Melissa narrando. A primeira coisa que sinto ao acordar é calor. Um calor suave, que escorre pela pele como um abraço invisível. A luz atravessa a cortina grossa, espalhando um dourado quente que se deposita direto no meu rosto. Por um instante, mantenho os olhos fechados novamente, sem me acostumar com o impacto que recebi, como se pudesse fingir que ainda não é hora de acordar. Mas a claridade insiste, e eu me rendo devagar, abrindo as pálpebras. O mundo chega em pedaços. Primeiro, o teto alto, branco, ornado demais para o meu gosto. Depois, o som distante do mar, abafado pelo vidro. Mas é quando me mexo levemente que recebo a informação mais intensa: não estou sozinha. Meu rosto está colado a um peito largo, quente, sólido. O peitoral de Dante. Sinto cada inspiração dele vibrar co

