o m*l. Falei para ele da gravidez e que eu iria abortar, quando falei ele surtou. O que essa criança seria minha? Irmão? Filho? Ou o quê? Ele não deixou eu abortar, me obrigou a ter o filho, ele me obrigava a ir em todas as consultas, e em todas essas consultas eu tentava pedir ajuda para a médica, mas eu não conseguia porque ele me ameaçava. E mais uma vez, eu não pude fazer nada. Quando chegou no fim da gravidez, ele se drogou e me confundiu com minha mãe, falou que me amava, e no final acabou me agredindo e eu acabei perdendo o bebê, sei que é errado, mas senti um alívio. Se eu tivesse esse bebê, eu lembraria disso para sempre, mesmo eu sabendo que será difícil eu esquecer tudo isso que aconteceu comigo. A pessoa que se diz meu pai surtou de ciúmes quando foi na escola e viu que eu tava fazendo trabalho com um menino, ele saiu me puxando pelos cabelos até em casa, me bateu e ainda me proibiu de estudar e de sair de casa… fico o dia todo em casa trancada, eu vejo as pessoas pelas janelas com grades que tem no meu quarto, e para piorar nem telefone tenho, para que eu possa pedir ajuda. Todas as noites acordo com pesadelo e quando não é pesadelos é com meu pai em cima de mim me estuprando e me batendo. Me dói tudo isso, meu próprio pai fazer isso comigo, o mesmo que deveria cuidar de mim, deveria me fazer sentir segura perto dele, me dá o carinho de mãe que eu não tive, mais a única coisa que ele me faz sentir por ele é nojo, não me sinto segura, sinto medo só de sentir ele perto de mim. Eu queria acabar com tudo isso logo, mas como? Como farei isso se nem de casa eu saio? Eu sempre sonhei em ser médica, ir atrás dos meus sonhos, mais como, sem estudos? Por mais que eu pegue os cadernos da minha amiga para estudar, mesmo assim tenho que ter os certificados dos meus estudos provando que terminei, eu não poderei correr atrás dos meus sonhos devido ao meu pai, isso me dói tanto. Esse tempo todo que fico olhando as pessoas pela janela, eu comecei a gravar horário, dia e tudo que o tal do Lúcifer passa na rua de casa, parece loucura? Acho que sou meio apaixonada por ele, eu não sei se isso é possível, mas tenho uma quedinha por aquele homem. Apesar de ele passar para cima e para baixo com várias mulheres do lado, eu gosto dele, mas ao mesmo tempo, me dá medo, sempre escuto meu pai e os amigos dele falando sobre ele, que até chego a ficar arrepiada por cada palavra que escuto. Ele é o Dono do morro, o homem, mas temido daqui, e todos têm medo dele, e com razão. Ele tem um ar de superioridade, mas nunca deixo de perceber o quanto sua beleza é notória, mesmo com seu semblante fechado ele consegue ser lindo. Talvez fosse isso que me deixou caidinha por ele. Se eu fosse além dessas grades de casa, talvez eu estaria com ele. Talvez eu teria uma vida normal. Mas tudo não passa de um” Talvez” , uma incerteza de um futuro incerto, ou talvez um futuro que nunca vai chegar para mim. Eu só queria ser uma garota normal, que sonha, que estuda, e que tem o primeiro namoradinho da escola. Mas sempre tem aquelas que nascem com azar, que nascem para sofrer e esse é meu caso e meu destino, um destino que não desejo a nenhum dos meus inimigos. Mas sei que tudo isso irá passar, porque tenho fé que tudo isso passará, que sairei desse sofrimento, que essa dor acabará. Tenho esperança, e a esperança é a última que morre, enquanto ela existir, eu lutarei. Enquanto eu estiver viva, lutarei com minhas forças, mesmo eu desejando estar morta.
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